{"id":74753,"date":"2026-10-29T10:44:39","date_gmt":"2026-10-29T13:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=74753"},"modified":"2026-10-29T10:44:40","modified_gmt":"2026-10-29T13:44:40","slug":"construcoes-de-genero-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/construcoes-de-genero-infancia\/","title":{"rendered":"Como conversar sobre constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero ainda na inf\u00e2ncia?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 2 ou 3 anos, as crian\u00e7as j\u00e1 come\u00e7am a entender diferencia\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, segundo o relat\u00f3rio <em>Combatendo a desigualdade de g\u00eanero desde a primeira inf\u00e2ncia<\/em>, do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF). Essa diferencia\u00e7\u00e3o, por sua vez, \u00e9 assimilada aos poucos, a partir dos comportamentos observados em casa, no conv\u00edvio com outras crian\u00e7as e em ambientes externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, s\u00e3o incorporadas associa\u00e7\u00f5es e ideias do que significa, na sociedade em que vivemos, ser uma menina ou um menino. Atualmente, as discuss\u00f5es j\u00e1 avan\u00e7aram: separa\u00e7\u00f5es de brinquedos, cores e brincadeiras, por exemplo, como se fossem exclusivas para meninos ou meninas, j\u00e1 passam a ser questionadas. Mas ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel ir al\u00e9m na discuss\u00e3o com as crian\u00e7as? De alguma forma, ainda na inf\u00e2ncia, podemos <strong>ampliar as conversas sobre como as performances de g\u00eanero<\/strong> podem ser questionadas e constru\u00eddas de maneira mais espont\u00e2nea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Isabela Venturoza, doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do N\u00facleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferen\u00e7a (NUMAS\/USP), com atua\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, masculinidades e feminismos, a reprodu\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is de g\u00eanero come\u00e7a nos primeiros grupos de socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, ainda durante a primeira inf\u00e2ncia. Esse aprendizado tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem e \u00e0 <strong>maneira como cada crian\u00e7a passa a interpretar o mundo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c0 medida que as crian\u00e7as v\u00e3o adquirindo linguagem e vivenciando s\u00edmbolos, elas s\u00e3o estimuladas por brinquedos, cores e pelo que fazem as meninas e os meninos dentro da pr\u00f3pria casa, pelos pais. N\u00e3o \u00e9 tanto uma quest\u00e3o de compreender, mas de incorporar essas refer\u00eancias muito cedo\u201d, explica Isabela, que tamb\u00e9m \u00e9 mestra em Antropologia Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e docente de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia e Sociologia na Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESPSP).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69478\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Para os meninos, o \u00f3dio ao feminino ainda \u00e9 um dos pilares da identidade masculina&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pensamos na constru\u00e7\u00e3o de g\u00eanero durante a inf\u00e2ncia, um ponto chama a aten\u00e7\u00e3o: enquanto as meninas recebem diferentes est\u00edmulos relacionados \u00e0 <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/transtornos-alimentares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">press\u00e3o est\u00e9tica<\/a>, \u00e0s normas de comportamento e \u00e0s formas de consumo e cuidado \u2014 consigo mesmas e com terceiros \u2014 como meios de reproduzir a feminilidade, <strong>os meninos aprendem que, para al\u00e9m dos s\u00edmbolos associados ao imagin\u00e1rio masculino, como for\u00e7a, prote\u00e7\u00e3o e a ideia do provedor, o \u00f3dio ao feminino \u00e9 uma forma de assegurar sua masculinidade<\/strong>, seja diante das meninas, seja, especialmente, entre os pr\u00f3prios meninos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao recha\u00e7ar outros meninos que apresentam comportamentos associados ao feminino, como o interesse por \u00e1reas historicamente relacionadas \u00e0s meninas, a exemplo da moda e da beleza, ou determinados tra\u00e7os comportamentais, como ser mais carinhoso ou permitir-se ser vulner\u00e1vel, a crian\u00e7a reafirma sua pr\u00f3pria ideia de masculinidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T115836.573.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero\" class=\"wp-image-74763\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T115836.573.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T115836.573-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/valentim-de-todas-as-cores\/chiara-mezzalama\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Valentim de todas as cores&#8217;<\/a>, de Reza Dalvand e Chiara Mezzalama | Foto: Samuel Gregory<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sandro Justo, professor de Sociologia do Col\u00e9gio Pedro II, no Rio de Janeiro, mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em Servi\u00e7o Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolve atividades pedag\u00f3gicas com estudantes para debater masculinidades, questionar padr\u00f5es de g\u00eanero e prevenir a viol\u00eancia de g\u00eanero por meio da educa\u00e7\u00e3o. Ele explica que as diferen\u00e7as de g\u00eanero, constru\u00eddas desde cedo, s\u00e3o uma das bases da misoginia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssas diferen\u00e7as de g\u00eanero acabam sendo mobilizadas, principalmente pelos meninos, mas n\u00e3o somente, como uma ferramenta de manuten\u00e7\u00e3o de desigualdades e viol\u00eancias de g\u00eanero. [&#8230;] Esse \u00f3dio a tudo que \u00e9 muito associado ao feminino, essas bases simb\u00f3licas da misoginia s\u00e3o constitu\u00eddas desde muito cedo\u201d, pontua Sandro em entrevista \u00e0 Revista Quindim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/como-explicar-misoginia-para-meninos-e-meninas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como explicar misoginia para meninos e meninas?