A pele é o maior órgão do corpo humano e devemos ter bastante cuidado com ela. Nesse sentido, o vitiligo em crianças é uma questão delicada, já que a doença envolve não apenas questões físicas mas também aspectos emocionais e psicológicos.

Tudo começa com manchinhas brancas na pele que podem ir aumentando de tamanho, e isso já começa a causar preocupação nos pais. Segundo um estudo feito por dermatologistas, o vitiligo atinge apenas 1% da população e, dessa porcentagem, de 23% a 26% dos casos são em crianças com menos de 12 anos.
Ainda não se sabe exatamente o que causa o vitiligo, mas há evidências de que se trata de uma doença autoimune — em que as células de defesa do organismo atacam os tecidos. No entanto, também podem haver outras influências para o aparecimento das manchas.
Neste artigo, entenda um pouco mais sobre o vitiligo em crianças e aprenda a identificar e tratar a doença da maneira correta.
O que é vitiligo?
O principal sinal do vitiligo é a despigmentação da pele, que provoca o aparecimento de manchas brancas. A doença é considerada um distúrbio dermatológico crônico, ou seja, que ainda não há cura e que acompanha a pessoa por toda a vida.
Até o momento, os estudiosos acreditam que o vitiligo é uma doença autoimune, onde o próprio organismo destrói os melanócitos, que são as células que produzem melanina no corpo e dão cor à pele — por esse motivo, as manchas que surgem são brancas.
Normalmente, a doença aparece em crianças a partir dos 3 anos, mesmo que possa ocorrer em diferentes faixas etárias. Contudo, o aparecimento do vitiligo pode variar, e nos pequenos é mais comum que as manchas sejam focais. Dessa forma, surgem uma, duas ou outras manchinhas em determinada região do corpo.
Existem dois tipos de vitiligo, e você poderá descobrir mais sobre eles a seguir.
Vitiligo segmentar
Também chamado de vitiligo unilateral, o vitiligo segmentar é caracterizado por acometer apenas uma parte do corpo e geralmente aparece na juventude. Esse tipo se espalha com rapidez, mas também é mais estável e constante que o não segmentado.
Nas crianças, o vitiligo segmentar representa cerca de 30% dos casos e está mais presente em áreas da pele que são ligadas aos nervos, pois surgem nas raízes dorsais da coluna vertebral. Uma de suas principais características é que não é simétrico, mas que responde muito bem aos tratamentos tópicos.
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Vitiligo não segmentar

É o tipo mais comum e as manchas se manifestam igualmente nos dois lados do corpo, com certa simetria. Além disso, as manchinhas brancas aparecem mais em partes do corpo que ficam expostas ao sol, como:
- Braços;
- Mãos;
- Pernas;
- Pés;
- Rosto (boca, nariz, olhos, testa).
Mesmo que essas sejam as áreas mais comuns, o vitiligo também aparece em regiões como a virilha e na região genital. O vitiligo não segmentar é dividido em 4 subcategorias:
- Generalizado: que não afeta uma área específica ou tem padrão no tamanho das manchas;
- Mucosal: aparece ao redor dos lábios e outras mucosas;
- Universal: é o mais raro e atinge a maior parte do corpo;
- Acrofacial: atinge os dedos dos pés e das mãos;
- Focal: são poucas manchas dispersas que ficam apenas em uma região.
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Quais as causas da doença?

