







Na escola, o menino conta que tem um mastodonte em casa! Daquele tipo bem grande e feroz que diz não pra tudo. Arrumar a cama? Não! Fazer o café da manhã? Também não! A lição de casa, então? Nem pensar! Ademais, basta o menino falar um pouco mais alto e pronto: o mastodonte faz birra, joga todo o peso sobre a cama, rabisca os cadernos, enfia-se na mochila e molha a casa toda!
Vale observar juntos as ilustrações: os detalhes da casa, as expressões dos personagens, o tamanho desproporcional do mastodonte espremido nos cômodos — e aquela textura de madeira que faz a criança querer passar o dedo na página. São engraçadas e, bem provável, muito familiares.
O livro de Micaela Chirif e Issa Watanabe retrata a rotina de uma casa com crianças pequenas, em especial a fase em que elas descobrem o poder do não. Uma fase em que essa palavra parece se tornar favorita. Aqui há uma inversão curiosa e bem-humorada de papéis e o menino vira o cuidador, percebendo como o cansaço só não é maior que o amor que a gente sente.

