
O menino e o pinto do menino
- Texto: Wander Piroli
- Ilustração: Lelis
- Editora: SESI-SP
Divisor de águas da literatura infantil brasileira, Wander Piroli ensina quão tênue é o fio que separa os textos e os sentimentos entre adultos e crianças.
Resenha literária
Tudo começa quando Bumba ganha um pintinho de sua professora. Voltando para casa na companhia da mãe, logo sentimos quanto podem ser diferentes a vida de uma criança e a ideia da infância, resguardada nos limites de um jardim escolar. Bumba, para manter o frágil presente, precisa escondê-lo sob a roupa — abafa os insistentes pios do animalzinho e o salto do coração de ambos, enquanto vão pelas ruas da cidade, fazem uma viagem de ônibus, adentram a portaria do prédio em que mora. O menino e o pinto sufocam. O mundo é feito de constrangimentos. É tensa a travessia. Nem mesmo a mãe quer permitir que o pinto de plumagem amarela e macia venha com o filho...
Importante texto da literatura infantil brasileira, O menino e o pinto do menino, de Wander Pirolli, foi escrito em 1972 e publicado em livro em 1975, imediatamente dividindo a opinião do público e especialistas. A ambiguidade no título traz uma pequena dose de travessura sobre o sentido literal ou figurativo do que seja o pinto do menino, uma estratégia para chamar a atenção do leitor e fazê-lo, na medida do possível, descobrir as dobras da narrativa.
Num plano, trata-se de uma história de alegria e angústia que inaugurou a tendência do realismo cotidiano na literatura para crianças, em um estilo conciso, às vezes seco, do escritor mineiro. A trama esconde um drama muito terno, comovente: as emoções do menino pulsam nos leitores frente aos demais personagens. Contudo, é também uma história a respeito das injunções sociais e da falta das liberdades: proibido criar um animal de estimação, obedecer as convenções, o condomínio, o horário extenso e exaustivo de trabalho, enfim, um cotidiano que oprime, quando o que precisaria ter lei não tem, enquanto tem o que não precisava. O pinto, o menino, a mãe e o pai do menino vivem todos lágrimas e sonhos.
Sobre Wander Piroli

Nasceu na Lagoinha, bairro periférico da capital mineira. Formou-se em Direito, mas atuou por pouco tempo em causas trabalhistas. Como jornalista, trabalhou em várias redações de Belo Horizonte entre os anos de 1950 e 2000, consagrando-se como um dos maiores cronistas de seu tempo.
Wander Piroli lançou seu primeiro livro em 1966, A mãe e o filho da mãe, depois, publicou contos e crônicas, alguns especialmente dedicados a crianças e jovens, lançando o olhar sobre as mazelas da periferia mineira. Publicou sete livros em vida, e vários outros já estavam prontos quando faleceu em 2006.
Sobre Lelis

Ilustrador e quadrinista, atua no jornal Estado de Minas, com trabalhos publicados no Brasil, França e Sérvia. Começou a carreira de ilustrador em 1986, no jornal Diário de Montes Claros. Em seguida, trabalhou para os jornais O Norte, Estado de Minas e Folha de S.Paulo. Criou histórias em quadrinhos para as revistas independentes Graffiti 76% Quadrinhos e Legenda. Em 2001, publicou o álbum Saino a percurá. Em 2004, desenhou uma série de ilustrações sobre Ouro Preto, Congonhas, São João del Rei, Tiradentes e Diamantina, reunidas no livro Cidades do Ouro. Em 2009, publicou o álbum Últimos cartuchos, pela editora francesa Casterman. Pela mesma editora, publicou Guele Noire em 2015. Ainda em 2009, Lelis foi um dos autores selecionados para a antologia sérvia Stripolis, que reuniu histórias em quadrinhos de artistas da República Tcheca, Polônia, Canadá, EUA, Itália e Bélgica. Foi também incluído na segunda edição da coletânea canadense The Anthology Project (Lucidity Press), em 2011. Em 2019, ilustrou o álbum francês Popeye: Un Homme à la Mer, escrito por Antoine Ozanam.
Informações técnicas
ISBN: 9788550406107
EAN: 9788550406107
Páginas: 48
Dimensões e acabamento
0.5 × 14 × 21 cm
Peso: 100 g
Acabamento: Brochura
Competências gerais BNCC
Tipos de leitura
Gêneros
Assuntos
Ah, que pena!
Este título está esgotado
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