Publicada originalmente em 1943, a obra de Antoine de Saint-Exupéry descreve o encontro improvável entre um aviador que sofre um acidente no deserto africano e um menino vindo de um pequeno asteroide. A partir dessa amizade, a narrativa conduz o leitor por lembranças, encontros e perguntas que parecem simples, convidando a refletir sobre a forma como nos relacionamos conosco, com os outros e com o mundo.
Embora seja frequentemente apresentado como uma obra para crianças, esse é uma espécie de novela simbolista fluida como quadros de uma galeria afetiva que desafia classificações: sua força está justamente em construir um texto acessível aos leitores mais jovens, sem abrir mão de uma profundidade que se revela de formas diferentes, conforme a idade e a experiência de quem lê.
Nesta edição, as ilustrações de Beatrice Alemagna propõem um pequeno príncipe diferente do que a memória coletiva costuma guardar, a partir das aquarelas do escritor francês. Sem o icônico traje paramentado de nobre militar ou o macacão verde de aviador, com echarpe ao pescoço, aqui o personagem se mostra vestido com roupas comuns, algo semelhante às calças e jalecos de meninos italianos, filhos de operários, pequenos trabalhadores, portanto, com o peso e a fragilidade de um menino de verdade. Ao colocá-lo lado a lado com os outros personagens da história em escala real — inclusive diante de vulcões enormes —, Alemagna revela o quanto ele é, na verdade, minúsculo. Vale a pena parar diante de cada imagem e reparar como essas escolhas mudam, sutilmente, o que essa história pode significar hoje.