Autismo infantil e o papel da leitura para as crianças

O que é autismo infantil e as principais características da criança com autismo

Dificuldade na fala, resistência em expressar os sentimentos e organizar as ideias e pouco contato visual. Essas são algumas das características do autismo infantil, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diagnosticada geralmente entre os dois e três anos, essa síndrome provoca alterações, sobretudo, na comunicação e sociabilização da criança. De acordo com Fabrícia Signorelli, psiquiatra e mestre em transtornos do neurodesenvolvimento, as apresentações clínicas dos transtornos do espectro autista podem ser muito variáveis. “Todas as pessoas com esse diagnóstico devem apresentar prejuízos significativos na forma como se comunicam, interagem e se comportam”, alerta.

Em relação aos problemas na comunicação e desenvolvimento da fala, podem variar de ausência total de conversação verbal e não verbal à fala com dificuldades na compreensão e na interpretação das informações. “Na maior parte dos casos, há dificuldades para manter diálogos e alteração na melodia e ritmo da fala”, revela.

Fabrícia conta que, mais recentemente, alterações sensoriais passaram a ser consideradas também como elementos importantes no quadro clínico.  Elas estão relacionadas a dificuldades, como manusear certas texturas, reagir de forma peculiar a determinados sons e muito receio com altura. Quanto ao comportamento, geralmente a síndrome se manifesta por rigidez, comportamentos repetitivos e pouco funcionais.

Veja também: Transtorno do Espectro Autista: isolamento exige adaptações de famílias

Amor e acolhimento são essenciais quando se trata de autismo infantil

O que é autismo infantil

Amor e acolhimento, como sempre, são as melhores soluções para que a trajetória de uma criança com autismo seja mais leve. Fabrícia vai além. “Os pais e cuidadores devem ser instruídos por profissionais que tenham conhecimento sobre os transtornos. Quando essa mediação por um especialista não é possível, é importante buscar orientação com o pediatra e os professores”, afirma a doutora.

Sempre que possível, a família deve também se inteirar sobre a vida escolar, além de intervenções de linguagem e comportamental. Importante também entender sobre direitos legais, em diferentes faixas etárias, como inclusão escolar e leis para ingressar no mercado de trabalho.

Dicas de leitura sobre autismo infantil

Autismo infantil e o papel da leitura para as crianças

O autismo causa algumas dificuldades no processo de alfabetização das crianças, sendo muito comum se deparar com impaciência nos momentos da leitura infantil. Por isso, é importante incentivá-las com histórias mais curtas e com figuras. “A escolha dos livros para crianças dependerá muito do foco de interesse dos pequenos com TEA, lembrando que elas muitas vezes apresentam interesses restritos sobre determinadas temáticas. Portanto, ressalto a importância de o livro ser composto por frases curtas e sem metáforas”, alerta a doutora. Vale lembrar que o nosso clube de leitura envia livros de qualidade literária para seus assinantes todos os meses e conta com uma curadoria feita por grandes especialistas como Ziraldo e Ana Maria Machado. Então, caso você esteja na dúvida na hora de escolher um livro para o seu pequeno, assinar o Clube Quindim pode ser a solução para você!

Para os pais e cuidadores, Fabrícia indica os livros Cem Dúvidas Sobre o Autismo, de José Salomão Schwartzman, Autismo – Um olhar a 360º, de Tatiana Serra, O Cérebro Autista, de Temple Grandin, e o Mundo Singular – Entenda o Autismo, de Ana Beatriz Barbosa Silva. Essas obras ajudam a entender a síndrome e a lidar com ela no dia a dia.

Veja também: O que é alteridade e empatia: quais são as diferenças e como ensinar esses conceitos aos pequenos

Mitos comuns sobre o autismo infantil

Mitos comuns sobre o autismo infantil

Diversos são os mitos relacionados ao autismo. Veja alguns:

  • Crianças com autismo não são afetivas: o que ocorre é que, devido aos prejuízos de percepção do estado mental das outras pessoas e dificuldade de perceber e expressar suas próprias emoções, indivíduos com a síndrome podem apresentar dificuldades em expressar sua afetividade.
  • Indivíduos com TEA grau leve geralmente possuem altas habilidades e inteligência acima da média: o que define o grau do autismo são os prejuízos da interação, comunicação verbal e não verbal, interesses restritos e repetitivos e nível de autonomia em diferentes domínios do desenvolvimento. Geralmente, indivíduos com autismo em grau leve não apresentam deficiência cognitiva, porém apenas uma pequena parcela deles apresentam altas habilidades (QI > 130).
  • Os transtornos do espectro autista estão relacionados a mães inafetivas: esse conceito está absolutamente descartado e não há qualquer fundamento.
  • Relação de vacinação com autismo: não existe conexão. De acordo com Fabrícia, essa dúvida ocorreu em razão de um artigo pseudo-cientifico, publicado em revista de alto impacto. O conteúdo relacionou a vacina MMR com uma inflamação intestinal com consequente “vazamento de substância tóxicas”, que chegariam ao sistema nervoso central favorecendo a ocorrência do autismo. Afirmações similares culpabilizavam o mercúrio, substância tóxica presente em algumas vacinas há muito tempo e que não é mais utilizado. Mesmo vários anos após a comprovação de que a pesquisa foi fraudada, muitos pais ainda temem vacinar seus filhos contra doenças que podem se apresentar de forma bastante grave.
  • Cura para o autismo: infelizmente, muitas promessas em relação a medicações e procedimentos estão vinculadas à cura dos transtornos do espectro autista. Até o momento, não existe nenhum tipo de tratamento que promova a cura do autismo. As intervenções comportamentais, de linguagem, motricidade são os caminhos mais efetivos para promover melhora dos prejuízos funcionais em diferentes fases do desenvolvimento.

Sobre Fabrícia Signorelli, colaboradora da matéria

Psiquiatra com ênfase em psiquiatria da infância e adolescência
Mestre em Transtornos do Neurodesenvolvimento
Pesquisadora e psiquiatra clínica no Laboratório de Transtornos do Espectro do Autismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Tea-Mack)
– Membro da Equipe do Ambulatório de Crianças Pequenas da UNICAMP
– Membro do Núcleo de Pesquisas do Ambulatório de Prematuros da UNIFESP, International Membership of American Academy of Child and Adolescent Psychiatry e Board Científico do Brazilian Institute of Practical Pharmacology
– Médica credenciada da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA)

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Pamela Fortes jornalista

PAMELA FORTES

Mulher preta, mãe do Davi, jornalista e pós-graduanda em Marketing. Atua na área de Comunicação há mais de 13 anos e seus principais interesses são pautas cujas perspectivas ajudam no combate ao racismo, ao machismo e à homofobia. Para tentar amenizar os impactos da pandemia, Pamela atuou, junto com seu marido e amigos, em ações sociais de entrega de cesta básica e de itens de higiene a moradores da periferia.