10 poemas para crianças amarem poesia

Os poemas para crianças são valiosos aliados a mães e pais que desejam oferecer visões de mundo amplas aos seus pequenos. Afinal, a poesia contribui não só no desenvolvimento intelectual mas também no desenvolvimento humano. E, por proporcionar grande experimentação com as palavras, crianças em fase de alfabetização costumam adorá-la!

Os benefícios dos poemas para crianças

Segundo a professora Ana Maria Lisboa de Mello, especialista na obra poética de Cecília Meireles:

“A criança sente prazer em vivenciar a semelhança e os contrastes sonoros entre palavras, independente de sua significação. Por isso, o uso de recursos como trocadilhos, onomatopeias, aliterações, assonâncias, rimas, anáforas, aliterações e outros fatores de ritmo suscitam a fruição textual.”

Mas, se os poemas para crianças são tradição no processo de alfabetização, hoje eles se tornam mais que necessários. Em era de fake news, a poesia desenvolve a linguagem e o pensamento crítico, competências fundamentais para se ter autonomia num mundo de visões recortadas e polarizadas.

E, para contagiar ainda mais os pequenos leitores, o Clube Quindim trouxe um delicioso “petisco poético”. Confira!

Conheça 10 poemas para crianças

Ou isto ou aquilo

Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


A bailarina

Cecília Meireles

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo pra cá e pra lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


Cantiga da babá

Cecília Meireles

Eu queria pentear o menino
como os anjinhos de caracóis.
Mas ele quer cortar o cabelo,
porque é pescador e precisa de anzóis.
Eu queria calçar o menino
com umas botinhas de cetim.
Mas ele diz que agora é sapinho
e mora nas águas do jardim.
Eu queria dar ao menino
uma casinhas de arame e algodão.
Mas ele diz que não pode ser anjo,
pois todos já sabem que ele é índio e leão.
(Este menino está sempre brincando,
dizendo-me coisas assim.
Mas eu bem sei que ele é um anjo escondido,
um anjo que troça de mim.)


A égua e a água

Cecília Meireles

A égua olhava a lagoa
com vontade de beber água.
A lagoa era tão larga
que a égua olhava e passava.
Bastava-lhe uma poça d’água,
Ah! mas só daqui a algumas léguas.
E a égua a sede aguentava.
A égua andava agora às cegas
de olhos vagos nas terras vagas,
buscando água.
Grande mágoa!
Pois o orvalho é uma gota exígua
e as lagoas são muito largas.


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Poemas extraídos do livro Ou isto ou aquilo (escritora Cecília Meireles, ilustrador Odilon Moraes, editora Global).

Entregue em janeiro de 2017 pelo Clube Quindim.



Quero-quero

Lalau

Quero,
Quero voar.
Quero,
Quero cantar.
Sou porteiro
De fazendas.
Sou guardião
Das terras.
Tudo o que
Espero
É ser sempre
Quero-quero


Gaivota

Lalau

Gaivota
Vive lá no céu.
Gaivota vai,
Gaivota volta,
Gaivota vai,
Gaivota volta,
E os ovos?
Quando é que
A gaivota
Bota?


ABC da passarada

Lalau

Andorinha
Bem-te-vi
Coleirinha
Dorminhoco
Ema
Falcão
Graúna
Harpia
Inhambu
Jacutinga
Lindo-azul
Mainá
Noivinha
Oitibó
Pintassilgo
Quiriri
Rolinha
Sabiá
Tico-tico
Uirapuru
Viuvinha
Xexéu
Zabelê


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Poemas extraídos do livro Fora da gaiola (escritor Lalau, ilustradora Laurabeatriz, editora Companhia das Letrinhas).

Entregue em novembro de 2017 pelo Clube Quindim.




Esperança

Roseana Murray

Muitos são os que carregam
água na peneira,
como disse o poeta
Manoel de Barros,
e esperança como estrela
na lapela.
Muitos são os que acreditam
em coisas simples e limpas,
em coisas essenciais,
amor, amizade, delicadeza,
paz,
e tantas outras palavras,
antigas e urgentes.


Fonte

Roseana Murray

Como trapezista
alcançar o outro
num salto:
mergulhar em seus olhos,
navegar até o fundo.
Alcançar o outro
no que ele tem
de mais belo,
de luz e mel,
delicadeza e mistério.
E, então, beber a água
limpa
dessa fonte.


Gavetas

Roseana Murray

Com delicadeza
abrir as gavetas
que guardam
as palavras de seda.
Deixá-las sempre
ao alcance
de um sopro,
prontas para o voo,
para o ouvido,
para a boca.
Palavras de seda
são como borboletas
douradas
quando pousam
no coração do outro.

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Poemas extraídos do livro Manual de delicadeza de A a Z (escritora Roseana Murray, ilustradora Elvira Vigna, editora FTD).

Entregue em outubro de 2017 pelo Clube Quindim.





* A imagem que ilustra este post é de autoria de Jessie Willcox Smith, reconhecida ilustradora estadunidense cujo trabalho em livros infantis compõe o grupo conhecido como o da Era de Ouro da Ilustração.


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