Capa Um amigo para sempre

Um Amigo Para Sempre

A distância entre um pássaro e um homem se estreita à medida que a confiança aumenta. O companheirismo e a amizade do bicho são a alegria de um preso político que desejava ver seu país livre.

Resenha literária

Preso por ideias contrárias ao governo, a alegria de um homem se resumia às saídas para o banho de sol, quando podia ter contato com alguma natureza: as sombras das árvores no chão, a luz do sol, às vezes flores, sempre passarinhos. De início, levava um livro para ler fora da cela, mas não lia, pois ficava a observar a paisagem que diferia das paredes fechadas e cinzas. Passou a levar pão para ficar mastigando enquanto estivesse ali.

Foi assim que um passarinho se aproximou (mas não muito) em busca de migalhas. Então, o homem espalhou as migalhas pelo chão e se afastou para que o animal pudesse se aproximar um pouco mais. Num outro dia, lá estava o passarinho de novo em busca de migalhas. A alegria de sair da cela se juntou à alegria de estar junto de um novo amigo.

Ainda na cela, antes de ir ao pátio, o homem se perguntava se o passarinho estaria lhe esperando. Sempre estava. Com cuidado, paciência e carinho, o prisioneiro deixava a comida para que o bicho comesse e respeitava o seu espaço. Pouco a pouco, foi conquistando a confiança, foi se aproximando até chegar a pegar migalha entre os dentes do homem. Certo dia, o pequeno animal deixou de aparecer, o que fez o amigo pensar em várias hipóteses para o seu paradeiro. Sem nunca saber o que aconteceu, ressignificou seu entendimento.

A narrativa é inspirada na vivência do escritor angolano Luandino Vieira que lutou pela independência do seu país. As ilustrações possuem a mesma delicadeza do relato e são feitas de sombras e pequenas partes dos dois amigos, nunca na mesma página, indicando o processo de aproximação. A publicação possui folhas de papel dobradas, fechadas e coladas junto da espinha do livro, ao modo de páginas-envelopes, que trazem imagens de penas e sombras azuis, evocando o mundo além muros.

Sobre Marina Colasanti

Marina Colasanti, que já foi curadora do Clube Quindim, é uma das mais importantes e premiadas escritoras brasileiras da atualidade, colecionando inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes, fez gravura em metal, trabalhou na imprensa como editora e cronista e traduziu dezenas de livros de importantes autores da literatura universal. Desenvolveu atividades em televisão, editando e apresentando programas culturais. Foi também publicitária.

Marina faleceu em 2025, mas deixou um legado imenso. Na literatura, suas obras atemporais abordam por meio do simbólico maravilhoso questões profundas inerentes ao humano. Para a escritora, "muda a realidade externa, mas a nossa realidade interior, feita de medos e fantasia, se mantém inalterada. E é com esta que dialogam as fadas, interagindo simbolicamente, em qualquer idade e em todos os tempos".

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Sobre Eloar Guazzelli Filho

Ilustrador, animador e quadrinista brasileiro, Guazzelli nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Vacaria, começando a desenhar desde cedo e passando a publicar seu trabalho autoral a partir dos anos 1990.

Formado em artes plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestre pela Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde defendeu sua dissertação sobre Renato Canini. Seu trabalho conquistou diversos prêmios e reconhecimento internacional.

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Informações técnicas

ISBN: 9788596010429

EAN: 9788596010429

Páginas: 96

Dimensões e acabamento

0.7 × 17.1 × 21.9 cm

Peso: 195 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

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