Capa O dia em que meu prédio deu no pé

O dia em que meu prédio deu no pé

Eis aqui, literalmente, o que é necessário para o Brasil ser descoberto: prédios, casas e muitas outras construções levantarem o alicerce e colocar o pé na estrada!

Resenha literária

Tudo começou conta o avô para a neta numa carta — quando um pequeno prédio de apartamentos com varanda começou a chacoalhar suas vigas e foi se soltando do chão, num movimento lento o suficiente para um gato pular fora, uma família terminar o churrasco ou o rapaz do quinto andar salvar um vaso de planta! Sem ninguém, mídia ou autoridades dar importância ao fato, o predinho partiu sem olhar para trás... Entretanto, o caso foi se repetindo. De repente as pessoas viam-se abandonadas nas ruas. Casas e mansões entraram no embalo, as rodovias ficaram entupidas. Os países vizinhos ganharam bairros novos. Monumentos e edifícios históricos também deram um jeito de fugir.

Com pequenos toques de distopia, anacronismo e ironia, o texto de Estevão Azevedo evoca a velha máxima de que o Brasil precisa ser descoberto pelo próprio povo e, ao pé da letra, isso se faz com a desconstrução das cidades e ficarmos todos com os pés no chão. A carta do avô é escrita no aqui e agora para um futuro onde a terra será modelada com a mão das crianças. Há o humor mais gracioso, como relatar que a Igreja do Bonfim esperou suas escadarias estarem bem lavadinhas, antes de ir embora. Mas a crítica igualmente dá as caras ao propor que o Museu Nacional (aquele que sofreu um incêndio terrível em setembro de 2018) nos deixou levando o crânio de Luzia e demais peças de preciosas coleções, bem como descrevendo a partida das construções de Brasília como um manada de elefantes brancos.

As ilustrações de Rômolo d’Hipólito são bastante coloridas e minuciosas, inserindo referências a incêndios e queimadas, os desastres que ocorrem em meio a nossa urbanidade, problemas da gentrificação, os biossistemas e a preservação de recursos vivos da natureza.

Sobre Estevão Azevedo

Mestre em letras e literatura brasileira pela FFLCH-USP, Estevão Azevedo é escritor e editor. Tem contos publicados em revistas e na antologia Popcorn unterm Zuckerhut – Junge brasilianische literatur, lançada na Alemanha em 2013.

Publicou o livro de contos O som de nada acontecendo (2005), e os romances Nunca o nome do menino (2008) e Tempo de espalhar pedras (2014), escolhido como o Livro do Ano do Prêmio São Paulo de Literatura 2015. Sua estreia na literatura para crianças se dá com O dia em que meu prédio deu no pé (2021).

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Sobre Rômolo D'Hipolito

Rômolo D’Hipólito nasceu na cidade de Foz de Iguaçu e estudou design na PUC-PR, fazendo residências artísticas em Hong Kong, Malásia, Tailândia, Japão, Hungria, Croácia, Itália, Espanha, Marrocos, México e Guatemala.

Já trabalhou com editoras, jornais, agências de publicidade e faz trabalhos comissionados. Além de ilustrar, também atua com pintura, escultura, quadrinhos, animação e artes digitais. Seu trabalho foi reconhecido e premiado pela Folha de São Paulo e o Festival Animamundi, recebeu uma menção honrosa no Golden Pinwheel Young Illustrators Competition (Shanghai) e uma de suas obras passou a fazer parte do acervo do Museu de Arte do Rio (MAR).

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Informações técnicas

ISBN: 9788574069586

EAN: 9788574069586

Páginas: 40

Dimensões e acabamento

0.5 × 21 × 27 cm

Peso: 205 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

Tipos de leitura

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Assuntos

Ah, que pena!

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