Capa Quase de verdade

Quase de verdade

É bonita uma árvore à noite com as folhas acesas parecendo um solzão, mas debaixo da casca da beleza pode se esconder a ruindade... E o que pode fazer um bando de galinhas para retomar à vida com filhos, comida, cantoria e descanso?

Resenha literária

As fábulas habitualmente desaguam nas histórias de animais — e aqui o cão Ulisses vem latir um caso a Clarice Lispector para ela colocar tudo em palavras, em linguagem de criança. É preciso que muita gente saiba o que aconteceu no quintal vizinho. Lá viviam o galo Ovídio, Odissea e outras galinhas, também vivia uma figueira que não dava filhos, ou seja, figos. Todas as aves davam ovos com que se pode fazer coisas gostosas, enquanto outros ovos viram pintos (o que é um caso muito verdadeiro), mas essa vida causava inveja à árvore. Por artes de magia de uma nuvem-bruxa, acontece uma temida situação: a figueira, ditadora, dá a explorar os galináceos. Cansadas, porém pensantes sempre, as galinhas cacarejam baixinho a solução que virá com o sacrifício e o desperdício de alguns ovos... contudo, nada será em vão!

Clarice Lispector, em suas histórias para crianças, elabora a participação do leitor na construção dos sentidos do texto, dando-lhe um lugar especial no andamento do enredo. Os narradores que ela inventa, seja o cão Ulisses, seja ela fingindo que é Clarice mesmo, dão sempre um intervalo necessário às crianças responderem suas indagações. E por que esta é uma história quase de verdade? Pois são coisas acontecidas realmente na imaginação de um cão ou são fatos do cotidiano, de quem não trabalha e explora os outros, que parecem até mentira que aconteçam de verdade pelo mundo?

Sobre Clarice Lispector

Uma das escritoras mais importantes do século XX e também uma das mais estudadas pela academia brasileira, Clarice Lispector escreveu para adultos e para crianças. Clarice chegou ao Brasil ainda bebê na companhia de seus pais, refugiados da perseguição aos judeus na Ucrânia. Morou em Maceió e no Recife, mudando-se para o Rio de Janeiro aos doze anos.

Em 1941, Clarice passou a cursar a Faculdade Nacional de Direito, e atuou como redatora na Agência Nacional. Passou por experiências também no jornal A Noite. Em 1943, casou-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Em 1944 o casal se formou em Direito, mesmo ano de publicação do seu primeiro romance, Perto do coração selvagem que inaugurou uma nova linguagem à prosa e arrebatou a crítica, sendo vencedor do Prêmio Graça Aranha.

Clarice acompanhou o marido diplomata durante alguns anos em viagens, e se tornou mãe de dois filhos. O divórcio ocorreu em 1959, ano em que ela retornou à cidade do Rio de Janeiro e passou a trabalhar no jornal O correio da manhã. Em 1967, Clarice lança seu primeiro livro dedicado às crianças, o premiado O mistério do coelhinho pensante. Neste mesmo ano, a escritora e jornalista sofre graves queimaduras pelo corpo, o que a fez passar por algumas cirurgias e viver isolada. Publicou A hora da estrela em 1977, sua última obra em vida.

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Sobre Mariana Massarani

Mariana Massarani é uma das mais representativas autoras brasileiras de uma geração que começou seus trabalhos a partir de 1990. Ao lado de Roger Mello e de Graça Lima, integra o coletivo Capa Dura em Cingapura. Com uma identidade própria, ela segue desenhando personagens com a linguagem do cartum, combinando várias técnicas, mas sempre nos apresentando um traço determinado, simples, dinâmico, cheio de bossa e bom humor.

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Informações técnicas

ISBN: 9788532510600

EAN: 9788532510600

Páginas: 32

Dimensões e acabamento

0.3 × 16 × 22.9 cm

Peso: 90 g

Acabamento: Grampeado

Competências gerais BNCC

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