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CLARICE

Texto: Roger Mello

Ilustração: Felipe Cavalcante

Editora: Global
Durante ditadura militar brasileira, Clarice joga livros no Lago Paranoá sem entender por que eles seriam responsáveis pelo desaparecimento de alguém. Ao mesmo tempo em que busca compreender os acontecimentos, a menina receia até mesmo pensar em voz alta.
SINOPSE
Foto do resenhista Giulia Batelli
por Giulia Batelli

Há um medo constante: ser considerado subversivo. Mas o que isso significa? Clarice ainda não concebe a definição da palavra, mas sabe qual é a sensação do medo de ser uma pessoa subversiva. Por ser subversiva, sua mãe desaparecera.

No meio da noite, livros amarrados a pedras são jogados do alto de uma ponte em um lago. Por que afundar livros? É o que Clarice se pergunta. Fazer fumaça chamaria a atenção, respondem, e E.L.E.S logo os encontrariam. Clarice não consegue entender como alguém poderia desaparecer por causa de um livro. Um livro vermelho, diziam. Até chapeuzinho vermelho estaria proibida, pensou Clarice com humor. E.L.E.S estavam sempre atentos aos passos das pessoas. O medo percorria até os pensamentos. Vai que, sem querer, se pense em voz alta. Mesmo que o medo seja um sentimento presente, a resistência e a oposição ao que E.L.E.S representam são coisas necessárias.

Nesta narrativa, assistimos ao protagonismo infantil e o retrato da ditadura militar. O cenário é a cidade de Brasília, projetada por Lúcio Costa, com o paisagismo de Burle Marx e marcada pelo clima do cerrado. Roger Mello também cita detalhes pouco conhecidos da capital federal como a Vila Amaury, instalação residencial temporária que ficou submersa no Lago Paranoá. O escritor tem uma escrita apurada e escolhe cada detalhe com alguma razão importante; um exemplo são as referências à Clarice Lispector, não apenas no nome da personagem, mas também na epígrafe e na menção ao texto Brasiliários que ela escreveu, tendo visitado a cidade duas ou mais vezes, entre 1969 e 1970. Outro destaque é o projeto gráfico, que amplia as perspectivas da leitura e proporciona grande satisfação ao abrirmos o livro. 

É evidente a importância da memória para a personagem. Em certo momento, questiona-se se as lembranças de Clarice são rasgos de sua imaginação. Porém, tudo o que lhe restou são estas reminiscências e, com leveza e sensibilidade, o leitor de hoje conseguirá se conectar com a história desta criança. Para quem não viveu estes anos pesados, o retrato ficcional mantém viva a história coletiva de uma época. 

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Faixa etária: 6-8, 9+
Ano: 2018
País: Brasil
ISBN: 9788526024021
DIMENSÕES E ACABAMENTO
25.6 cm x 17 cm x 1.6 cm
Peso: 440 g
Páginas: 124
COMPETÊNCIAS GERAIS BNCC
Pensamento científico, crítico e criativo, Conhecimento, Repertório Cultural
PRÊMIOS
Prêmio White Ravens, Prêmio FNLIJ - Jovem Hors-Concours, Prêmio Jabuti - Projeto Gráfico, Láurea Altamente Recomendável - Jovem da FNLIJ, Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional - Projeto Gráfico
TIPOS DE LEITURA
Para refletir, Para se emocionar, Para conversar sobre temas difíceis
GÊNEROS
Novela, Realismo histórico
ASSUNTOS
Família, Suspense, Medo, Memória, Morte, Liberdade, História Geral, Resistência, Ditadura militar, Protagonismo infantil, Censura, História do Brasil, Brasília
SOBRE ROGER MELLO
Foto do autor Roger Mello
Escritor e ilustrador nascido em Brasília, o premiadíssimo Roger Mello é autor de livros para crianças e jovens, peças de teatro, além de realizar muitos outros trabalhos no campo das visualidades: revista, desenho animado, estamparia, design gráfico, direção de arte. É também ator e cantor de bossa nova. Ao longo dos anos, detém vários prêmios do Jabuti, da ABL, da UBE, estendendo o reconhecimento para a cena internacional, iniciando como o melhor livro do ano da Fondation Espace Enfants (Suíça), em 2002, pela obra Meninos do mangue; homenageado no Escale Brésil, do Salão do Livro de Montreuil (França), em 2005; Prêmio Hans Christian Andersen 2014, conferido a ele como ilustrador, pelo International Board on Book for Young Peope (IBBY) e, no mesmo ano, recebeu ainda o Prêmio Internacional Chen Bochui para melhor autor estrangeiro (China). Tem participado de feiras e exposições de sua obra em diferentes países, transformando o mundo em um lugar sem fronteiras para a expressão de seu carisma e livros.
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SOBRE FELIPE CAVALCANTE
Foto do autor Felipe Cavalcante
Felipe Cavalcante é designer, ilustrador e artista plástico. Mestre em arte contemporânea e bacharel em desenho industrial pela Universidade de Brasília (UnB) já teve seu trabalho exposto em diferentes mostras nacionais e internacionais. Em 2018, publicou com Roger Mello o livro premiadíssimo Clarice. Professor substituto do Departamento de Design da UnB, ministrou as disciplinas de tipografia, ilustração e materiais e processos de impressão. Faz parte do Irmãos Colagem, projeto coletivo com Júlio Lapagesse e Pedro Ivo Verçosa desenvolvendo colagens gigantes. Também com Verçosa é criador da revista Sem/Registro, curadoria portátil de gravuras em serigrafia. É um dos fundadores do Mopa, estúdio de design e ilustração.
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