Quais cuidados são realmente necessários para o enxoval do bebê

A gestação e o enxoval parecem de domínio público, todo mundo palpita, gerando ansiedade na gestante – que naturalmente está mais sensível. Mas com tantas listas e informações na internet, como saber quais os cuidados realmente necessários para montar o enxoval do bebê?

Há um paralelo que costumo levar às minhas pacientes: Quando vamos viajar, nos informarmos antes como estará o clima do lugar aonde nos dirigimos, não? Com o enxoval, ocorre a mesma coisa. Ao nascer, o bebê não precisa de um super enxoval, com mil blusinhas de frio e de calor. Afinal, se ele nascer no calor, bastam roupas leves, de linha, e um cobertorzinho; porém, se for nascer no inverno, aí sim, luvinhas e roupas mais quentes são necessárias. Cada época do ano e Região tem a sua demanda. Na época de frio, por exemplo, é importante ter também alguns cuidados extras, como aquecer o quarto antes de trocar a roupa, embrulhar o bebê rapidamente após o banho etc., cuidados estes desnecessários no verão.

Outro detalhe importante às mães de primeira viagem: ainda não sabemos qual será o tamanho do bebê na estação seguinte. Portanto, não se precipite comprando adiantado todo o enxoval M e G prevendo o tamanho que ele estará com 6 meses, na próxima estação. Você pode acabar com muitas roupinhas de inverno sem uso em pleno verão, ou vice-versa. Os coringas e algumas peças são importantes ter, claro, mas é bom lembrar que após os 3-4 meses a mãe já poderá começar a sair de casa e completar o enxoval conforme a criança for crescendo. Além disso, muitas vezes ela também ganha roupinhas de presente após o nascimento que podem ficar sem uso, já que o bebê cresce rapidamente e é comum mamães terem mais roupas do que conseguem usar.

Mas e quanto ao momento ideal para começar a fazer o enxoval? A resposta é: nem muito cedo, quando há muito ainda a viver, nem no oitavo mês, já que o parto pode antecipar por diferentes motivos. O gostoso é comprar o enxoval do bebê aos poucos, pensando muito no bebê a cada momento, e fazendo deste um tempo muito especial.

Não deixe de pedir ajuda para as compras de itens mais pesados – como carrinho, andador, cadeirinha de carro. É importante que a gestante esteja acompanhada de alguém para carregar e também para que ela possa ouvir outras opiniões. Sei que muitas mães se encantam com as mil funções que a indústria oferece nesses itens, mas se deve principalmente tomar o cuidado de não comprar itens muito pesados, porque estarão com você o tempo todo, no tira e põe de carro, ida ao supermercado, pediatra etc. Praticidade, nessas horas, é fundamental.

Outro cuidado prudente para o enxoval é providenciar fraldas para pelo menos um mês. Depois disso, a gestante já poderá sair e comprar outras se necessário. Se ela comprar tudo antes de ele nascer, pode acontecer de o bebê  ter alergia àquela fralda, ou a fraldas descartáveis em geral, e todo aquele investimento terá sido em vão. O mesmo vale para itens de higiene. Não adianta comprar um estoque de lenços umedecidos. Os bebês têm a pele muito sensível, e muitos não se adaptam, tendo as mães de recorrer ao velho (e ideal) algodão embebido com água filtrada.

Outra dúvida comum é em relação à cor das roupas. Hoje, cada vez mais, as mães deixam de separar roupa de menino e de menina, e muitas meninas passam a usar cores como azul e verde, e meninos usam também vermelho e rosa. Essa tendência é tão certa que até uma famosa loja de departamento na Europa parou de separar as roupas de criança por gênero. Portanto, atente-se menos a isso e use seu bom gosto! O que o bebê precisa mesmo é de conforto. É uma delícia enfeitá-lo, mas no dia a dia nada como um body de algodão bem macio, fácil de trocar, lavar. É recomendável também evitar zíper em roupas de bebê, porque a pele dele é muito sensível. O ideal é usar tecidos mais naturais, como o algodão, evitando aqueles sintéticos, mesmo que sejam lindamente tentadores. E aproveite, sim, as roupinhas do primo ou filho da amiga que nasceu antes. Não há problema nenhum, desde que, claro, as roupinhas estejam limpas: roupas que duram bastante podem muito bem ser reaproveitadas, e o meio ambiente agradece.

Há itens também que não adianta comprar antes de surgir a necessidade. Inalador é um deles. Compre só se for recomendado pelo pediatra, que indicará inclusive o tipo mais adequado. Já outros podem se tornar uma maneira de os pais se conectarem com o bebê. Itens de decoração, brinquedos e até livros para o bebê, que podem começar a ser lidos durante a gestação. Como o bebê já tem a audição desenvolvida a partir do quinto mês, ler para o bebê é um modo de interagir com ele, de fazer com que ele se acostume com o tom de voz dos pais. É também uma forma de fugir um pouco da correria diária. Muitas mães ainda gestantes já assinam o Clube de Leitura Quindim, começando desde a gestação a montar a biblioteca do bebê e usando esse momento de tranquilidade para ler e se conectar com seu filho.

Assim, o mais importante: o preparo do enxoval é para ser um momento especial de ligação com o bebê e não uma maratona de compras sem sentido. Envolva-se, conecte-se com seu bebê e curta cada momento desta fase tão especial!

 

Dra. Mirna Gabriel Nakano é ginecologista e obstetra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e homeopata pela Associação Paulista de Homeopatia. Atua há mais de 40 anos na área, já tendo ajudado a trazer ao mundo mais de 5 mil bebês. Além de atendimento em consultório próprio, dra. Mirna também faz parte do corpo clínico das principais maternidades paulistanas, como a do Hospital São Luiz, Hospital Israelita Albert Einsten, Pró-Matre e Santa Joana.

 

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Confira as dicas do Clube Quindim de Como ler para bebês, a leitura é recomendada desde a gestação.