Você utiliza palavras capacitistas?

Você sabe o que é capacitismo? E que existem palavras capacitistas? O Clube de Leitura Quindim convidou a jornalista e pós-graduanda em Marketing Pamela Fortes, que atua para desconstruir preconceitos como o racismo, o machismo e o capacitismo, para explicar por que você deve excluir esses termos do seu vocabulário.

Um dos principais cuidados que precisamos ter no dia a dia é com a fala. Afinal, nossas expressões podem ser carregadas de preconceito e de expressões capacitistas – termo referente à discriminação de pessoas com deficiência (PCDs) ou neurodivergentes (NDs). Por aqui, cerca de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, o que equivale à aproximadamente 25% da população do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Mas, ainda em pleno 2021, há muito preconceito e falas que inferiorizam PCDs ou NDs. O Clube Quindim pesquisou algumas expressões comuns que trazem essa conotação discriminatória e faz, mais uma vez, um convite à reflexão e eliminação dessas falas. Esse é apenas um passo em busca de uma sociedade com mais equidade e verdadeiramente plural.

Palavras capacitistas para excluir do seu vocabulário

  • Doido(a), maluco(a): palavras que são muito faladas no dia a dia, mas que remetem a pessoas que sofrem alucinações ou delírios. Esses termos são formas pejorativas de se referir a pessoas com doenças psíquicas e, portanto, não devem ser utilizados.
  • Retardado(a), débil mental: usadas como ofensas, essas palavras têm relação com problemas cognitivos e intelectuais. Portanto, têm teor discriminatório e devem ser eliminadas do vocabulário.
  • Cretino(a): palavra que vem do cretinismo, uma deficiência mental causada pelo hipotireoidismo congênito. Mais uma vez, a expressão é falada em tom de ofensa e não deve ser dita, por ser capacistista.
  • Mongol: usada de forma negativa, associada de maneira discriminatória a características físicas de pessoas com síndrome de Down.
  • “Não dá uma de João sem braço”: mais uma expressão muito comum, mas que carrega preconceito por se tratar de pessoas com deficiência física. Nesse sentido, também há a fala dita geralmente no mundo corporativo: “nossa equipe está sem braço” para cumprir determinada tarefa. Ambas são capacitistas e podem ser substituídas facilmente por outras expressões sem teor discriminatório.
  • “Nossa, que mancada”: termo relacionado a uma atitude ruim de uma pessoa, porém, faz referência pejorativa de pessoas com dificuldade motora.
  • Histérico(a): aqui, há um problema duplo na expressão. Ela é capacitista, por remeter à histeria, tipo de neurose relacionado normalmente à ansiedade. Além disso, o termo é misógino, um diagnóstico comum dado à mulher que, tempos atrás, não aceitava seu papel imposto pela sociedade. Qualquer comportamento que fugisse a esse padrão era considerado “histérico”.
  • “Esse lugar parece um hospício”: com teor discriminatório, a fala tem relação a lugares ou espaços bagunçados, com muito barulho, agitação e pessoas irritadas.
  • Está surdo(a), está cego(a): expressões usadas com a intenção de ofender e estão relacionadas às condições de pessoas com comprometimento da audição ou da visão.

Essas são apenas algumas expressões capacitistas que precisam ser revistas urgentemente e eliminadas do vocabulário. Para além da fala, é preciso entender que há também atitudes agressivas a PCDs e NDs. A falta de acessibilidade entra nesse tema também, afinal, um local que não permite a locomoção adequada de todos é, no mínimo, excludente e carrega, sim, preconceitos a pessoas com deficiência. Cada um de nós precisa assumir esse compromisso de combater a discriminação. E isso começa dentro de casa, com nossos familiares e amigos. Reflita sobre as falas, atitudes e ajude na mudança. Uma sociedade inclusiva, plural e respeitosa é o desejo de todos, claro, mas é preciso agir agora. Vamos nessa?