O que é internetês? Será que o uso de gírias de internet pode prejudicar a alfabetização dos pequenos? Você sabe o que é internetês ou netspeak? É bem provável que já tenha se deparado com esse termo alguma vez nas redes sociais, nos noticiários ou em alguma página da internet. Mas nem sempre sabemos exatamente o que quer dizer. Conhecer mais sobre esse tema é muito importante, já que muitas pessoas ficam preocupadas que isso possa prejudicar o processo de aprendizagem das crianças. Ou mesmo fazer que elas assimilem conceitos errados, o que traria consequências no futuro. Continue conosco para entender o que significa netspeak e quais são suas reais implicações para a vida das crianças.

O que é internetês?

Também chamado de netspeak no inglês, são simplesmente as gírias de internet. Ou seja, aquelas abreviações que estamos tão acostumados a usar nos aplicativos de mensagens, redes sociais e e-mails. O “você” vira “vc”, o “que” vira “q”, o “teclar” vira “tc” (embora essa seja mais antiga, de fato), o beleza vira “blz” e por aí vai. É bem difícil definir quando as gírias da internet passaram a existir. Afinal, o primeiro uso de muitos termos pode ter antecedido o próprio desenvolvimento do Google, que é nossa fonte de pesquisa para os mais variados assuntos nos dias de hoje. Um artigo do PCWorld  fala um pouco sobre alguns jargões que foram desenvolvidos antes mesmo da internet, com os quadros de avisos das faculdades, onde várias outras expressões podem ter surgido a partir da década de 1980. Curiosamente, inclusive, um post do The New York Times  mostra que a transcrição de uma citação de Abraham Lincoln no próprio NYT, datada de 1862, pode ter sido uma inspiração para o desenvolvimento do uso de emoticons, pois nela consta um “😉”, o que hoje é popularmente reconhecido como uma piscada. Veja também: Os perigos do uso de tablets, celulares e telas por crianças

Por que o internetês é utilizado?

Basicamente, para poupar tempo e/ou caracteres na hora de digitar. Se formos analisar o conceito de comunicação, veremos que o objetivo é trocar informações entre dois ou mais interlocutores por meio de signos e regras semióticas mutuamente entendíveis. Este conceito não fala especificamente sobre seguir a todas as regras gramaticais de um idioma. Se as duas partes conseguem se entender, então a comunicação é válida. Isso torna o internetês bem aceito em nossa sociedade atual. Já que o uso de tais termos é cada vez mais comum, o que acompanha, inclusive, o crescimento e a popularização da internet. Em relação a poupar caracteres, podemos tomar como exemplo o Twitter, que tinha a limitação de 140 caracteres por tweet até 2017, quando este número dobrou e passou a ser de 280. Ainda assim, porém, é preciso “medir as palavras” (literalmente) para poder se comunicar. De acordo com uma pesquisa do portal Statista, havia 330 milhões de usuários mensais ativos no Twitter em todo o mundo no primeiro trimestre de 2019. Número bastante significativo e que mostra que essa rede social tem um impacto importante sobre a sociedade. Entre os exemplos de internetês na sociedade, podemos olhar também para o tradicional Oxford English Dictionary. Com mais de 150 anos de história, acrescentou o termo LOL entre seus vocábulos. Esses são apenas alguns exemplos que mostram que as abreviações e gírias da internet são comuns em nossa sociedade e devem crescer cada vez mais. Veja também: Estamos conectadas demais? Benefícios e consequências do excesso de tecnologia

O netspeak atrapalha no aprendizado das crianças?

Se o assunto for abordado de uma forma tranquila e bem explicada, não, mas é preciso ter cautela. Afinal, é inegável que a internet esteja crescendo cada vez mais, o que torna o uso de gírias da internet também maior, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa do Pew Research Center, de 2008, mostrou que 85% dos jovens de 12 a 17 anos usam, pelo menos de vez em quando, alguma forma de comunicação eletrônica pessoal, como mensagens de texto, e-mails, mensagens instantâneas ou comentários na internet. 50% afirmam que às vezes usam um estilo informal de escrita ao invés da capitalização e pontuação tradicional em suas atividades escolares. 38% dizem que já usaram abreviações em trabalhos escolares, como “LOL”, e 25% já usaram emoticons nas mesmas situações. Isso já é um pouco preocupante e mostra que as gírias da internet em inglês (e em todos os idiomas, na verdade) precisam ser encaradas com seriedade para ajudar no processo de alfabetização dos pequenos. É difícil impedir completamente seu uso pelas crianças e jovens, especialmente na internet, que tanto preza pela agilidade na comunicação (e onde, inclusive, muitos adultos se comunicam dessa forma), mas é importante mostrar que isso é informal e “linguisticamente errado”, digamos assim. Não tem problema em mandar uma mensagem para um amigo ou para os pais pelo WhatsApp perguntando se “vc pode me ajudar com aquela matéria?”, mas o uso desses termos deve ser evitado quando se trata de algo sério. Mesmo no ambiente virtual, como nas aulas on-line na quarentena, por exemplo, é preciso manter a formalidade na medida do possível. Mesmo na internet, seguir as regras de gramática e ortografia neste e em outros casos é importante. Ao mesmo tempo, também não podemos condenar completamente essa prática, que é tão comum na sociedade, e torná-la uma espécie de “tabu” para as crianças. Saber o que é internetês é importante também para os pequenos, e o papel dos pais e educadores é mostrar quais são as aplicações em que isso pode ser usado sem maiores problemas. Esse é um desafio para “vc”, para mim e para “tds” nós em um mundo cada vez mais conectado e impactado pela tecnologia.
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