Vitor Bellicanta nos convida a um passeio ao ar livre, com os pés descalços, respiração tranquila e o olhar atento ao que acontece ao redor. A menina aprende a brincar com a cadela, a cadela aprende a procurar a cutia, a cutia aprende a plantar a palmeira… e assim, de ser em ser, o livro tece uma corrente em que cada um aprende com o próximo. Nela cabem a cooperação e também o confronto, como o jacaré que luta com a onça ou a formiga que enfrenta o pica-pau. E cabemos nós, humanos, como mais um elo dessa trama, na mesma altura de todos os outros.
Dar nome às coisas talvez seja uma das primeiras maneiras de organizar o mundo, mas há momentos em que a linguagem parece chegar depois: primeiro vem a mudança da luz, a brisa quente, o movimento de uma folha, e só então a palavra. As ilustrações em nanquim e aquarela dão esse tempo a quem lê.
A menina aparece minúscula diante da montanha, os bichos se escondem entre folhagens e troncos, e as frases se acomodam na paisagem, como a que sobe por um tronco junto com a formiga. Do dia claro até a noite de lua, um detalhe observado com atenção conduz a outro, e mais outro, até que aquilo que parecia apenas paisagem se revela uma rede de relações.