
Zumbi assombra quem?
- Texto: Allan da Rosa
- Ilustração: Edson Ikê
- Editora: Editora Nós
Um jogo de palavras com o termo zumbi faz Candê mergulhar na história, saberes e ancestralidade de seu povo.
Resenha literária
Candê tem sete anos e vive a imaginar cenas de terror, nas andanças no entorno de sua casa. A todo instante, vê criaturas mortas-vivas que assombram as pessoas. Zumbi é uma assombração medonha, com escamas e olhos de peixe asfixiado, vagando... Eita, Candê! Tio Prabin espanta-se com a confusão e a ignorância do menino, então começa a contar quem foi Zumbi, o rei do Quilombo de Palmares, o caçador das matas, silencioso como uma pena flutuando sem vento, o valente guerreiro, perito em garantir o sustento e defender seu povo.
O escritor Allan da Rosa faz seu texto se aproximar das narrativas orais, ao mesmo tempo, retrata quanto o preconceito ainda perpassa pelos traços fenotípicos, a linguagem e a noção de cultura. Na escola, outras crianças impedem a entrada de Candê nas brincadeiras e o insultam devido a sua cor e seu cabelo. Quando lá se apresenta um grupo de instrumentistas, usando congas, atabaques e cuícas, o show é considerado "coisa de espírito capenga e de assombração". Durante toda a leitura, compartilhamos os ensinamentos da fala mansa de tio Prabin e a força de Manta, a mãe de Candê. Apesar das experiências sofridas pelo pequeno, sobrevirá toda a descoberta de sua ancestralidade e da importância do ícone da resistência negra no Brasil, o Zumbi dos Palmares. Candê entenderá que a sua história se conecta intimamente com a história de Zumbi — na dor, na força e na resistência diária.
Zumbi assombra quem? é uma obra potente que reforça a necessidade de falar sobre a importância de valorizarmos nossas heranças africanas e nos conectarmos com a nossa História, tão repleta de histórias que trazem à tona o racismo em nossa sociedade desde os tempos remotos, frente as características múltiplas de um povo que também demonstra força e beleza a cada dia que renasce.
Sobre Allan da Rosa

Allan da Rosa nasceu em São Paulo, em 1976. Escritor e angoleiro, faz parte do movimento de Literatura Periférica de SP, e atuou também como editor do clássico selo Edições Toró. Formado em História, mestre e doutorando na Faculdade de Educação da USP, foi professor e alfabetizador.
Allan pesquisa e atua em ancestralidade, imaginário e cotidiano negro. Já palestrou, recitou, oficinou e debateu em rodas, feiras, universidades, bibliotecas e centros comunitários em todo o Brasil e no exterior, em países como Cuba, Moçambique, EUA, Colômbia, Bolívia e Argentina.
É autor de Da Cabula, que recebeu o Prêmio Nacional de Dramaturgia Negra, e de Mukondo Lírico, vencedor do Prêmio Funarte de Arte Negra, ambos no ano de 2014.
Sobre Edson Ikê

Edson Ikê nasceu em 1980, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Seu contato com as artes gráficas se deu pelo seu interesse por fanzines e xilogravura. Trabalhou em estúdios e editoras da capital paulista como designer gráfico, produzindo ilustrações que carregam uma forte identidade com a cultura negra e urbana.
Atualmente faz ilustrações para várias editoras, incluindo Moderna (Grupo Santillana / Uno Internacional), Evoluir, Abril e FTD, com projetos voltados para a questão da valorização da cultura afro-brasileira e diversidade cultural.
Informações técnicas
ISBN: 9788569020219
EAN: 9788569020219
Páginas: 96
Dimensões e acabamento
0.9 × 16.5 × 26.6 cm
Peso: 225 g
Acabamento: Brochura
Competências gerais BNCC
Tipos de leitura
Gêneros
Assuntos
Ah, que pena!
Este título está esgotado
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