Capa A mulher que matou os peixes

A mulher que matou os peixes

Numa confissão às crianças, Clarice Lispector declara seu amor aos animais e pede perdão pela morte de dois peixinhos. História adornada pelas colagens de sua neta, a artista Mariana Valente.

Resenha literária

A leitura é uma experiência única, subjetiva. Por isso, um mesmo texto toca as pessoas de maneiras diferentes. E ler os escritos que Clarice Lispector destinou especialmente às crianças é algo especial. Esse livro, então, tomado de simbologias, é uma aposta certa de emoção, desde a capa.

A autora parte da culpa por ter matado acidentalmente os peixes do filho, para reunir em uma prosa, que mais se assemelha com uma conversa (ou confissões?!), as experiências que teve com diversos animais ao longo da vida. Suas lembranças enquanto ainda criança são costuradas às vivências e ocupações de uma mulher, escritora, esposa de diplomata e mãe. Clarice conserva o desejo de dialogar com o leitor ao longo de sua prosa, instigando-o a todo instante a participar da construção desse diálogo: “Diga baixinho o nome de vocês e meu coração vai ouvir”.

É nítido o apreço aos animais, nenhum deles lhes passa desapercebido, nem mesmo os que lhes foram obrigados à convivência como ratos e baratas. Clarice nos conta dos casos em que foi arrebata por encantamento instantâneo por certos bichos e de como esses encontros muitas vezes foram breves. Tem história com gato, cachorro, lagartixa, coelho e até macaco. Seu apreço por animais nos faz lembrar que a morte muitas vezes não é o fim.

As ilustrações do livro foram encomendadas a Mariana Valente, neta de Clarice. A mesma relata que foi um trabalho “muito revelador”, principalmente por tratar de temas como morte e finitude. A artista adornou o projeto gráfico do livro com colagens coloridas e em preto e branco, que remetem à passagem do tempo. Há momentos de exuberância e de pequenez nas imagens escolhidas. Há também um bailar entre a vida e o fim das coisas, entre ser e não estar.

Clarice pede perdão às crianças. E todos nós a abraçamos.

Sobre Clarice Lispector

Uma das escritoras mais importantes do século XX e também uma das mais estudadas pela academia brasileira, Clarice Lispector escreveu para adultos e para crianças. Clarice chegou ao Brasil ainda bebê na companhia de seus pais, refugiados da perseguição aos judeus na Ucrânia. Morou em Maceió e no Recife, mudando-se para o Rio de Janeiro aos doze anos.

Em 1941, Clarice passou a cursar a Faculdade Nacional de Direito, e atuou como redatora na Agência Nacional. Passou por experiências também no jornal A Noite. Em 1943, casou-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Em 1944 o casal se formou em Direito, mesmo ano de publicação do seu primeiro romance, Perto do coração selvagem que inaugurou uma nova linguagem à prosa e arrebatou a crítica, sendo vencedor do Prêmio Graça Aranha.

Clarice acompanhou o marido diplomata durante alguns anos em viagens, e se tornou mãe de dois filhos. O divórcio ocorreu em 1959, ano em que ela retornou à cidade do Rio de Janeiro e passou a trabalhar no jornal O correio da manhã. Em 1967, Clarice lança seu primeiro livro dedicado às crianças, o premiado O mistério do coelhinho pensante. Neste mesmo ano, a escritora e jornalista sofre graves queimaduras pelo corpo, o que a fez passar por algumas cirurgias e viver isolada. Publicou A hora da estrela em 1977, sua última obra em vida.

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Sobre Mariana Valente

Artista visual e designer gráfica, nascida no Rio de Janeiro, Mariana Valente é bastante conhecida por suas produções com recortes e colagem, além da ressignificação de objetos aparentemente sem valor. Além do trabalho como ilustradora, também oferece oficinas de colagem em São Paulo, onde vive. Mariana é neta de Clarice Lispector.

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Informações técnicas

ISBN: 9786589642251

EAN: 9786589642251

Páginas: 48

Dimensões e acabamento

0.8 × 25 × 25 cm

Peso: 430 g

Acabamento: Capa-dura

Competências gerais BNCC

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