Claudio Fragata: a trajetória e as inspirações de um grande nome da literatura infantil brasileira

Claudio Fragata O guarda chuva que desenguardachuvou Raquel Matsushita
Escritor: Claudio Fragata
Ilustradora: Raquel Matsushita
Editora: Trioleca

Um guarda-chuva e uma sombrinha que se apaixonam e transformam sua forma de ver o mundo através desse amor. Pois é essa trama fantástica norteia o livro O guarda-chuva que desenguardachuvou, que integrou a seleção do Clube Quindim de novembro. Com ilustrações de Raquel Matsushita, a obra foi escrita por Claudio Fragata, um celebrado autor infantil e juvenil, com uma trajetória muito importante dentro da literatura brasileira, e que sem dúvida merece ser amplamente conhecido.

Nascido em Marília, em 1952, Claudio veio morar em São Paulo ainda criança e é uma prova, ele mesmo, das transformações que a literatura pode ocasionar na vida de uma criança:


“A paixão pela palavra aconteceu muito cedo na minha vida. Desde sempre quis ser escritor. Nem sabia escrever e ficava rabiscando papéis e papéis, imitando uma escrita e inventando histórias na minha cabeça.”


Ele também conta que, mesmo vivendo em um apartamento na cidade, nunca se sentiu “preso em uma gaiola”, porque explorava o entorno e porque tinha muitos livros por perto: “Ninguém está de fato confinado quando tem livros à mão”, diz.

Outra grande paixão de Claudio quando criança era o Sítio do Picapau Amarelo, adaptação da obra de Monteiro Lobato criada pela escritora Tatiana Belinky. Ele diz que não perdia um episódio e além disso era apaixonado por todos os personagens, especialmente pela Emília:


“Emília entrou na minha vida com tanta força que foi um divisor de águas. Eu era uma pessoa antes da Emília e me transformei em outra depois dela.”


Trabalho: o começo de tudo


Embora sempre tenha amado os livros, Claudio Fragata foi se envolvendo com a escrita para crianças naturalmente. Formado em jornalismo, passou por uma série de jornais e revistas e então caiu na Divisão Infantil e Juvenil da Editora Globo. Ali, desenvolveu o projeto editorial da coleção de manuais da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. Depois, foi trabalhar na revista Recreio, uma publicação para crianças que vivera seu auge nos anos 1970 e vivia então uma segunda fase.

“A escritora Ruth Rocha me disse uma vez que a Revista Recreio, em sua primeira fase, foi mais que uma revista, foi um movimento de literatura infantil.”

Claudio Fragata Raquel Matsushito Editora Jujuba Alfabeto Escalafobético
Escritor: Claudio Fragata
Ilustradora: Raquel Matsushita
Editora: Jujuba

Na revista, Claudio publicava contos e poemas e chamou a atenção de Luciana Villas-Boas, então diretora editorial do Grupo Record. Ela então o convidou a lançar seu primeiro livro, As filhas da gata de Alice moram aqui, em 2001. De lá para cá, não parou mais, chegando a mais de 18 publicações, entre elas o Alfabeto escalafobético, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2014.


“Tenho muito orgulho de fazer parte dos escritores que se dedicam à literatura infantil e juvenil brasileira. Acho que nossa literatura é uma das melhores do mundo. Temos grandes escritores, grandes ilustradores, e fazemos uma literatura infantil com muita sabedoria e técnica, amadurecemos muito nesse sentido. Temos muitas vozes extraordinárias, cada uma com seu estilo, gente muito talentosa.”


A criação e as amizades que inspiraram Claudio Fragata


No momento de criar, Claudio Fragata diz: “Todos os caminhos podem levar a uma boa história, e eu presto muita atenção a tudo”. Ouvir um pedaço de conversa na rua, por exemplo, é um passatempo do autor que com frequência se transforma em cena. Uma de suas maiores preocupações, no processo, é construir personagens com força interna, interessantes e que primeiro o seduzam, para que depois possam seduzir o leitor.

Além disso, outra fonte de inspiração são escritores que Claudio admira, como Tatiana Belinky, com quem teve uma bonita relação de amizade.

Cláudio Fragata e Tatiana Belinky
Cláudio Fragata e Tatiana Belinky


“A Tatiana Belinky foi um privilégio em minha vida, minha grande mestra. Aprendi muitas coisas com ela, sobretudo como ser humano. Aprendi com ela a dedicação à profissão, sempre fazer o melhor possível, escrever da melhor maneira, sem se preocupar em lançar muitos livros, mas produzindo com prazer, profissionalismo e profundidade.”


Claudio conta também que visitava a autora com frequência. E, quando se atrasava, ela o recebia com um limerique, seus famosos poemas, sobre o atraso.

Silvia Orthof é outra inspiração do autor, escritora a quem ele dedica o livro O guarda-chuva que desenguardachuvou:

 
“Silvia me influenciou por escrever com tanta liberdade e criatividade. O livro é uma homenagem a ela. A Silvia era uma revolucionária, essa é a verdade, muito inspiradora”.


Infância e literatura para Claudio Fragata


Para o escritor, é muito importante que os pais estejam próximos às crianças e que realmente se interessem pelo seu mundo. Também precisam ser leitores para dar o exemplo aos pequenos.


É importante que os pais sejam mediadores, educadores e não deixem a responsabilidade para a professora da escola. As escolas dão continuidade a uma educação que começaria em casa.”


Claudio ainda destaca o poder da literatura na vida de uma criança e na formação de um indivíduo, poder que conhece desde pequeno:


“A literatura é transformadora. Ninguém é a mesma pessoa depois de ler um bom livro. A literatura é algo básico para a formação de uma criança. Com um livro, ela pode aprender a ler o mundo, a atuar com mais desenvoltura, a entender a vida e como tudo funciona. A literatura é fundamental na formação de uma criança.”