Relações na quarentena: veja 7 formas de cuidar delas

Além de provocar mudanças na rotina de pais e filhos, o isolamento social exige um olhar atento para emoções e relações na quarentena.

O surgimento de uma pandemia, como a da Covid-19, possibilita novos olhares sobre as relações humanas. Abraçar, tocar e se encontrar com as pessoas que amamos se resumem agora a conversas mediadas por uma tela, já que, durante a quarentena, as organizações de saúde recomendam permanecer em casa e limitar o contato físico entre os moradores. As videochamadas estão mais frequentes e até aniversários são comemorados por meio de aplicativos de reuniões on-line. E assim tentamos levar as nossas relações na quarentena.

Neste momento, é preciso que cada família entenda como pode lidar melhor com as relações na quarentena – entre casais, entre pais e filhos e com parentes e amigos. Ou seja, não existe receita pronta. É o que afirma a psicóloga Mônica Soutello, especializada em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora da Clínica Miosótis – Núcleo de Desenvolvimento Humano. Em conversa com o Clube Quindim, ela deu algumas dicas para ajudar a manter as relações sociais e garantir o bem-estar.

Veja também: Como a falta de diálogo familiar pode nos afetar

Como cuidar das suas relações na quarentena

1. Mantenha contato com pessoas do seu círculo familiar e com seus amigos

Busque manter a frequência no contato com pessoas queridas que você conversa normalmente. “Na pandemia, muitas vezes a frequência do contato aumenta, por causa da preocupação com entes queridos. Mas é fundamental que esse contato não deixe de existir, não apenas com os parentes, mas com amigos”, explica a psicóloga Mônica Soutello. Também é preciso observar as próprias necessidades, por isso, quanto mais sentir vontade de falar com essas pessoas, maior deve ser esse contato, se possível.

2. Não se esqueça de observar as próprias emoções

Assim como o diálogo, é importante olhar para dentro. “Cuidar do próprio bem-estar físico e emocional é fundamental para cuidar do outro”, afirma a psicóloga. Então, uma das vantagens deste momento é ter tempo para refletir como a quarentena nos afeta individualmente, sem deixar o pessimismo tomar conta. “Como o sentimento de finitude está mais próximo, a tendência ao pessimismo é maior. Busque não se entregar aos pensamentos destrutivos e procure encontrar formas de se energizar e focar no presente” orienta a especialista.

3. Crie uma rotina de momentos entre a família

A rotina é essencial para que a família consiga se organizar. Você pode, então, manter horários parecidos com os que ocorriam antes do isolamento. Por exemplo, se a criança estudava à tarde, esse é o melhor horário para fazer as atividades da escola. Almoços e jantares são uma ótima oportunidade para estarem todos juntos. Por isso, tentem fazer as refeições no mesmo horário, com possibilidade de conversar sobre o dia de cada um e contar histórias. Comemorações, como aniversários de adultos e crianças, também podem ser feitas no mundo virtual, neste momento. Esses rituais são importantes para criar laços e memórias para a família, principalmente para os pequenos. 

4. Faça atividades com as crianças

Mesmo que durante a semana seja difícil conciliar as brincadeiras com o próprio trabalho, inclua uma rotina de brincadeiras com seus filhos. Por isso, abaixo, seguem indicações de alguns materiais com dicas de atividades para as crianças. “Esse tipo de exercício faz com que a criança se perceba e fale sobre os seus próprios sentimentos. Muitas vezes ela sente falta do contato, mas não consegue se expressar como um adulto. Então, em atividades como essa, incluindo a leitura, há espaço para esse tipo de conversa”, detalha Mônica.

5. Incentive o contato dos seus filhos com amiguinhos e familiares

É importante que seu filho converse com as pessoas com quem tinha contato próximo, pois isso ajuda a elaborar sentimentos, inclusive o da falta. Caso a criança seja pequena e fique sensível após as conversas por vídeo, essa é a oportunidade de os pais acolherem esse sentimento. “Pode ser feito de uma forma lúdica, por meio da leitura de um livro ou mesmo criando uma história, em que o personagem sinta falta dos amiguinhos, por exemplo. Isso ajuda a criança a elaborar o que sente. É importante que ela enfrente as dificuldades e aprenda a lidar com essa situação da melhor forma”, ressalta a psicóloga.

6. Cuidado com o tempo de exposição ao assunto da pandemia

Dentro de casa, é possível que as conversas fiquem bastante voltadas à Covid-19. Por isso, é essencial equilibrar essas conversas – e a exposição às informações e notícias – com outros assuntos, ou mesmo com filmes, jogos e outras atividades. “Os pais devem equilibrar o uso da tecnologia com atividades lúdicas, para despertar criatividade, e tentar criar brincadeiras com os materiais que têm em casa”, afirma a especialista. Além disso, durante as conversas telefônicas, o ideal também é não se limitar ao assunto da pandemia.  

7. Lembre-se: vai passar

Ao acompanhar a experiência da Covid-19 em outros países, onde a doença chegou primeiro, é possível enxergar não apenas as dificuldades vividas, mas também um horizonte de esperança. “Mesmo sabendo que a saída do isolamento será aos poucos e que haverá restrições, essa sensação de que vai passar alegra o coração, porque sabemos que em breve estaremos mais próximos. Isso deve fazer com que a gente valorize mais os contatos. Essa é uma maneira de se olhar de forma positiva para este momento”, finaliza a psicóloga.


Tatiana Lazzaroto

Tatiana Lazzarotto é jornalista, escritora e feminista. Atualmente é mestranda em Estudos Culturais na Universidade de São Paulo (USP). É formada em Comunicação Social-Jornalismo e Letras-Português, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e especializada em Mídia e Política e Atores Sociais pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Também é Promotora Legal Popular (PLP), formação em direitos das mulheres da União de Mulheres de São Paulo. Natural de Santa Catarina e radicada em São Paulo-SP desde 2011, é apaixonada por plantas e por cachorros, especialmente Gabo e Mercedes. Acredita no poder transformador da educação, das palavras e dos novos olhares.