Capa Migrando

Migrando

Migrar de um lugar para outro, às vezes por vontade própria, às vezes movido por outras circunstâncias como fuga da miséria ou da morte, é sempre um voo cheio de incertezas...

Resenha literária

Sair da terra-mãe para outro lugar pode ser um ato planejado, sonhado, calculado, isto é, um projeto de vida, um novo curso, a primeira vez sozinho no mundo para dar um salto na carreira profissional ou acompanhar a família no aprendizado de um novo idioma. Sair da terra-mãe para mergulhar em outro país pode ser tanta coisa! Lançar-se à vida com olhar de estranhamento, de dentro e de fora, dos olhos dos outros.

Migrar também pode ser um acaso, um sopro de vida, a boia de salvação em alto mar, a pulsão de vida clamando, a fuga, o apartar abrupto dos amores, a mão que socorre do pânico. Sentimos, de repente, a última cartada, o tudo ou nada, o desespero em looping, o afogamento, até mesmo o tornar-se presa de uma gaiola humana, como a proposta de um ex-presidente americano que ordenou não só prender imigrantes ilegais, como separá-los de suas crianças. Enjaular as crianças!

Cada pessoa, ao ver-se em terra alheia, há de enfrentar medos e surpresas. E a artista argentina Mariana Chiesa Mateos empresta seu repertório de vida para criar duas narrativas visuais que ilustram diversas maneiras de ser migrante no mundo. São duas entradas em um mesmo livro que se propõe evidenciar diferentes olhares que nutrimos em relação às pessoas que migram. Em uma das capas, já vemos um céu tomado por pássaros de asas verdes com cabeças humanas, sobrevoando uma paisagem de árvores e ramos novos; ao virarmos o livro, encontramos, na outra capa que nos convida à leitura, os mesmos pássaros ao longe e, abaixo deles, três pequenas embarcações com muita gente indo adiante em um mar que se mostra desde os bancos de corais, onde um cardume parece realmente buscar refúgio frente a letais águas vivas...

Entre o silêncio e a imagem que grita, a autora desperta os sentimentos que nos torna humanos mais empáticos: medo, saudade, amor, compaixão, raiva, esperança. É um livro sensível que pede tempo e releituras, uma publicação que as crianças podem ler no aconchego de casa ou no espaço de discussões que é a escola.

Sobre Mariana Chiesa Mateos

A artista nasceu em 1967, na cidade de La Plata, na Argentina, onde cursou Belas Artes. Aos trinta anos fez o caminho inverso de seus pais: mudou-se para a Europa, primeiro para Barcelona, e mais tarde, em 2008, para a Itália, morando hoje em Bolonha. Mariana se dedica à pintura, à gravura, à ilustração de livros e às histórias em quadrinhos. Seu primeiro livro foi uma obra coletiva, Minhas primeiras 80 mil palavras, publicada em 2002, na Espanha. Dois anos depois, em 2004, ela publicou os livros Tipos ilustrados e, em parceria com a escritora mexicana Sandra Arenal, Sem tempo para brincar: histórias de crianças trabalhadoras - que foi selecionado para o catálogo White Ravens, da International Youth Library, e lhe valeu uma menção especial por seu trabalho.

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Informações técnicas

ISBN: 9788573265903

EAN: 9788573265903

Páginas: 72

Dimensões e acabamento

0.7 × 20 × 20 cm

Peso: 200 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

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