Em meio a diferentes realidades e questões sociais tão complexas, como conversar com as crianças sobre temas que parecem distantes — ou até mesmo inexistentes — para quem não os presencia?

Segundo dados de 2024 da World Inequality Database (Banco de Dados Mundial sobre Desigualdade, em tradução livre), o Brasil figura entre os países mais desiguais do planeta, com uma das maiores concentrações de renda do mundo.

Junto disso, recortes geográficos, de raça, classe e gênero fazem parte das diferenças que atravessam as infâncias desde cedo. Como, então, explicar para as crianças que nem todos partem do mesmo ponto, enfrentam os mesmos dilemas ou recebem o mesmo suporte familiar?

8 livros para discutir questões sociais com as crianças_meio. Imagem do livro O nome do moço
Imagem do livro “O nome do moço“, de Márcia Leite e Bruna Lubambo. Foto: Rodrigo Frazão.

Nesse momento tão formativo, é importante que a criança cresça com uma visão de mundo crítica e empática, entendendo as nuances e desafios da sociedade em que vive. Mais do que isso, é importante dar voz para quem de fato vivencia esses contextos.

Pensando nisso, o Clube Quindim te convida a conhecer 8 livros infantis que podem ajudar as famílias a conversar sobre diferentes questões sociais com as crianças, respeitando o entendimento de cada faixa etária.

Direto do Instagram: Por que a maioria dos personagens de livros infantis ainda são de classe média?

Clube Quindim

vEJA OS LIVROS JÁ SELECIONADOS PELO cLUBE Quindim que ajudam conversar SOBRE questões sociais em família

Cinderela do rio (autoras Mafuane Oliveira e Taisa Borges, editora Peirópolis)
Escritora: Mafuane Oliveira
Ilustradora: Taisa Borges
Editora: Peirópolis
Faixa etária: 9 a 12 anos

1. Cinderela do rio

Para dar início às nossas dicas de livros para discutir questões sociais, trouxemos este livro de Mafuane Oliveira e Taisa Borges que apresenta uma releitura de um dos mais conhecidos contos de fadas de todos os tempos.

Embora o enredo traga elementos da história da Gata Borralheira, a obra traz reflexões importantes sobre os diferentes tipos de infância no Brasil e fala de uma realidade ainda encontrada diariamente, em todos os cantos do nosso país: crianças e adolescentes que deveriam estar estudando e brincando, mas estão em situações de trabalho análogo à escravidão.

O nome do moço (escritora Márcia Leite, ilustradora Bruna Lubambo, editora Joaquina)
Escritora: Márcia Leite
Ilustrador: Bruna Lubambo
Editora: Joaquina
Faixa etária: 3 a 5 anos

2. O nome do moço

Uma menina e sua mãe andam pela cidade quando, de repente, a criança avista um homem deitado na calçada, coberto por um plástico, somente com os pés para fora. Será que ele não tem uma casa? Não tem uma família? Qual será o nome dele? A criança tem muitas perguntas… Mas será que alguém tem as respostas?

O nome do moço, de Márcia Leite e Bruna Lubambo, é um livro que destaca o olhar de uma criança para uma situação de invisibilidade social. Quantas vezes ignoramos completamente a presença de alguém, igualzinho a nós, deitado no chão frio da calçada? 

Veja também: Nem toda história tem final feliz: por que as crianças precisam compreender isso

EuDeviaEstarNaEscola CapaTransparente e1748459272656
Autores: Muitas crianças moradoras de favelas da Maré
Organização: Ananda Luz e Isabel Malzoni
Editora: Caixote
Faixa etária: 6 a 12 anos

3. Eu devia estar na escola

Organizado por Ananda Luz e Isabel Malzoni, este livro reúne trechos de cartas e desenhos de crianças moradoras das favelas da Maré do Rio de Janeiro que vivenciam a violência das operações policiais que ocorrem na região. Eu devia estar na escola é uma obra dolorosa, revoltante e necessária para provocar questionamentos, indignação e adesão à luta por mudanças.

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Autor: Wagner Willian
Editora: Gengibre Editora
Faixa etária: 6 a 12 anos

4. Ninguém trabalha mais do que as operárias

As abelhas-operárias trabalham exaustivamente, enquanto a rainha vive uma vida cheia de privilégios. Cansada de ser explorada, uma abelha decide se rebelar. Será que ela conseguirá mudar o sistema desigual e opressivo da colmeia em que vive? Do escritor e ilustrador Wagner William, esta é uma obra que traz humor ao mesmo tempo que aborda questões sérias e necessárias, como a luta por direitos trabalhistas, melhores condições de vida e desigualdades sociais.

Gente de cor, cor de gente (autor Maurício Negro, editora FTD)
Autor: Mauricio Negro
Editora: FTD
Faixa etária: 3 a 12 anos

5. Gente de cor, cor de gente

Um livro de imagem, dezenas de cores de pele e sentimentos partilhados. Maurício Negro entra no debate para nos dizer, entre outras coisas, que as pessoas possuem várias cores e que diante da diversidade de emoções que a vida nos oferece, somos todos iguais. Parece óbvio, mas esta é uma leitura necessária para todo nós que vivemos num país com tantas heranças de preceitos europeus e de um regime escravocrata.

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Chupim CapaTransparente e1742503986431
Escritor: Itamar Vieira Junior
Ilustradora: Manuela Navas
Editora: Baião
Faixa etária: 6 a 12 anos

6. Chupim

Do mesmo autor de Torto Arado, um dos grandes romances contemporâneos da literatura brasileira, Chupim é uma obra marcada pelo lirismo e pela crítica social. Nesta obra, vamos conhecer uma família que trabalha numa plantação de arroz, onde as crianças desempenham um papel essencial: espantar as pragas para que não comam o arroz e prejudiquem a colheita.

De maneira sensível e singela, este livro de Itamar Vieira Junior e Manuela Navas, aproxima o leitor da realidade de muitas crianças, para que outras possam ter consciência das desigualdades do nosso país.

Veja também: Fora do cotidiano: por que é importante ler livros infantis sobre realidades diversas?

Fechamos (escritor Gilles Baum , ilustrador Régis Lejonc, editora Amelì)
Escritor: Gilles Baum
Ilustrador: Régis Lejonc
Editora: Ameli
Faixa etária: 6 a 12 anos

7. Fechamos

Em 2 de setembro de 2018, um incêndio tomou conta do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Neste livro, os autores Gilles Baum e Régis Lejonc imaginam uma alternativa a esse acontecimento que resultou na perda de vários artefatos históricos e pesquisas.

Com um enredo que reúne suspense e provocações, esta história nos faz questionar a noção de História, quais artefatos são selecionados para contá-la e quem faz essa seleção. E ainda: que tipo de acesso o povo tem à sua própria história?

Os invisíveis (de Tino Freitas e Odilon Moraes, editora Companhia das Letrinhas)
Escritor: Tino Freitas
Ilustrador: Odilon Moraes
Editora: Companhia das Letrinhas
Faixa etária: 6 a 12 anos

8. Os invisíveis

Muitas vezes, passamos por pessoas sem, de fato, enxergá-las. O caixa do mercado, o porteiro, um colega de trabalho, um idoso na praça, uma pessoa em situação de rua… Este livro de Tino Freitas e Odilon Moraes convida as famílias a repensar essa invisibilidade por meio do protagonista: um menino que tem um superpoder — enxergar aqueles que ninguém mais parece ver.