








Doca é um menino que vive no subúrbio paulistano durante os anos mais duros da ditadura militar brasileira. Embora sua família não tenha qualquer ligação com intelectuais ou militantes políticos, ainda assim, ele também sente, no cotidiano, os efeitos de um regime autoritário que atravessa a escola, a rua e até sua casa.
Na escola, qualquer espontaneidade pode ser punida. Em casa, o pai, que é capitão do exército, reproduz a mesma lógica de autoridade sobre a esposa e a filha. Ele mantém todos sob um silêncio que pesa mais do que qualquer ordem explícita. O livro revela como o autoritarismo não precisa de decreto para se instalar, se infiltrando no jantar, na hora de dormir, no tom de uma bronca.
Publicado pela primeira vez em 2010 e relançado em 2019, Ordem é ambientado entre 1968 e 1972. Através da voz de menino que observa mais do que entende, Leusa Araujo mostra como a infância de uma criança pode ser moldada silenciosamente por um clima político que ela nem sabe nomear, enquanto aprende a fazer bola de chiclete, ajuda o pai a colocar água no radiador ou some no campinho até as mães chamarem.
