Alteridade e empatia: quais são as diferenças e como ensinar esses conceitos aos pequenos

Entenda as definições de alteridade e empatia e saiba como falar sobre isso com as crianças

Alteridade e empatia. Aqui estão duas palavras que, às vezes, são usadas de forma intercambiável. Mas que, na verdade, possuem significados diferentes, os quais precisam ser compreendidos para que a mensagem desejada seja transmitida da maneira certa.

Esses são dois conceitos fundamentais para a vida de todas as pessoas, especialmente na fase da infância, quando o caráter e a personalidade estão em formação. Justamente por isso, é preciso que os adultos entendam as definições e as suas diferenças para que compartilhem disso com os pequenos.

Neste artigo, o Clube Quindim te ajudará a entender o significado desses dois termos e a transmitir as ideias para as crianças mesmo sem ter que recorrer a um termo tão complicado para o vocabulário ainda em expansão dos pequenos!

O que é alteridade?

alteridade e empatia. Clube Quindim. O que é alteridade

A alteridade consiste em reconhecer o fato de que há pessoas e culturas únicas e diferentes. As quais pensam, agem, reagem, tomam suas decisões, compreendem o mundo e se comportam de maneira singular e subjetiva, em um processo que é apenas delas.

Uma ótima maneira de entender o que é alteridade é buscar a origem etimológica do termo, que deriva do latim alteritas, cujo significado é “ser o outro”. Isso deixa claro qual é o conceito que está por trás da palavra. Colocar-se no lugar de outra pessoa e entender que aquele é um ser único em suas características e decisões.

Buscar saber o que é alteridade na filosofia também é uma ótima opção. Afinal, o assunto foi desenvolvido mais a fundo pelo filósofo francês Emmanuel Levinas em uma série de dissertações entre 1967 e 1989. Elas foram reunidas no livro Altérité et transcendence (Alteridade e transcendência), publicado em 1995.

Nessa coleção, Levinas destaca o lugar que é dado ao outro indivíduo, em uma transcendência que ainda não foi abordada a fundo na filosofia. Portanto, a obra do autor é essencial para quem deseja aprender mais sobre o assunto.

O que significa empatia?

o que é empatia. Clube Quindim

Empatia, por sua vez, é um termo usado para descrever uma ampla gama de experiências. Pesquisadores no campo da emoção geralmente o definem como a habilidade de sentir as emoções de outras pessoas, aliada à habilidade de imaginar o que outra pessoa pode estar pensando ou sentindo.

Etimologicamente, temos o vocábulo grego pathos, que diz respeito a todos os sentimentos que uma pessoa pode ter (paixão, ira, tristeza e afins). No grego, a adição do prefixo syn- formava a palavra sympatheia, cujo significado é “sofrer juntos” ou, menos diretamente, compartilhar um sentimento.

Já com o acréscimo do prefixo en-, chegamos ao termo empatheia. Que significa justamente a capacidade que uma pessoa tem de se colocar no lugar de outra.

Pesquisadores contemporâneos geralmente diferenciam entre dois tipos de empatia: a afetiva e a cognitiva. Além disso, também existe o conceito da empatia somática, embora este seja um pouco menos comentado que os demais. O significado de cada uma delas você pode conferir abaixo.

Os tipos de empatia

  • Empatia afetiva: diz respeito às sensações e sentimentos que temos em resposta às emoções de outros. O que inclui tanto o “espelhamento” do que outra pessoa está sentindo quanto o fato de se sentir feliz quando detectamos a alegria e o bom humor do outro, por exemplo.
  • Empatia cognitiva: refere-se à habilidade de identificar e entender as emoções de outras pessoas. Como se olhássemos para as situações a partir da perspectiva do outro.
  • Empatia somática: é uma reação física, provavelmente baseada nas respostas dos neurônios-espelho, que acontece em nosso sistema nervoso somático.

Geralmente, quando se pesquisa ou fala sobre o que é empatia, os conceitos abordados são das duas primeiras definições. Ou seja, passa pela resposta que apresentamos às emoções de outros, ao reflexo dessas emoções ou ao fato de conseguirmos identificar e compreender o que os outros sentem.

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Portanto, qual é a diferença entre alteridade e empatia?

Ambos os termos versam sobre áreas correlatas, o que tende a criar alguma confusão em relação a eles, mas os significados exatos são um pouco diferentes.

Alteridade é conseguir reconhecer que o outro é daquele jeito apenas por ser diferente de você e, logo, ter comportamentos, emoções, reações, ações, enfim, uma essência diferente da sua. Enquanto empatia é conseguir se colocar no lugar de outra pessoa e sentir o que ela sente.

Podemos considerar, portanto, que empatia e alteridade são de fato parecidas e até complementares. Mas, enquanto a primeira passa pela reflexão do que o outro sente, a segunda trata mais do respeito pelo que o outro é simplesmente pelo fato de ser outra pessoa, mesmo sem que você sinta o que ele sente.

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Como ensinar sobre alteridade e empatia para crianças?

como ensinar alteridade e empatia para as crianças

O que devemos fazer é deixar bem claro para os pequenos que eles devem respeitar o outro, independentemente de quais sejam suas características, comportamentos ou preferências. Afinal, essa é uma questão particular e que diz respeito apenas a ele.

Sob a ótica da empatia, é importante mostrar à criança a importância de se esforçar para colocar-se no lugar da outra pessoa e, assim, sentir o que ela sente estando em sua pele. O que é diferente da criança ter o mesmo sentimento em seu coração e em sua mente.

Ao fazer isso, mostra-se o respeito à diversidade cultural, social, religiosa, étnica, biológica, racial e a qualquer outra diferença. Já que a criança entenderá que a plena compreensão do que o outro sente (ou o mais perto que se pode chegar disso) só pode ocorrer com a tentativa de colocar-se em sua pele.

Já sob o ponto de vista da alteridade, o processo é similar. Embora com a diferença de que o respeito deve acontecer sem motivo ou explicação. Mesmo sem se colocar no lugar da outra pessoa, deve-se entender que suas características, ações e reações são únicas e dignas de respeito por si só.

Além de tentar mostrar isso aos pequenos, com toda a ludicidade que deve permear seu ensino, também é essencial que os adultos demonstrem empatia e alteridade em seu dia a dia. Afinal de contas, o discurso sempre deve estar alinhado com a prática para que a importância do que se ensina realmente possa ser assimilada.

Alteridade e empatia são dois conceitos essenciais para a sociedade. Se fizermos com que as crianças entendam isso, estaremos no caminho certo. Rumo à construção de um mundo melhor, mais justo e que respeita o outro, seja quem ou como ele for. Vamos fazer a nossa parte — e os pequenos farão a deles!

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