

O livre brincar começa com um convite simples: "Vamos ser abelhas". Depois passarinhos, árvores, o vento, a neve... de repente vocês dois já são a Terra inteira. Shawn Harris não explica essa lógica: ele a performa. A escala só aumenta porque é assim que a brincadeira funciona, e qualquer criança sabe disso antes mesmo de saber nomear.
Vencedor do Caldecott Honor, Harris escolheu o giz de cera não para imitar o traço infantil, mas para aproximar a estética do universo familiar das infâncias. As ilustrações têm a mesma energia do texto, rápidas, cheias de cor e movimento.
Há uma camada que só aparece quando se olha com atenção: a criança e o adulto dentro do livro estão lendo a própria obra. A brincadeira transborda a página porque sempre foi assim, ela existia antes do livro começar.
