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A MULHER QUE MATOU OS PEIXES

Texto: Clarice Lispector

Ilustração: Mariana Valente

Editora: Rocco
Numa confissão às crianças, Clarice Lispector declara seu amor aos animais e pede perdão pela morte de dois peixinhos. História adornada pelas colagens de sua neta, a artista Mariana Valente.
SINOPSE
Foto do resenhista Dauana Vale
por Dauana Vale

A leitura é uma experiência única, subjetiva. Por isso, um mesmo texto toca as pessoas de maneiras diferentes. E ler os escritos que Clarice Lispector destinou especialmente às crianças é algo especial. Esse livro, então, tomado de simbologias, é uma aposta certa de emoção, desde a capa.

A autora parte da culpa por ter matado acidentalmente os peixes do filho, para reunir em uma prosa, que mais se assemelha com uma conversa (ou confissões?!), as experiências que teve com diversos animais ao longo da vida. Suas lembranças enquanto ainda criança são costuradas às vivências e ocupações de uma mulher, escritora, esposa de diplomata e mãe. Clarice conserva o desejo de dialogar com o leitor ao longo de sua prosa, instigando-o a todo instante a participar da construção desse diálogo: “Diga baixinho o nome de vocês e meu coração vai ouvir”.

É nítido o apreço aos animais, nenhum deles lhes passa desapercebido, nem mesmo os que lhes foram obrigados à convivência como ratos e baratas. Clarice nos conta dos casos em que foi arrebata por encantamento instantâneo por certos bichos e de como esses encontros muitas vezes foram breves. Tem história com gato, cachorro, lagartixa, coelho e até macaco. Seu apreço por animais nos faz lembrar que a morte muitas vezes não é o fim.

As ilustrações do livro foram encomendadas a Mariana Valente, neta de Clarice. A mesma relata que foi um trabalho “muito revelador”, principalmente por tratar de temas como morte e finitude. A artista adornou o projeto gráfico do livro com colagens coloridas e em preto e branco, que remetem à passagem do tempo. Há momentos de exuberância e de pequenez nas imagens escolhidas. Há também um bailar entre a vida e o fim das coisas, entre ser e não estar.

Clarice pede perdão às crianças. E todos nós a abraçamos.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Faixa etária: 6-8
Ano: 2017
País: Brasil
ISBN: 9788562500800
DIMENSÕES E ACABAMENTO
25 cm x 25 cm x 1 cm
Peso: 450 g
Páginas: 48
COMPETÊNCIAS GERAIS BNCC
Autoconhecimento e autocuidado, Empatia e cooperação, Repertório Cultural
PRÊMIOS
Revista Crescer - 30 melhores livros infantis do ano
TIPOS DE LEITURA
Para refletir, Para se divertir, Para se emocionar
GÊNEROS
Álbum ilustrado, Fábula e história de animais, Conto, Realismo cotidiano
ASSUNTOS
Família, Empatia, Cotidiano, Infância, Arte, Suspense, Amor pelos animais, Memória, Morte, Ofício de Escritor, Criança, Memória inventada, Criação literária, Lembranças, Subjetividade, Perdão, Desculpa, Animal de estimação, Bicho de estimação, Peixes
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO
Revista Prosa, Verso e Arte - Crônica Macacos
SOBRE CLARICE LISPECTOR
Foto do autor Clarice Lispector
Uma das escritoras mais importantes do século XX e também uma das mais estudadas pela academia brasileira, Clarice Lispector escreveu para adultos e para crianças. Clarice chegou ao Brasil ainda bebê na companhia de seus pais, refugiados da perseguição aos judeus na Ucrânia. Morou em Maceió e no Recife, mudando-se para o Rio De Janeiro aos doze anos. Em 1941, Clarice passou a cursar a Faculdade Nacional de Direito, e atuou como redatora na Agência Nacional. Passou por experiências também no jornal A Noite. Em 1943 casa-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Em 1944 o casal se formou em Direito. Seu primeiro romance é publicado em 1944. Perto do coração Selvagem inaugura uma nova linguagem à prosa e arrebata a crítica. O livro é o vencedor do prêmio Graça Aranha. Clarice acompanha o marido diplomata em alguns anos de viagens, e se torna mãe de dois filhos. O divórcio ocorreu em 1959, e ela retorna à cidade do Rio de Janeiro e passa a trabalhar no jornal O correio da manhã. Em 1967, Clarice lança seu primeiro livro dedicado às crianças, o premiado O mistério do coelhinho pensante. Neste mesmo ano, a escritora e jornalista sofre graves queimaduras pelo corpo, o que a fez passar por algumas cirurgias e viver isolada. Publicou A hora da estrela em 1977, sua última obra em vida.
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SOBRE MARIANA VALENTE
Foto do autor Mariana Valente
Artista e designer gráfica, utiliza a colagem como principal técnica de seu trabalho.
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