O papel do pai: 5 livros que celebram a paternidade

Se pararmos para notar obras de arte, peças de teatro, livros e filmes antigos, vamos perceber que a imagem da mãe foi construída e tem sua importância reforçada há séculos em nossa sociedade. Já o papel do pai é algo que tem sido discutido há muito menos tempo: muitos homens ainda não conseguem construir laços concretos com seus filhos, compartilhar cuidados com a mãe da criança e compreender de fato como sua presença e atuação são essenciais para o desenvolvimento do filho. É por isso que hoje se defende uma paternidade ativa, aquela que envolve ações, bem como todo o cuidado físico e emocional que se dá à criança.

No Brasil, o abandono paterno é uma realidade muito cruel. Estima-se, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mais de 5 milhões de crianças brasileiras não tenham o nome do pai em sua certidão de nascimento. Além disso, mesmo os pais presentes nem sempre se envolvem na criação dos filhos. Trata-se de um assunto tão sério que, em 2018, o Ministério da Saúde criou uma cartilha para auxiliar os pais nesse processo. Afinal, quando o homem desempenha seu papel de pai, se apropria verdadeiramente de sua função de educador e cuidador, adquire melhor qualidade de vida e aprofunda o vínculo familiar.

Orientações para uma paternidade ativa

O Ministério da Saúde lista algumas ações que os pais devem adotar para exercer uma paternidade ativa, entre elas:

  • Participar das consultas médicas da mãe durante a gestação, acompanhar o parto e o pós-parto.
  • Ser afetuoso com a mãe da criança e com a criança.
  • Compartilhar tarefas domésticas e cuidados como a troca de fraldas e roupas, o banho, alimentação e sono.
  • Incentivar e amparar o aleitamento materno.
  • Acompanhar a criança na escola e nos estudos em casa.
  • Brincar e passear com o filho.
  • Falar e ouvir os medos e angústias que surgem ao longo do processo, buscando um profissional de saúde para esclarecer dúvidas.
  • Levar a criança para consultas médicas bem como para tomar vacinas.

Livros infantis ajudam a desenhar o papel do pai

Escritor: Etgar Keret
Ilustrador: Aviel Basil
Editora: SM

Construir uma atuação mais efetiva na vida dos filhos e uma ideia mais sólida de paternidade fica mais fácil quando se tem referências. E certamente os livros podem ajudar muito nisso. Eles promovem a discussão e a reflexão sobre o tema. Além disso, mostram como a figura paterna é essencial e transformadora para o desenvolvimento da criança. O Clube Quindim já trouxe vários títulos relacionados ao assunto, como é o caso de Filhote de gato-gente, obra adorável de Etgar Keret e Aviel Basil, que integra a seleção de fevereiro. Nessa história, um garotinho deseja passar o dia com o pai no zoológico, mas acaba ficando sozinho quando o pai precisa ir trabalhar. A partir daí, inventa uma narrativa em que ele é filhote de uma espécie rara que exige uma série de cuidados.

Veja outros livros da nossa seleção sobre o papel do pai nas famílias e paternidade ativa:


Meu pai era um cara legal

papel do pai. Autor: Keith Negley Editora: V&R
Autor: Keith Negley
Editora: V&R

O pai do narrador desta história já foi um astro do rock e aos olhos do menino sua vida “passada” parece ter sido muito interessante e divertida. Por isso, ele acha que o pai deixou de ser legal, descolado. Mas o que as ilustrações nos mostram é um pai dedicado e participativo, que adora cuidar e brincar com o filho.

A paternidade ativa é uma escolha que pode ser muito gratificante para os homens, mas até o próprio filho tem dificuldade de valorizar a escolha do pai. Toda essa ideia do que é “ser legal” ou “ter sucesso” varia muito conforme o gênero das pessoas. Às mulheres, o sucesso está muito associado a casar e ter filhos. Aos homens, ao sucesso profissional. Romper com esses preconceitos e entender o que lhe faz feliz independentemente do seu gênero é libertador. Para você, o que é ser legal? O que é ter sucesso? O que lhe faz feliz?


O passeio

 Escritor: Pablo Lugones Ilustrações: Alexandre Rampazo Editora: Gato Leitor
Escritor: Pablo Lugones
Ilustrações: Alexandre Rampazo
Editora: Gato Leitor

Este livro é uma linha do tempo. A história começa com um pai ensinando a filha a andar de bicicleta e termina com ela, depois de adulta, ensinando o próprio filho. É uma história que nunca termina, que se renova a cada nascimento. E não é assim o ciclo da vida? Nas delicadas ilustrações de Rampazo, vemos as mudanças na menina e no pai: as roupas, os cabelos. Às vezes um está adiante, o outro o ultrapassa, ou andam juntos, como na própria vida. Fala sobre diferentes fases da vida que nem sempre passamos, mas que podemos conhecer por meio da vivência que a literatura proporciona. Isso ajuda a elaborar nossos sentimentos sobre elas. Isso nos prepara para viver momentos de perda e transformação, que sempre serão difíceis, mas que podem ser vividos com mais acolhimento e menos sofrimento se já tivermos lido e refletido sobre eles.


Papai tatuado

Papel do pai.  Escritor: Daniel Nesquens Ilustrações: Sergio Mora Editora: WMF Martins Fontes
Escritor: Daniel Nesquens
Ilustrações: Sergio Mora
Editora: WMF Martins Fontes

Narrar e ouvir histórias é um momento especial de afeto na família. A literatura nos faz viver novas experiências, conhecer novos mundos e perspectivas. Nesta história, o pai é o narrador viajante, que foi “buscar” seu conhecimento no contato com diferentes lugares e situações para trazê-los aos seus espectadores a partir de sua interpretação. Assim, o narrador é um sábio, cheio de experiência que vem de suas histórias e de outras histórias que também ouviu. Essa contação vai além de um simples relato, ela tem toda uma forma única de contar, que traz as marcas de quem conta.


Senhor cavalo-marinho

Papel do pai. Autor: Eric Carle Editora: Callis
Autor: Eric Carle
Editora: Callis

Um papai cavalo-marinho que cuida dos seus filhotes e conhece outros papais que também cuidam pode parecer um tanto diferente, não? Mas não é nem deveria ser e, nessa obra, o autor traz a importância da participação do pai na gestação e na criação dos filhos. Afinal, compartilhar responsabilidades é fundamental para a criança crescer em um lar com mais harmonia e afeto. Essa história é uma reflexão sobre o assunto, uma homenagem aos pais que se dedicam à paternidade e, além disso, um convite aos que precisam se dedicar. E tudo pode começar com o pai lendo essa história para a criança.