

Um grupo de amigos se prepara para um piquenique. Só que o tempo que o leitor levou para abrir o livro parece ter passado dentro dele também. O ovo que devia estar ali já virou pintinho, a árvore esperada ainda não passou de semente, e a nuvem bem branca já chove por completo. O que mais terá mudado enquanto ninguém olhava?
A obra de João Luiz Guimarães e Rosinha reúne um grupo de animais aprontando um piquenique, na expectativa de um dia comum. Só que nada segue o combinado, e é nesse descompasso entre o que se espera e o que de fato acontece que a narrativa se constrói, com cada elemento avançando ou atrasando mais do que devia. Os personagens, e o leitor junto com eles, vão descobrindo como lidar com isso.
As rimas tornam a leitura gostosa de acompanhar, e as ilustrações escondem detalhes que só aparecem numa segunda ou terceira olhada. Vale a pena ir e voltar nas páginas para rever o que escapou. E resta uma pergunta em aberto: será que existe piquenique perfeito, ou a graça está justamente em lidar com o que sai fora do previsto?

