Capa O elefante

O elefante

Que elefante é esse que caminha pelos versos de Drummond, num passo incapaz de esmagar as plantas, mas ameaçando desabar ao mais leve empurrão?

Resenha literária

O elefante do poeta não é de uma espécie animal — ele é feito à fantasia, uma carcaça oca de madeira tirada de velhos móveis, ripas, um brinquedo que vai pouco a pouco se cobrindo de algodão e paina que num novelo de linha tecerá um tecido. O elefante de Carlos Drummond de Andrade é essa imagem que se tira talvez da memória de um elefante de verdade, visto num circo, num álbum de figuras, numa página de enciclopédia. O elefante é a própria memória, a existência imensa que a certa altura da vida — na infância ou na velhice — poderia ser um peso, mas é leve e doce a sair de casa com suas orelhas pensas, com o rabo que se desgarra do bicho, com a presa de uma brancura impossível de fazer com qualquer material à mão.

Pesado mesmo é o mundo, a corrupção, outras fraudes e faltas, a solidão de quem não tem amigos — ainda não os tem ou já não os tem mais. A dureza da vida vem da rua, também vem das palavras e notícias que passam na televisão, das histórias que não tem conclusão nem justiça... Mesmo assim o elefante passeia este dia, passeia o dia seguinte, resistente.

É esta ambiguidade gostosa que permite que um poema como O elefante, tão cheio de amor, despregue-se das páginas de A rosa do povo (1945) e venha habitar os livros para crianças, contra o cotidiano enfastiado que já não crê em bichos, natureza, alma, poesia. De tanto em tanto dos versos, as ilustrações de Raquel Cané destaca materialidades diversas com que um elefante pode ser feito. Drummond tinha a fumaça da Guerra em seus olhos! É preciso remontar o brinquedo, o elefante de nossas esperanças.

Sobre Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos nossos maiores poetas, foi funcionário público e escreveu até o fim de sua vida. Alguma poesia, sua primeira obra poética publicada, foi financiada com custos próprios, com uma tiragem de 500 exemplares. Em 1934, muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, junto com a família. Lá, assume o cargo de Chefe de Gabinete do então Ministro da Educação, Gustavo Capanema. Para seus biógrafos, a experiência no Governo foi importante para a construção de sua nova visão política. Um pouco mais de dez anos depois, sai do cargo e se torna editor do jornal "Imprensa Popular", publicação do Partido Comunista Brasileiro. Os versos de Drummond o tornou um dos poetas mais lidos e conhecidos no Brasil. Em entrevista à revista Galileu, Celso Caviccia, professor de literatura formado em letras pela USP, explica as razões: “Drummond não ganhou fama por causa do povo, mas porque foi exaltado pelos intelectuais e por movimentos culturais populares, como a tropicália e a bossa nova, por exemplo”,

Além de poemas, Drummond escreveu histórias infantis, crônicas e contos. São mais de sessenta publicações. Foi um dos poucos escritores brasileiros que pôde viver da renda advinda da Literatura.

Ver mais

Sobre Raquel Cané

Raquel Cané nasceu em Santa Fé em 1974. Estudou design gráfico na Universidad Nacional del Litoral, ilustrou revistas e livros, ajudou na direção de arte da Rolling Stone Argentina, e dirigiu a arte das Ediciones B.

Desde 2001, ela desenha e ilustra capas de livros de forma independente para a Penguin Random House Argentina, México e Espanha, Capital Intellectual, Lo que leo, Planeta, entre outras.

Ver mais

Informações técnicas

ISBN: 9788574069395

EAN: 9788574069395

Páginas: 32

Dimensões e acabamento

0.4 × 26.6 × 20 cm

Peso: 160 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

Tipos de leitura

Gêneros

Assuntos

Ah, que pena!

Este título está esgotado