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Um poema de Arnaldo Antunes pode virar palavra cantada ou um livro ilustrado para crianças. Aqui, as palavras brincantes associam diversos animais em diferentes etapas da vida.

Resenha literária

Os versos começam evocando a origem da vida: “o girino é o peixinho do sapo”. E, entrelaçando duas espécies de animais diferentes, o improvável é impresso por um dos maiores representantes da poesia concreta no Brasil, o também músico Arnaldo Antunes.

Na sequência, o poeta brinca com as características dos animais, com o que se espera deles e também com o que perpassa pelo comportamento humano, ou até com o que antecede a palavra: “o silêncio é o começo do papo”.

As ilustrações que acompanham os versos são de Thiago Lopes que possui um traço próximo da linguagem do cartum e das charges, acrescentando uma camada de leitura a alguns dos versos do poeta, ora trazendo o humor do inusitado, da sátira, ora fazendo um gracejo gratuito. Divertidas, as ilustrações colaboram para aguçar a imaginação do leitor. Já pensou um bando de porcos uniformizados, alguns utilizando óculos, saindo da escola, portando mochilas e livros? Ou uma tartaruga bem acomodada em sua poltrona da sala/casa/casco? São desenhos curiosos que possivelmente receberão olhares inquietos. Os animais são apresentados em situações hilárias e inesperadas, ao mesmo instante em que estamos diante de informações sobre as espécies e de como se relacionam: “o cavalo é o pasto do carrapato”.

E então, a palavra “cultura” pode ser interpretada de diferentes maneiras até chegar no final, quando estamos diante de uma orquestra de bactérias. O que caracteriza uma determinada cultura? O que se espera de uma cultura? Pode-se questioná-la? Estas interrogações são possíveis ao longo da leitura, seja pelo pequeno leitor, seja pelo mediador.

Ler poesia para crianças é sempre uma tentativa de aproximá-las do senso de liberdade, da multiplicidade de interpretações e principalmente do livre sentir. E por que isso se faz importante? Bem, caminhar por um terreno seguro para ser o que realmente somos, onde podemos sentir e também verbalizar as emoções é uma boa premissa de saúde mental. E isso vale muito.

Sobre Arnaldo Antunes

Antes mesmo de ser um famoso Titã, o poeta e músico Arnaldo Antunes já era um apaixonado pela palavra. Inclusive, chegou a cursar Letras na USP (Universidade de São Paulo) no período anterior à banda de rock, com a qual gravou sete discos.

Em carreira solo a partir de 1992, lançou os discos: Nome, Ninguém, O silêncio, Um som, O corpo, Paradeiro, Saiba, Qualquer, Ao vivo em estúdio, Iê Iê Iê, Disco, Ja é, RSTUVXZ, O Real Resiste e Lágrimas no Mar.

Além do estrondoso Tribalistas, parceria com Marisa Monte e Carlinhos Brown e Pequeno Cidadão, com Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto. Arnaldo Antunes é considerado um dos maiores poetas concretos do nosso país. Publicou dezenas de livros, dentre os quais alguns títulos dedicados à infância.

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Sobre Thiago Lopes

Nasceu em 1987, em São Paulo. É desenhista e ilustrador, graduado em Design Gráfico pela Universidade Belas Artes e Pós-graduado em Design Editorial pelo Senac. Com pesquisas realizadas na área de ilustração infantil e design gráfico, é autor do livro Junta, separa e guarda em parceria com Vera Lucia Dias (editora Callis).

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Informações técnicas

ISBN: 9788573213782

EAN: 9788573213782

Páginas: 48

Dimensões e acabamento

0.5 × 22.2 × 22.6 cm

Peso: 210 g

Acabamento: Brochura

Competências gerais BNCC

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