Lojas lotadas, Papai Noel para todo lado, e a expectativa pelo presente desejado. Embora o Natal e consumo andem lado a lado, esta época também pode impulsionar diálogos significativos e aprendizagem grandiosos sobre os assuntos de fim de ano. Para entender a melhor como aprofundar temas importantes para repensar a cada encerramento de ciclo junto com as crianças, batemos um papo com a psicóloga Hellen Florio, que é especializada em atendimento parental e perinatal.
Para ela, um bom ponto de partida é fazer a pergunta: “filho, o que o Natal significa para você?” e, a partir da resposta, desenrolar o tema. Caso a criança esteja muito focada em Papai Noel, por exemplo, é possível ter jogo de cintura para não quebrar a fantasia. “O Papai Noel pode trazer outras coisas além de presentes. Como a união da família, por exemplo. E o presente vai vir como consequência dessa união”, sugere a psicóloga.
Afeto e gratidão são sentimentos que estão diretamente vinculados ao ato de presentear alguém – e dá para envolver as crianças nesse processo. Em dezembro, levar os pequenos para shoppings e centros comerciais pode ser uma tarefa bem desafiadora. Mas, quando possível, pedir a ajuda das crianças para escolher o presente de pessoas especiais faz com que elas comecem a assimilar essa tradição.
Assim, fica mais fácil entender que presentear tem a ver com afeto e não com o valor do item em si. E, para isso, não é preciso quebrar a mística em torno do Papai Noel. A psicóloga sugere que, a depender da idade da criança, dá para dizer que vocês estão ajudando o bom velhinho a escolher os presentes. Da mesma forma, envolva a criança no ato de presentear os porteiros do prédio ou a equipe da escola, por exemplo. Vale a pena ter diálogos significativos sobre a importância dessas pessoas na nossa vida.
Para presentear pessoas próximas, é bacana também pensar em mimos afetivos feitos pela própria criança, como:
- um desenho pensado especialmente para alguém;
- um cartão de natal idealizado pela família e assinado por todos;
- uma foto bonita para ser impressa e dada com um porta-retrato;
- o preparo de algum quitute especial ou de uma receita da família.
Isso tudo serve como ponto de partida para falar sobre amor, carinho e sobre por que devemos agradecer as pessoas que estão com a gente ao longo do ano. Hellen frisa que a manualidade é importante aqui. Deixe a criança se expressar, para sentir que está realmente fazendo parte da atividade.
Direto do Instagram: 5 ideias para ter um Natal mais brasileiro em 2025
TEMAS de fim de ano: e aqueles que são mais abstratos?
Conceitos abstratos, como gratidão, nem sempre são facilmente assimilados. Mas há maneiras de abordar temas subjetivos que costumam aparecer nessa época do ano. “Chame a criança para ajudar você em alguma tarefa, como preparar arroz ou dobrar roupa e converse sobre como o envolvimento dela deixa você feliz, porque você consegue fazer as coisas mais rápido. Isso é gratidão”, diz Hellen.
Uma boa ideia nesse sentido é envolver as crianças no preparo da ceia de Natal e Ano Novo, que tal? É uma ótima maneira de ampliar o convívio familiar, criando memórias. Também é um momento muito propício para falar sobre união — outro tema recorrente nessa época — e a importância de celebrar momentos especiais ao lado de pessoas queridas.
Seu filho sabe o que significa generosidade? Ele pode aprender através de ações de caridade. Há diversas campanhas de Natal que buscam voluntariado e que podem ser exercidas também pelos pequenos. Se a criança já não acredita mais em Papai Noel, fica mais simples explicar que nem todas as famílias têm condições iguais para comprar presentes e que sempre é possível colaborar para deixar a data mais feliz para todos.
É um tema delicado, mas que pode ser assimilado desde cedo. Essa conversa pode abordar aspectos socioeconômicos (de maneira simplificada e condizente com a maturidade de cada idade) e fazer com que a criança assimile melhor o fato de que as coisas têm um custo. Hellen diz que com cinco ou seis anos já é possível começar a conversar sobre a existência e o valor do dinheiro.
frustração e impaciência: não são só os sentimentos felizes que aparecem nessa época do ano
Para além dos sentimentos bonitos e de toda a alegria envolvida no Natal, a frustração também é um tópico que pode surgir nesta época do ano. Afinal, nem sempre a criança vai ganhar o presente que desejou ou comemorar a data como idealizou. Os pais precisam estar preparados para encarar esse momento de maneira duplamente acolhedora – validando o sentimento da criança e a própria frustração em não poder proporcionar o que a criança esperava.
Leia mais: Como os pais lidam com a frustração de errar com os filhos?
“Os pais se cobram muito no fim do ano. Quem está cuidando dessa mãe e desse pai para que eles consigam se regular e possam estar saudáveis para acolher os filhos?”, destaca a psicóloga. Ou seja, é imprescindível que os adultos encarem os próprios sentimentos, buscando caminhos para fortalecer a saúde mental.
No que diz respeito à frustração da criança, tenha paciência e não invalide a tristeza dela. “Se ela chorar, é porque essa é forma de comunicação dela”. Cabe ao adulto a tarefa de ajudar a criança a conviver com as frustrações, explicando que nem sempre podemos ter tudo o que desejamos. No momento de tristeza também é válido fazer com que a criança veja o valor das outras coisas que o Natal engloba, como a oportunidade de estar com pessoas queridas com uma mesa farta.
Por fim, Hellen também frisa que, para ter diálogos significativos, é importante fortalecer a comunicação durante o ano todo. Mais do que simplesmente conduzir o papo, é fundamental que os adultos tenham paciência e sensibilidade para ouvir o que realmente angustia a criança ou o que ela pensa sobre determinado assunto. Escute o que os pequenos têm a dizer sobre o que compreendem e o que sentem a respeito desta época tão marcante.
Leia também: A importância de escutar as crianças em todas as fases da vida
estante quindim
Conheça três livros, já entregues à Família Quindim, para entrar no clima de Natal:

