

Este livro convida o leitor a desacelerar, olhar para o mundo ao redor e repensar temas delicados que raramente ultrapassam os batentes de casa rumo à rua e aos espaços compartilhados. Em vez de seguir uma narrativa linear, a obra se constrói por lembranças, imagens e histórias que se entrelaçam, recriando o movimento fragmentado da memória.
Aos poucos, acompanhamos as recordações da narradora sobre uma tia cuja presença permanece envolta em mistério, afeto e silêncio. A escrita aposta numa linguagem poética, marcada pela oralidade, em que cada frase carrega sentidos que ultrapassam o que está posto.
As ilustrações de Elisa Carareto, em lápis de cor e caneta esferográfica, multiplicam esse não-dito: barcos, pássaros e fileiras de contas coloridas atravessam as páginas como ondas, como se o mar estivesse sempre por perto da lembrança, mesmo quando o texto não o nomeia. Assim descobrimos o que a menina lembra sobre a tia que vivia no quarto, passava café a qualquer hora do dia, e que, de repente, foi levada sem explicações.
Gabriela Romeu e Elisa Carareto não entregam respostas prontas: convidam a sentar com as perguntas que o livro levanta, e com o desconforto de não conseguir respondê-las. Uma obra delicada e profundamente humana, que fala sobre família, memória e pertencimento. Mas também sobre tudo aquilo que permanece sem nome dentro de uma casa.

