Leitura na infância: 5 mitos para desconstruir já

O que você considera quando escolhe um livro para uma criança? A quantidade de ilustrações? A quantidade de texto? O número de páginas? Muitas dessas ideias são mitos da leitura na infância que acabam por nos confundir e impedir as crianças de entrarem em contato com histórias fascinantes. Aqui no Clube Quindim, é comum recebermos dúvidas de familiares que reproduzem essas questões. Então, para desfazer equívocos e seguir disseminando o melhor da literatura infantil entre os pequenos, separamos alguns desses mitos sobre leitura na infância a seguir:


1. Quem lê rápido lê melhor

Vivemos em um mundo que nos pressiona a entregar produtividade em todas as áreas, e não seria diferente com a leitura. É comum que as pessoas tenham uma expectativa sobre si ou sobre as crianças de que sua performance de leitura seja “boa” baseado na quantidade de livros lidos, na velocidade com que se lê. É importante lembrar, contudo, que cada pessoa e cada criança terá um ritmo de leitura. O essencial é que essa leitura possa ser proveitosa, que o leitor tenha condições de assimilar e interpretar e, principalmente, curtir, independentemente do tempo que leve para isso.


2. Livros com pouco texto são para crianças pequenas

Associar a capacidade de leitura de uma criança ao volume de texto é um equívoco. Há textos curtos de livros considerados infantis extremamente complexos, com muitas alegorias e estruturas de frases que pedem alta fluência leitora – e chegam a ser inacessíveis mesmo a leitores mais maduros. Há livros enormes, porém, com grande volume de página, que não apresentam dificuldade de vocabulário, de estrutura de frase e de figuras de linguagem. Por isso, ler um livro de 300 páginas não significa que a criança é uma leitora mais competente do que a que leu um livro de 50.


3. Livros mais complexos são para crianças mais velhas

Associar a capacidade de leitura de uma criança estritamente de acordo com sua idade pode ser um equívoco. Afinal, como dissemos, cada criança terá uma performance de leitura, um tempo, um gosto, um repertório e uma relação diferente com cada livro. Hoje, sabe-se da importância de individualizar o ritmo dos pequenos, tanto que o processo de alfabetização, por exemplo, não é mais imposto a uma certa idade, mas é uma etapa que se desenvolve com os anos, e que se espera ter conquistado até os 9 anos.

Porém entendemos também a dificuldade dos pais em identificar a competência leitora dos filhos. Afinal, com dupla, tripla jornada de trabalho, não podemos ser especialistas em tudo. Por esse motivo, o Clube Quindim fez indicações de livros segundo faixas etárias, mas solicita aos pais que nos ajudem a adaptar conforme a criança. O ideal é observar e dar suporte à criança, em vez de julgá-la se demonstrar dificuldade.


4. Esse livro tem muitas páginas, meu filho não vai gostar

Ver um livro grosso, com muitas páginas, desanima muitas pessoas, e pode levar pais e familiares a acreditarem que “a história não é para a criança”. Porém, quando o assunto é leitura, vale deixar estereótipos e preconceitos de lado. Um livro que você julga extenso demais pode trazer uma história fascinante, capaz de captar a atenção da criança e gerar paixão imediata – até porque, como dissemos acima, volume de texto não significa complexidade de leitura. Volume de texto e quantidades de páginas não são motivos para descartar uma leitura.


5. Esse livro não tem ilustrações, meu filho não vai gostar

Quando falamos em leitura na infância e livros para crianças, muitas pessoas pensam instantaneamente em livros ricamente ilustrados. A imagem é uma linguagem incrível, que pode complementar e até alterar os sentidos da narrativa do texto de formas surpreendentes. Texto e imagens podem inclusive construir histórias separadamente. A ideia de usar a ilustração para dizer exatamente o que o texto diz é cada vez menos frequente nos livros ilustrados contemporâneos, e há até os livros de imagem, sem texto, que possibilitam leituras riquíssimas. Palavra e imagem são linguagens diferentes, e supor que a criança não se interessará por um livro sem imagens ou por um livro sem texto pode impedi-la de viver momentos riquíssimos de leitura e de novas descobertas no maravilhoso mundo da literatura infantil.