Em outubro, o Clube Quindim enviou para os seus assinantes ótimos livros infantis para leitura com os pequenos de todas as idades! Confira nossa lista e veja o que recomendamos para cada faixa etária.

Livros infantis para leitura com pré-leitores (0 a 2 anos)

em cima daquela serra
Escritor: Eucanaã Ferraz
Ilustradora: Yara Kono 
Editora: Companhia das Letrinhas

Em cima daquela serra

Neste livro, com muitas brincadeiras sonoras, descobrimos tudo o que podemos encontrar em uma serra, de boiada a pessoas que não fazem nada. A poesia é maravilhosa em qualquer fase da vida, mas, especialmente para os mais novos, pode apresentar novas palavras, sons e ritmos, aproveitando todo o potencial da linguagem, por isso ele é a primeira recomendação da nossa lista de livros infantis para leitura com os pequenos de 0 a 2 anos. Neste livro, por exemplo, há várias brincadeiras com os substantivos coletivos, como boiada e passarinhada, que talvez o pequeno esteja ouvindo pela primeira vez nesta leitura. Além disso, o texto usa diferentes palavras para se referir ao topo da serra, como crista e cocoruto, porém, no restante, mantém a repetição de uma mesma estrutura. Essa repetição ajuda a capturar a atenção dos pequenos, que vão esperar para ouvir mais uma vez aquela palavra, aquele som que lhes interessou.

Dino e Saura
Autor: Fernando Vilela
Editora: Brinque-book

Dino e saura

Como ver beleza e força em nossas diferenças? Neste livro, conhecemos dois dinossauros que, mesmo de cores diferentes, decidem passar seus dias juntos. Muitas vezes, quando olhamos para o outro, enxergamos com maior destaque as diferenças entre nós, e não as semelhanças. Como acontece neste livro, em que as oxalaias veem apenas suas cores diferentes, mas não tudo aquilo que as une: sua espécie, seus hábitos, sua forma de viver. Muitas pessoas enxergam o diferente como uma ameaça, e precisamos entender de onde vem esse medo. Treinar nosso olhar para perceber essas questões, e até desconstruí-las, é um exercício diário de alteridade e empatia, que inclui também um processo de autoaceitação. Afinal, o medo do diferente pode estar ligado a uma insegurança pessoal, uma percepção ruim de nós mesmos. É hora de abraçar tudo aquilo que nos une e apreciar também a força em nossas diferenças.

Veja também: Livros para bebês: 10 obras para ter em casa

Livros infantis para leitores iniciantes (3 a 5 anos)

Leotolda
Autora: Olga de Díos
Editora: Boitatá

Leotolda

Tuto, Catalina e Kasper vão visitar sua amiga Leotolda, mas não a encontram em casa. Partem então para uma viagem rumo à criatividade em busca de sua amiga, passando pelos locais mais inusitados e conseguindo ajuda de muitos personagens. Mais uma obra divertidíssima da consagrada autora espanhola Olga de Díos que vai encantar desde os pequenos até os mais velhos e, por isso, é uma das nossas escolhas dentre os livros infantis para leitura com os pequenos de 3 a 5 anos.

Quero ler meu livro
Autor: Koen Van Biesen
Tradutor: Cristiano Zwiesele do Amaral
Editora: Pulo do Gato

Quero ler meu livro

A hora da leitura pede um silêncio! Mas às vezes os vizinhos, os cachorros, nada colabora. Neste livro, em uma brincadeira com repetições e onomatopeias, o personagem acha uma forma de acalmar os ânimos da vizinhança para poder aproveitar seu livro. Ao ler este livro, logo percebemos que há algumas repetições e padrões em sua história. Começamos pedindo silêncio para não atrapalhar a leitura do vizinho, mas aí algo acontece para lhe perturbar, ele tenta resolver esse problema e então voltamos ao início. No período de introdução à leitura, esse tipo de estrutura é muito interessante, pois, por mais que talvez a criança não conheça ainda todas as palavras, ela percebe essas repetições, esses sons que acompanham toda a história.

Livros infantis para ler com leitores autônomos (6 a 8 anos)

juntos e misturados
Autor: Laurent Cardon
Editora: WMF Martins Fontes

Juntos e misturados

Um galo e uma galinha somem. Várias teorias aparecem. As galinhas brancas, pretas e ruivas formam um exército para marchar contra os culpados. Mas como elas podem se organizar? Quem irá liderar? Uma história cheia de referências à organização democrática da sociedade, com um final cômico e inesperado. 

