Emília Nuñez e Anna Cunha nos trazem este livro-imagem sensível e cheio de silêncios que falam calmamente... São duas narrativas paralelas que se espelham: o ritmo de uma árvore, um pomar, com o tempo paciente do plantar e do florescer, e a descoberta e manutenção da leitura nutrida por gestos de cuidado, presença e histórias compartilhadas.
Sem recorrer às palavras porque elas existem em nossa mente, a obra convida aos leitores construírem relações e sentidos a partir das imagens. O que esse texto-tecido então nos revela? A metáfora é clara: formar um leitor é cultivar um jardim, com suas exigências de tempo, afeto, presença e constância. Ao mostrar que a vida é percorrida entre livros, colo e cotidiano, o livro também presta uma delicada homenagem às pessoas que mediam esse encontro entre criança e leitura, sobretudo às mulheres e professoras. É no vínculo que as histórias ganham raízes.
Obra vencedora do Prêmio Jabuti 2023, esta é uma leitura que pede pausa, observação e troca. Perfeita para ser vivida em conjunto, página a página, permitindo que outros detalhes e significados floresçam no olhar de quem lê.