Quais os impactos psicológicos do uso de redes sociais pelos jovens?

Neste artigo, a jornalista Pamela Fortes escreve para o Clube de Leitura Quindim sobre os impactos psicológicos do uso de redes sociais pelos jovens.

O mundo está mais conectado do que nunca. Com a pandemia, o uso dos aparelhos eletrônicos se intensificou ainda mais. Cerca de 90% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos está nas redes sociais. Se por um lado esse cenário é positivo, sobretudo em momentos de aulas on-line, por outro, acende um sinal de alerta muito importante em relação ao impacto da internet na vida de crianças e jovens.

Os perigos da internet

Você sabe quais são os impactos psicológicos do uso de redes sociais pelos jovens? O Quindim te conta os pontos positivos e negativos!

As inúmeras redes sociais podem até parecer espaços seguros, dado que as crianças e adolescentes estão fisicamente em casa, às vezes sob vigilância dos pais, mas podem representar um lugar solitário, perigoso e viciante. Esse ambiente mostra uma vida irreal em quase todos os sentidos.

Fotos sempre muito lindas, viagens perfeitas, pessoas com a “vida ideal”. Isso faz que jovens se comparem o tempo todo com o outro. O que esse sentimento é capaz de desencadear é muito perigoso. Inferioridade, tristeza, ansiedade e depressão infelizmente fazem parte da realidade de muitos adolescentes devido a esse mundo subjetivo.

Veja também: Netspeak. O que é o internetês e como ele influencia o aprendizado das crianças

O que dizem os estudos

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Com base em informações do Ministério da Saúde, a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) realizou um estudo que traz um dado alarmante: entre 2000 e 2015, a morte por suicídio entre crianças de 10 e 14 anos aumentou 65%. Nos adolescentes de 15 a 19 anos, o crescimento desse triste dado foi de 45% nesse período.

Como mudar, então, esse cenário? Comece entendendo o tempo adequado para cada faixa etária ficar em frente às telas.  De acordo com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças de zero a dois anos não devem ter acesso a nenhum tipo de tela. Já entre dois e cinco anos, esse contato deve ser de, no máximo, uma hora por dia. De seis a 10 anos, a recomendação é entre uma e duas horas. E, entre 11 e 18 anos, os adolescentes podem ter acesso às telas por, no máximo, três horas, intercalando esses período com as telas e equilibrando-o com outras atividades, como exercícios físicos.

Seus filhos estão seguindo essa orientação? Um estudo realizado em 2019 do AppGuardian, aplicativo de controle de mães e pais, revelou que crianças entre cinco e 15 anos ficam, em média, 5,7 horas por dia com o celular, de segunda a quinta-feira. O número aumenta aos finais de semana, com média de 6,9 horas. Jogos e redes sociais são os que mais gastam o tempo da criançada e adolescentes.

Em 2019, um estudo da Royal Society for Public Health (RSPH), organização de saúde pública do Reino Unido, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, revelou que o uso das redes sociais entre os jovens pode causar danos ou ter um efeito positivo – depende muito da forma como são utilizadas e quais as plataformas escolhidas. O YouTube aparece como uma ferramenta positiva. Já o Instagram e o Snapchat estão entre os vilões da saúde mental dos jovens. Essas redes dão muita ênfase à imagem, um indício que pode estar relacionado à ansiedade e à sensação de inadequação entre os jovens.

Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados que utilizam essa rede de compartilhamento de fotos se sentiram pior quando o assunto foi a autoimagem. Em um recorte de análise apenas das meninas, esse número aumentou para 90%. O reflexo disso se dá no impacto negativo do sono, distorção da autoimagem e aumento do medo de ficar por fora das novidades do mundo virtual. Estudos como esse refletiram na plataforma Instagram, que ocultou, em 2019, o número de curtidas das fotos.

O fato é que, nas redes sociais, há a inevitável comparação, seja corporal ou de estilo de vida. O resultado é o que inúmeros estudos comprovam: o aumento da ansiedade e de sintomas de depressão.

Veja também: Internet segura. A importância de acompanhar a atividade dos pequenos na internet e os jogos online

Os impactos psicológicos do uso de redes sociais pelos jovens são apenas negativos?

Você sabe quais são os impactos psicológicos do uso de redes sociais pelos jovens? O Quindim te conta os pontos positivos e negativos!

Há muitos problemas em torno das redes sociais, sim, sobretudo quando o uso é excessivo e acontecem ataques cyberbullying. Mas existe o lado positivo. Esse estudo da Royal Society For Public Health traz uma camada otimista, sobretudo em jovens que já sofrem com algum problema na saúde mental. Eles relataram encontrar uma oportunidade de troca de experiência com outras pessoas. Segundo a pesquisa, cerca de 70% dos adolescentes tiveram algum apoio nas redes sociais quando passaram por momentos difíceis.

O ideal, portanto, é fazer o uso consciente das redes sociais. Aos pais, vale sempre observar o tempo gasto em frente às telas. Que tal sugerir novas rotinas, horários e regras sobre o uso de eletrônicos? Dias sem conexão, proibição de celular na hora das refeições e orientação para que jovens não se isolem dentro de quartos vivendo apenas a vida virtual são alguns caminhos promissores. O adulto precisa também se autoavaliar e entender se está fazendo o uso racional dos aparelhos eletrônicos, servindo como exemplo a seus filhos.

A qualquer sinal do jovem de ansiedade ou outro tipo de transtorno, é importante procurar orientação psicológica. Fique sempre de olho nos comportamentos de seus filhos e seja você um ponto de apoio em qualquer momento e situação.


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Pamela Fortes jornalista

PAMELA FORTES

Mulher preta, mãe do Davi, jornalista e pós-graduanda em Marketing. Atua na área de Comunicação há mais de 14 anos e seus principais interesses são pautas cujas perspectivas ajudam no combate ao racismo, ao machismo e à homofobia. Para tentar amenizar os impactos da pandemia, Pamela atuou, junto com seu marido e amigos, em ações sociais de entrega de cesta básica e de itens de higiene a moradores da periferia.