Formação de um exército, reivindicação de direitos, discursos épicos, votações e mais votações… É no aspecto dramático que este livro encontra seu humor. Especialmente para nós, adultos, a organização política de galinhas é com certeza algo inesperado e cômico por si só, mas que torna esta obra um dos livros infantis interessantes para a leitura com crianças de 6 a 8 anos, pois nos permite refletir, junto dos pequenos, sobre vários aspectos da democracia. Além disso, o texto e as imagens de Laurent Cardon conseguem ir além, incorporam na história a comoção de um verdadeiro embate político e a luta pelo voto feminino, nos fazendo torcer pelas galinhas e enxergar as injustiças que elas sofriam até então. Você pode conhecer um pouco mais dessa obra que foi o nosso lançamento exclusivo em nosso artigo de livros sobre política para crianças.

um dia, um rio
Escritor: Leo Cunha
Ilustrador: André Neves
Editora: Pulo do Gato

Um dia, um rio

Repleta de poesia, Um dia, um rio é um livro sensível cujos versos homenageiam o Rio Doce e nos lembram da sua importância e da tragédia ambiental que atingiu suas águas no desastre de Mariana. Um dos autores deste livro, o ilustrador André Neves, diz que o poema de Leo Cunha chegou a ele como um grito de socorro tardio. E suas ilustrações de fato trazem a nós uma mistura de sensações, especialmente quando vemos a lama começar a ganhar o rio, em uma transição poderosa entre o verso “Eu era melodia…” e “Hoje sou silêncio”. É muito potente ver como o ilustrador capturou a angústia daqueles que viram a lama se espalhar. Com os povos ribeirinhos, por exemplo, representados pelos peixes que tentam escapar, levando o que podem consigo. Até que não sobra nada, além da memória do rio. E da esperança pelo rio que virá a ser novamente.

Veja também: 10 livros sobre política para apresentar aos pequenos

Livros infantis para leitura com leitores fluentes (9 a 12 anos)

A vida sem graça de Charllynho Peruca
Autor: Gustavo Piqueira
Editora: Biruta

A vida sem graça de Charllynho Peruca

Afinal, o que é uma vida sem graça? Tudo depende de quem conta e como conta, não é? Este é um livro cheio de humor que nos leva pelas ruas do centrão da cidade de São Paulo, revelando suas particularidades – e personagens característicos. Nesta obra, os personagens são muito verossímeis, poderíamos facilmente encontrá-los no mundo real. E, por serem assim, o jeitinho e a voz de cada um deles (e do próprio narrador, que também é personagem) podem revelar muitos preconceitos de nossa sociedade. No mundo, há muitos pessoas como as que encontramos nesta obra, com seus preconceitos, suas falhas, seus recortes de mundo, tal como todos nós. E, em uma obra literária, revelar o olhar de cada um deles, com seus preconceitos, pode nos ajudar a perceber essas questões tão sensíveis em nosso convívio.

livros para crianças de 9 a 11 anos: nem filho educa pai
Escritor: Wander Piroli
Ilustrador: Odilon Moraes
Editora: SESI-SP

Nem filho educa pai

Para encerrar a nossa lista de livros infantis para leitura com pequenos de 9 a 12 anos, temos a obra tocante Nem filho educa pai. Nela, quando a conhecida pergunta “podemos ter um bichinho?” começa a ganhar as conversas em família, chega um cabrito para ser cuidado até a ceia de Natal. Mas o pequeno cria um vínculo com ele, gerando uma situação que revela grandes questões naquela relação entre pai e filho. Um conflito entre o encantamento da infância e a autoridade do pai. Quando a criança é vista como o futuro, um vir a ser, e não como indivíduo e sujeito da própria história, é comum o equívoco de tratar os pequenos de forma idealizada e ingênua, nos baseando em memórias recortadas de uma infância que não existe mais ou em nossa percepção do que seria melhor, sem ouvir a criança. É o caso desta história, em que o personagem tenta falar com o pai, mas não consegue estabelecer um diálogo em que seja de fato ouvido, compreendido. O pai chega a dizer que o menino precisa “aprender a respeitar a vontade dos outros”. Mas será que a vontade dele uma vez foi ouvida? Foi considerada? A criança vive o presente e é um sujeito, não um futuro.

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