Em meio a diferentes realidades e questões sociais tão complexas, como conversar com as crianças sobre temas que parecem distantes — ou até mesmo inexistentes — para quem não os presencia?
Segundo dados de 2024 da World Inequality Database (Banco de Dados Mundial sobre Desigualdade, em tradução livre), o Brasil figura entre os países mais desiguais do planeta, com uma das maiores concentrações de renda do mundo.
Junto disso, recortes geográficos, de raça, classe e gênero fazem parte das diferenças que atravessam as infâncias desde cedo. Como, então, explicar para as crianças que nem todos partem do mesmo ponto, enfrentam os mesmos dilemas ou recebem o mesmo suporte familiar?

Nesse momento tão formativo, é importante que a criança cresça com uma visão de mundo crítica e empática, entendendo as nuances e desafios da sociedade em que vive. Mais do que isso, é importante dar voz para quem de fato vivencia esses contextos.
Pensando nisso, o Clube Quindim te convida a conhecer 8 livros infantis que podem ajudar as famílias a conversar sobre diferentes questões sociais com as crianças, respeitando o entendimento de cada faixa etária.
Direto do Instagram: Por que a maioria dos personagens de livros infantis ainda são de classe média?
vEJA OS LIVROS JÁ SELECIONADOS PELO cLUBE Quindim que ajudam conversar SOBRE questões sociais em família

Ilustradora: Taisa Borges
Editora: Peirópolis
Faixa etária: 9 a 12 anos
1. Cinderela do rio
Para dar início às nossas dicas de livros para discutir questões sociais, trouxemos este livro de Mafuane Oliveira e Taisa Borges que apresenta uma releitura de um dos mais conhecidos contos de fadas de todos os tempos.
Embora o enredo traga elementos da história da Gata Borralheira, a obra traz reflexões importantes sobre os diferentes tipos de infância no Brasil e fala de uma realidade ainda encontrada diariamente, em todos os cantos do nosso país: crianças e adolescentes que deveriam estar estudando e brincando, mas estão em situações de trabalho análogo à escravidão.

Ilustrador: Bruna Lubambo
Editora: Joaquina
Faixa etária: 3 a 5 anos
2. O nome do moço
Uma menina e sua mãe andam pela cidade quando, de repente, a criança avista um homem deitado na calçada, coberto por um plástico, somente com os pés para fora. Será que ele não tem uma casa? Não tem uma família? Qual será o nome dele? A criança tem muitas perguntas… Mas será que alguém tem as respostas?
O nome do moço, de Márcia Leite e Bruna Lubambo, é um livro que destaca o olhar de uma criança para uma situação de invisibilidade social. Quantas vezes ignoramos completamente a presença de alguém, igualzinho a nós, deitado no chão frio da calçada?
Veja também: Nem toda história tem final feliz: por que as crianças precisam compreender isso

Organização: Ananda Luz e Isabel Malzoni
Editora: Caixote
Faixa etária: 6 a 12 anos
3. Eu devia estar na escola
Organizado por Ananda Luz e Isabel Malzoni, este livro reúne trechos de cartas e desenhos de crianças moradoras das favelas da Maré do Rio de Janeiro que vivenciam a violência das operações policiais que ocorrem na região. Eu devia estar na escola é uma obra dolorosa, revoltante e necessária para provocar questionamentos, indignação e adesão à luta por mudanças.

Editora: Gengibre Editora
Faixa etária: 6 a 12 anos
4. Ninguém trabalha mais do que as operárias
As abelhas-operárias trabalham exaustivamente, enquanto a rainha vive uma vida cheia de privilégios. Cansada de ser explorada, uma abelha decide se rebelar. Será que ela conseguirá mudar o sistema desigual e opressivo da colmeia em que vive? Do escritor e ilustrador Wagner William, esta é uma obra que traz humor ao mesmo tempo que aborda questões sérias e necessárias, como a luta por direitos trabalhistas, melhores condições de vida e desigualdades sociais.

Editora: FTD
Faixa etária: 3 a 12 anos
5. Gente de cor, cor de gente
Um livro de imagem, dezenas de cores de pele e sentimentos partilhados. Maurício Negro entra no debate para nos dizer, entre outras coisas, que as pessoas possuem várias cores e que diante da diversidade de emoções que a vida nos oferece, somos todos iguais. Parece óbvio, mas esta é uma leitura necessária para todo nós que vivemos num país com tantas heranças de preceitos europeus e de um regime escravocrata.

Ilustradora: Manuela Navas
Editora: Baião
Faixa etária: 6 a 12 anos
6. Chupim
Do mesmo autor de Torto Arado, um dos grandes romances contemporâneos da literatura brasileira, Chupim é uma obra marcada pelo lirismo e pela crítica social. Nesta obra, vamos conhecer uma família que trabalha numa plantação de arroz, onde as crianças desempenham um papel essencial: espantar as pragas para que não comam o arroz e prejudiquem a colheita.
De maneira sensível e singela, este livro de Itamar Vieira Junior e Manuela Navas, aproxima o leitor da realidade de muitas crianças, para que outras possam ter consciência das desigualdades do nosso país.
Veja também: Fora do cotidiano: por que é importante ler livros infantis sobre realidades diversas?

Ilustrador: Régis Lejonc
Editora: Ameli
Faixa etária: 6 a 12 anos
7. Fechamos
Em 2 de setembro de 2018, um incêndio tomou conta do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Neste livro, os autores Gilles Baum e Régis Lejonc imaginam uma alternativa a esse acontecimento que resultou na perda de vários artefatos históricos e pesquisas.
Com um enredo que reúne suspense e provocações, esta história nos faz questionar a noção de História, quais artefatos são selecionados para contá-la e quem faz essa seleção. E ainda: que tipo de acesso o povo tem à sua própria história?

Ilustrador: Odilon Moraes
Editora: Companhia das Letrinhas
Faixa etária: 6 a 12 anos
8. Os invisíveis
Muitas vezes, passamos por pessoas sem, de fato, enxergá-las. O caixa do mercado, o porteiro, um colega de trabalho, um idoso na praça, uma pessoa em situação de rua… Este livro de Tino Freitas e Odilon Moraes convida as famílias a repensar essa invisibilidade por meio do protagonista: um menino que tem um superpoder — enxergar aqueles que ninguém mais parece ver.




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