Capa Pena de ganso

Pena de ganso

A duras penas, ela há de escrever, um dia: Eu sou Aurora — num desejo só, forte feito tudo, nesta comovente história pelos caminhos da escrita e das práticas de leitura num Brasil de um século atrás, mas ainda muito presente.

Resenha literária

A fim de vender as terras que recebera de herança, Estefânia viajou para Portugal. Estava grávida e voltaria com a filha em seus braços. Aurora nasceu em meio ao mar, sem a certeza de que pudesse ver a luz do próximo dia. Daí um nome escolhido com muita esperança... O pai já havia providenciado uma casa nova para a família e a menina passaria toda a vida entre o quintal e a cozinha, ajudando a mãe nas tarefas diárias, cuidar das galinhas, recolher ovos, vendê-los às dúzias, regar as couves e as dálias, descascar as batatas para o almoço e para o jantar. O pai era um homem trabalhador e reserva-se o direito de ver Péricles e Augusto homens feitos, doutores, por isso os meninos iam à escola. Aurora não.

Seria por causa de sua frágil saúde, aqueles ataques que lhe vinham, um ponto escuro no olho que ia apagando todo o mundo, a língua começando a enrolar, a sufocação que a fazia perder os sentidos? Ou era coisa das famílias da época?

Ambientada no Rio de Janeiro, na década de 1920, a novela de Nilma Lacerda nos faz enxergar costumes e tramas familiares com os olhos e a sensibilidade de Aurora. É muito certo que as crianças não podiam partilhar das conversas entre os adultos, nem demonstrar claramente seus sonhos, mas a menina percebia não existir uma regra comum em todas as casas. Sua prima Isolina ia à escola, pois os tios não tinham outros filhos com quem se preocupar... Já o primo Gastão com doze anos não ia à escola, pois precisava ajudar o pai na fábrica... Contudo, Aurora se via obrigada a viver ao pé da mãe.

Numa trama transbordante de vozes, nem mesmo a falta de afetos e perspectivas impede a história ser escrita com delicadeza. Essa ambiguidade entre o conteúdo e a forma apresenta-se igualmente nos desenhos de Rui de Oliveira, marcados pelo lápis litográfico, o grafite e o crayon. É certo que a vida de Aurora nunca teve o brilho e a suavidade das cores. São as sombras na ilustração que, no entanto, amenizam a aspereza dos traços fortes sobre o papel.

Sobre Nilma Lacerda

Nilma Lacerda é uma escritora e estudiosa da literatura. Nasceu no Rio de Janeiro, e iniciou sua carreira literária em 1985, com a publicação do romance Manual de tapeçaria, seguindo a produção de novelas numa linguagem elaborada e poética, acessível a leitores jovens.

Tem recebido o reconhecimento da crítica, através de láureas de “Altamente Recomendável”, e vários prêmios, como Alfredo Machado Quintella, Orígenes Lessa, Cecília Meireles (ensaio), Monteiro Lobato (tradução), todos estes da FNLIJ. Além disso, recebeu também o Prêmio Jabuti, na categoria juvenil, o Prêmio Brasília de Literatura, e uma indicação à Lista de Honra do IBBY.

É professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, com inúmeros artigos científicos publicados.

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Sobre Rui de Oliveira

Nascido no Rio de Janeiro, estudou pintura no Museu de Arte Moderna e Artes Gráficas na UFRJ, além de ter passado um período na Moholy-Nagy University of Art and Design, em Budapeste e também no estúdio húngaro de animação Pannónia Film.

Ilustrou mais de 140 livros e dezenas de capas para obras infantis e juvenis. Escreveu seus filmes de animação e recebeu inúmeros prêmios por seu trabalho como ilustrador e animador, dentre eles o Jabuti.

Em 2006, recebeu o prêmio de literatura infanto-juvenil da Academia Brasileira de Letras pelo livro Cartas Lunares.

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Informações técnicas

ISBN: 9788536800530

EAN: 9788536800530

Páginas: 144

Dimensões e acabamento

1 × 16.9 × 23.9 cm

Peso: 235 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

Tipos de leitura

Gêneros

Assuntos

Ah, que pena!

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