








Lúcia Hiratsuka faz uma linha em curva e vê ali uma coelha. Depois, surgem tímidos pinguins, de dois pingos com chapéu. Pimentas vermelhas ganham asas... É assim que a sensibilidade desta autora trabalha: com aquarela e o olhar de quem transforma o banal do cotidiano em poesia.
Temos aqui um numerário diferente: a cada virada de página, novas pinceladas acrescentam detalhes a um simples detalhe gráfico, transformando-o em um ser vivo que voa, corre ou se camufla em meio à natureza. Tudo isso diante de nossos olhos. Mais outro exemplo: duas máscaras de teatro e, logo depois, vemos dois bichos-preguiça curtindo uma tarde sonolenta ao acalanto da brisa.
Assim vamos contando até dez, descobrindo formas, cores e detalhes que pedem para ser vistos de perto. Com uma proposta sensível e poética, este livro foi feito para ler devagar, olhando junto. Cada página pede uma pausa e talvez uma pergunta: você viu a mesma coisa que eu?
