Rotina alimentar na pandemia: dicas para manter uma alimentação infantil saudável

Clube de Leitura Quindim ajuda você com dicas para um rotina alimentar mais saudável na pandemia para manter uma alimentação infantil mais equilibrada.

Pais e mães enfrentam desafios no contexto pandêmico, seja em conciliar o home office com o ensino domiciliar, ou mesmo ao se deparar com questões como diminuição da renda, perda da rede de apoio, crianças com alto índices de estresse, entre outros. Entre tantas demandas, as nutricionistas materno-infantil Marina Rico Perez, especializada em aleitamento materno pelo IBCLC, e Renata Gosciola Vizeu, especialista em Nutrição Clínica em Pediatria pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, entrevistadas pela reportagem, lembram que os pais são os responsáveis pela rotina alimentar das crianças e devem assumir a alimentação infantil em casa como uma prioridade. Veja algumas orientações para esse momento:

1. CRIE UMA ROTINA ALIMENTAR

Rotina alimentar saudável na pandemia e alimentação infantil

Uma rotina alimentar minimamente planejada é a primeira dica. “Dependendo da idade da criança ela pode até participar dessa construção. Os pais podem manter um quadro de tarefas fixado na sala com os horários das refeições e com as regras da casa (por exemplo, comer juntos à mesa, não fazer beliscos [antes das refeições], não comer assistindo televisão etc.), o que pode ajudar a criança a entender que não [está de] férias e que as regras continuam valendo mesmo que ela não esteja indo para a escola”, enumera Marina.

Para a criança é necessária uma previsibilidade, é preciso entender que as refeições acontecem em momentos pontuais e que existem intervalos entre cada uma. “Determine horários para as refeições e não deixe à disposição alimentos o tempo todo, para que a criança tenha um norte sobre quando se alimentar”, destaca Renata.

Neste momento tão delicado, sabemos como a alimentação infantil de qualidade é essencial para a saúde das crianças. Por isso, o Clube de Leitura Quindim também fez uma lista com alimentos que aumentam a imunidade infantil para ajudar você!

Veja também: Como aumentar a imunidade infantil? Conheça 9 alimentos indispensáveis

2. COMBINE COM A CRIANÇA A ROTINA ALIMENTAR

Rotina alimentar e alimentação infantil na pandemia

Embora as crianças possam participar e até ter certa autonomia sobre sua alimentação, são os pais que devem ter a responsabilidade final sobre essas escolhas. “São eles que determinam o que entra dentro de casa, o que estará disponível para a criança comer. Ela não tem ainda a capacidade de escolher a qualidade da própria alimentação”, lembra Renata.

Uma regra básica é não ter em casa alimentos que você não quer que que façam parte da rotina alimentar do seu filho. Por isso, ter sempre alimentos saudáveis à mão é essencial. “Uma dica é comprar alimentos de acordo com a safra, pois costumam ser mais baratos, ou ir no final da feira (a famosa xepa) para conseguir descontos”, orienta Marina.

3. CONTROLE DOS INDUSTRIALIZADOS AJUDA NUMA ALIMENTAÇÃO INFANTIL MAIS SAUDÁVEL

rotina alimentar saudável e alimentação infantil saudável

Para Renata, os pais devem evitar separar os alimentos entre bons X ruins ou saudáveis X não saudáveis. De outro modo, devem avaliar frequência e contexto: quando e como eu vou comer determinado alimento? “Bolo, brigadeiro, pizza não são melhores ou piores que os outros produtos, mas eles aparecem em determinados contextos e não são consumidos todos os dias nem em grande quantidade”, explica.

Nesse sentido, vale combinar com a criança em quais momentos está permitido o consumo desses alimentos na rotina alimentar e controlar a quantidade oferecida. “Ao oferecer alimentos industrializados, ofereça uma porção ao invés do pacote inteiro, pois a criança não terá autocontrole. Deixar à disposição uma porção específica faz com que a criança não exagere” ressalta Marina. Outra dica interessante é deixar ao alcance dos pequenos alimentos saudáveis para lanches, para que a criança desenvolva um vínculo com esses alimentos, associando-os à saciação da fome no dia a dia.

