Momentos de separação ou de quebra de uma rotina construída ao longo de anos nunca são fáceis. Pode ser o rompimento da relação entre pais ou cuidadores, que altera completamente a vida das crianças; a adaptação em novos ambientes, com mudanças de endereço ou de escola; ou até mesmo as transformações naturais da vida.

A transição entre o fim de uma fase e o início de outra raramente é simples. Se até para os adultos é difícil compreender os sentimentos que nos atravessam nesses períodos, como podemos dialogar com as crianças sobre separações, rupturas e mudanças?

Não é fácil. Na verdade, faz parte do processo acolher os sentimentos difíceis que podem surgir, permitindo-se senti-los e, aos poucos, entendendo melhor a si mesmo. Com o tempo, as coisas vão encontrando novos lugares e uma nova rotina começa a se formar.

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Imagem do livro “Lá e Aqui“, de Carolina Moreyra e Odilon Moraes Pequena Zahar). Foto: Rodrigo Frazão.

E mesmo que os dias e os sentimentos que surgirem sejam imprevisíveis, com consciência do processo e abertura para o diálogo em família, viver essas mudanças pode, sim, ser mais suave e suportável. Está tudo bem sentir saudade. Está tudo bem chorar um pouco.

Por isso, separamos alguns livros já enviados pelo Clube Quindim que dialogam com momentos de separação e ruptura na vida. Uma página depois da outra, um dia após o outro.

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confira 6 livros para dialogar sobre momentos de separação:

Lá e Aqui (escritora Carolina Moreyra, ilustrador Odilon Moraes, editora Pequena Zahar)
Escritora: Carolina Moreyra
Ilustrador: Odilon Moraes
Editora: Pequena Zahar

lá e aqui

Havia um menino comum que vivia em uma casa comum. Ali moravam ele, sua mãe, seu pai e dois cachorros. Até que, um dia, a casa parece “se afogar” e tudo muda. De forma delicada e simbólica, o livro aborda o divórcio e as transformações que ele provoca na vida de uma criança, abrindo espaço para conversar sobre a saudade, dúvidas e novos arranjos familiares.

 O rei do Manacá (escritor André Moura, ilustrações Alê Abreu, editora Jujuba)
Escritor: André Moura
Ilustrador: Alê Abreu
Editora: Jujuba

o rei do manacá

Maurício é um garoto que, desde pequeno, convive com os sofrimentos causados pelas brigas entre os pais. Ele não compreende totalmente os motivos dos conflitos, mas sente que algo grave está acontecendo — até o dia em que o pai vai embora e não volta mais. A obra acompanha o menino em meio à dor da separação, às mudanças e ao turbilhão de sentimentos que marcam o início na escola e a tentativa de cuidar da tristeza da mãe, explorando as emoções que surgem em um período tão transitório.

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leitura em família: greg, o menino que morava em um trem. Odilon Moraes. Ana Luiza Badaró
Escritora: Ana Luíza Badaró
Ilustrador: Odilon Moraes
Editora: Tigrito

Greg, o menino que morava em um trem

Greg vive com os pais em um trem que percorre pontes, morros e túneis escuros, atravessando dias ensolarados e também tempestades. Nessa alegoria sobre as mudanças inevitáveis da vida, a escritora Ana Luíza Badaró nos coloca diante de um tema difícil: a separação dos pais, a despedida de amigos e as transformações que ocorrem na vida das crianças com a quebra de vínculos. 

Tchau (escritora Lygia Bojunga, editora Casa Lygia Bojunga).
Autora: Lygia Bojunga
Editora: Autêntica

tchau

Único livro de contos de Lygia Bojunga, a obra reúne quatro histórias que exploram diferentes formas de dizer adeus. Ao tratar de separação, amizade, morte e partidas, os contos mostram como cada despedida carrega sentimentos complexos — e como todo “tchau” também pode abrir espaço para novos começos.

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Menina amarrotada (autora Aline Abreu, editora Jujuba).
Autora: Aline Abreu
Editora: Jujuba

menina amarrotada

Uma menina vive “do lado de lá”, onde tudo parece bom, embora um pouco cinzento. Seu pai costuma viajar e sempre volta para casa. Até que, um dia, ela teme que ele nunca mais retorne. Neste álbum ilustrado, texto e imagem se entrelaçam para narrar, de forma sensível, o medo da ausência e as marcas emocionais que as separações podem deixar. O próprio objeto livro participa da narrativa: a leitura de cima para baixo reforça visualmente a sensação de distanciamento e ruptura.

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Como natureza
Escritor: Fábio Monteiro
Ilustradora: Elisabeth Teixeira
Editora: Abacatte

como natureza

Joaquim sempre teve uma relação profunda com a natureza, diferente dos outros meninos de sua cidade. Mas uma noite tudo muda: uma dor estranha o leva ao médico, e a notícia recebida pela família transforma completamente sua realidade. Enquanto a mãe desmorona e o pai tenta fugir da dor, e também da família, o livro acompanha as mudanças que nos atravessam diante de uma doença. Junto da delicadeza das ilustrações, a obra fala sobre fragilidade, cuidado e as rupturas que a vida, às vezes, impõe.