Por ser uma doença que ainda não está totalmente esclarecida, os fatores que desencadeiam a condição ainda não estão evidentes. Entretanto, já se sabem pontos que influenciam na despigmentação da pele. Alguns que podemos destacar são:
- Desequilíbrio genético que influencia na idade em que a doença surge, a regulação dos autoanticorpos, a biossíntese da melanina e outras questões;
- Exposição a produtos químicos;
- Danos causados por queimaduras ou ferimentos;
- Hereditariedade;
- Estresse emocional (luto, traumas etc.);
- Uso de medicamentos.
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Como identificar vitiligo em crianças?
Não é preciso ter tanta atenção ou esforço para identificar vitiligo nos pequenos. Muitas doenças são um pouco mais difíceis de reconhecer porque as crianças não conseguem informar o que estão sentindo. No caso do vitiligo, é só observar o aparecimento das manchas brancas na pele.
Portanto, esse é o principal sintoma do vitiligo: manchas esbranquiçadas na pele. O aparecimento é mais comum em áreas que são expostas ao sol, pois o bronzeamento destaca a área despigmentada, que tem a aparência mais pálida. Com o passar do tempo, a tendência é que fique mais branco e, dependendo do tipo de vitiligo, a mancha pode se espalhar.
O formato das manchas são irregulares e as bordas podem apresentar uma coloração avermelhada, que fica um pouco inflamada e coça. Não há outros sinais mais evidentes, como desconforto ou ressecamento, e é por isso que se deve ter ainda mais atenção às manchas que surgem.
O vitiligo é fotossensível, o que significa que as regiões afetadas são mais sensíveis à luz, sobretudo a solar.
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Como fazer o diagnóstico da doença?
Assim como no aparecimento de qualquer outro sintoma durante a infância, o vitiligo precisa ser diagnosticado por um médico.
Para isso, a criança precisa ser analisada por um dermatologista que fará um exame utilizando uma luminária especial que emite raios ultravioletas para definir a lesão e verificar a perda de pigmento. Essa é uma etapa importante, principalmente para identificar manchas que não são tão visíveis, sobretudo em crianças com tons de pele mais claros.
Outra alternativa é a realização de biópsia e também exames de sangue para que seja feita a verificação dos níveis de vitaminas e hormônios. O profissional também fará uma avaliação do histórico de saúde da criança, bem como exames físicos para avaliar as manchas.
Por mais que o principal sintoma do vitiligo seja o aparecimento de manchas brancas, o diagnóstico de vitiligo deve ser feito com bastante cuidado. O médico precisa avaliar para fazer o descarte de outras doenças que têm o mesmo tipo de manifestação, como o pano branco (pitiríase versicolor).
Quais são os tratamentos indicados para essa condição?

Por mais que o vitiligo seja uma doença, a sua maior dificuldade está ligada à questão estética. Nem todas as pessoas sabem que a condição não é contagiosa e que não apresenta risco para outras crianças, o que, infelizmente, pode tornar a criança com vitiligo um alvo de preconceitos.
São diversos tratamentos que podem diminuir a visibilidade das manchas por meio do controle da doença e a estimulação do crescimento de melanócitos.
Entre os tratamentos que podem ser realizados estão a prescrição de remédios, exposição à luz ultravioleta e outros.
- Tratamentos tópicos: a aplicação de cremes que têm derivados de cortisona, corticosteroide, calcipotrieno e outros elementos costumam ser efetivos para tratar o vitiligo;
- Aplicação de raios UVA e UVB: a exposição a lâmpadas ultravioletas é feita após o paciente tomar uma droga fotossensibilizante e os resultados desse tratamento são bastante satisfatórios — contudo, não é recomendado para crianças com menos de 10 anos;
- Cirurgia: a intervenção cirúrgica é uma opção para quando os outros tratamentos não tiveram sucesso. A cirurgia é como um transplante de pele, em que são feitos enxertos de pele ultrafinos para cobrir áreas com vitiligo.
Como prevenir que as manchas se alastrem na criança?
Além de ter o diagnóstico correto e iniciar o tratamento dermatológico indicado pelo médico, é recomendável que seja aplicado um protetor solar para pele infantil com frequência.
Outro ponto de extrema importância é fazer acompanhamento psicológico, pois as manchas do vitiligo podem afetar a autoestima da criança e esse estresse também pode agravar o quadro da despigmentação — ou seja, é um ciclo. Por isso, a conversa com psicólogo ajuda nos aspectos emocionais, que reduz o risco das manchas se espalharem.
Como a doença não tem cura, o melhor caminho tomar todos os cuidados para evitar a piora. O vitiligo em crianças é mais comum do que em adultos, e é preciso agir desde os primeiros sinais para que a condição seja controlada. Dessa maneira, a criança passa a ter uma infância de maior qualidade.
Às vezes a infância é um período com algumas adversidades, mas também muito prazerosa e cheia de aventuras.
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