Veja também: Autoestima, por que educar crianças para amarem seus corpos

4. SEJA MODELO COM UMA ROTINA ALIMENTAR SAUDÁVEL

Rotina alimentar balanceada e alimentação infantil balanceada

Os pais não podem exigir da criança um modelo alimentar que não praticam em casa. “É preciso olhar para a forma que conduzimos nossa alimentação, porque a alimentação dos filhos é um reflexo da nossa”, considera Renata.

A pandemia também pode ser um momento para resgatar, na rotina alimentar, as refeições em família, em que se todos podem se sentar à mesa para conversar, ou cozinharem juntos. “Uma criança que tem o hábito de participar da cozinha tem mais chances de manter uma boa relação com a comida e são essas memórias que ficarão depois que tudo isso passar”, resume Marina.

E, se mesmo assim o seu pequeno não quer comer verduras e legumes, você pode conferir algumas dicas de como lidar com isso em nosso blog!

Veja também: Alimentação infantil: 04 perguntas que você precisa fazer se seu filho não come verduras e legumes

QUANDO É PRECISO UM OLHAR MAIS ATENTO NA ALIMENTAÇÃO INFANTIL?

rotina alimentar e alimentação infantil de qualidade

Para as nutricionistas materno-infantil entrevistadas pela reportagem, o acompanhamento nutricional é aconselhado em todos os momentos da vida da criança e do adolescente. “O nutricionista pode ajudar os pais a organizarem a rotina alimentar em casa, planejar cardápios que sejam acessíveis financeiramente e que mantenham os níveis de nutrientes adequados, sugerir atividades em família, além de cuidar do comportamento alimentar para evitar possíveis transtornos”, aponta Marina.

A especialista aponta ainda que a ansiedade é comum nesse período e as crianças podem facilmente transmitir esses sentimentos de ansiedade, frustração, medo, tédio para a relação com a comida. “Precisamos lembrar que comer vai além dos nutrientes, não pensar apenas no que estamos escolhendo comer, mas como, com quem, quando e por que comemos”, ressalta.

Porém, como não são todas as pessoas que têm acesso a um acompanhamento constante, algumas questões exigem uma atenção maior. “Quando a criança apresenta alguma dificuldade alimentar, consome uma quantidade muito pequena de alimentos ou não experimenta nem aumenta o seu repertório alimentar. Ou mesmo quando comia bem e depois reduziu o repertório, tudo isso deve ser levado a um profissional”, enfatiza Renata.

A partir de qualquer mudança nos exames dessa criança ou adolescente (desde alteração de pressão arterial, até deficiências de ferro, vitaminas, aumento de colesterol, triglicérides etc.) é preciso buscar ajuda de um especialista. “É preciso lembrar que o peso não reflete saúde. Outros parâmetros devem ser compreendidos para entender a saúde da criança. Se a criança está sempre doente, apresenta sintomas recorrentes, alergias, é sinal de alerta. Crianças com IMC esperado não são sinônimo de crianças saudáveis. Assim como crianças acima do peso esperado para a sua idade nem sempre têm problemas de saúde”, alerta Renata.

A nutricionista acrescenta que a nossa escolha por um alimento é multifatorial, influenciada por pontos como gosto, momento, influências, contexto, memórias, hábitos regionais e familiares, assim como pelas nossas emoções e sentimentos. “Os pais devem estar atentos se a criança não está praticando o comer emocional. Preste atenção se ela consegue nomear o que ela está sentindo e como ela processa esse sentimento. O contexto de comportamento alimentar tem que ser analisado e, se houver transtornos alimentares, o acompanhamento profissional é fundamental nesse processo”, destaca Renata.

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Tatiana Lazzarotto Jornalista

TATIANA LAZZAROTTO

Tatiana Lazzarotto é jornalista, escritora e feminista. Atualmente é mestranda em Estudos Culturais na Universidade de São Paulo (USP). É formada em Comunicação Social-Jornalismo e Letras-Português, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e especializada em Mídia e Política e Atores Sociais pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Também é Promotora Legal Popular (PLP), com formação em direitos das mulheres da União de Mulheres de São Paulo. Natural de Santa Catarina e radicada em São Paulo-SP desde 2011, é apaixonada por plantas e por cachorros, especialmente Gabo e Mercedes. Acredita no poder transformador da educação, das palavras e dos novos olhares.