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>um movimento orquestrado<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, um movimento chamado Red Pill \u2014 refer\u00eancia \u00e0 p\u00edlula vermelha que revela a verdade sobre o sistema no filme <em>Matrix<\/em> \u2014 ganhou espa\u00e7o em ambientes digitais, alcan\u00e7ando especialmente meninos e adolescentes. O discurso difundido \u00e9 o de que meninos rejeitados pelas meninas devem se vingar, pois estariam sendo exclu\u00eddos pelo grupo feminino. Os conte\u00fados da chamada \u201cmachosfera\u201d s\u00e3o diversos e t\u00eam grande alcance: segundo a pesquisa <em>A Misoginia no Brasil<\/em>, realizada pela Hibou Pesquisas e Insights em mar\u00e7o de 2026, 61,1% dos homens e meninos entrevistados j\u00e1 haviam tido contato com conte\u00fados Red Pill nas redes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os fatores que ajudam a explicar esse fen\u00f4meno est\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o a um movimento anterior: \u00e9 ineg\u00e1vel que, embora ainda a passos pequenos, <strong>o movimento feminista ganhou espa\u00e7o nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/strong>. Mulheres conquistaram direitos, ingressaram no mercado de trabalho, alcan\u00e7aram independ\u00eancia financeira e passaram a se afastar da obrigatoriedade de seguir o roteiro do casamento e da constitui\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia \u2014 o que n\u00e3o significa, \u00e9 claro, que n\u00e3o possam fazer essas escolhas por vontade pr\u00f3pria. As meninas, por sua vez, tamb\u00e9m refletem essas mudan\u00e7as, sendo criadas com mais liberdade e igualdade de g\u00eanero. Na Sociologia, esse movimento de resposta a uma transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado de Teoria dos contramovimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, <strong>enquanto cada vez mais mulheres e meninas se apropriam de seus direitos e de sua identidade, a discuss\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7a na mesma medida entre os homens<\/strong>, inclusive entre pais e meninos. Assim, surge um \u201cn\u00e3o lugar\u201d para tantos meninos, que se veem ressentidos com o comportamento feminino e tamb\u00e9m pressionados a provar seu valor enquanto homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/como-criar-meninos-mais-respeitosos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como criar meninos mais respeitosos e n\u00e3o violentos na pr\u00e1tica<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T123059.591.jpg\" alt=\"Valentim de todas as cores\" class=\"wp-image-74764\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T123059.591.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-2026-10-28T123059.591-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/valentim-de-todas-as-cores\/chiara-mezzalama\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Valentim de todas as cores&#8217;<\/a>, de Reza Dalvand e Chiara Mezzalama | Foto: Samuel Gregory<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 outra quest\u00e3o importante nessa discuss\u00e3o. Para Sandro, o est\u00e1gio do capitalismo em que vivemos tamb\u00e9m \u00e9 um fator crucial para analisar o avan\u00e7o do movimento Red Pill e da misoginia no mundo. Para jovens que sempre foram ensinados que um dos principais s\u00edmbolos da masculinidade \u00e9 a figura do homem provedor, a frustra\u00e7\u00e3o dessa expectativa diante da realidade tamb\u00e9m pode abrir espa\u00e7o para discursos de \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsses jovens chegam \u00e0 conclus\u00e3o de que essa imagem do homem provedor \u00e9 pouco realiz\u00e1vel, especialmente na sociedade brasileira, por exemplo, onde 40% da classe trabalhadora est\u00e1 no trabalho informal e precarizado. Ent\u00e3o, veem ruir na sua frente a promessa da sociedade patriarcal, do homem que prov\u00ea a todos. O movimento Red Pill consegue se aproveitar dessas contradi\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o reais. Nenhuma ideologia pol\u00edtica consegue penetrar de tal forma na sociedade se ela n\u00e3o dialogar em algum sentido com elementos reais\u201d, comenta Sandro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tipo de conte\u00fado tamb\u00e9m afeta as meninas. Nas redes, v\u00eddeos com teor de <em>tradwife<\/em> (esposa tradicional, em tradu\u00e7\u00e3o livre) tamb\u00e9m ganham espa\u00e7o. Vale destacar que a escolha de mulheres de serem donas de casa n\u00e3o \u00e9 um problema. <strong>O cen\u00e1rio se torna preocupante quando cada vez mais meninas passam a questionar ou deixam de se importar com direitos importantes das mulheres, como o direito ao voto, por exemplo<\/strong>. Aos poucos, conte\u00fados como esses \u2014 que chegam a milhares de adolescentes \u2014 banalizam temas como a independ\u00eancia feminina, ao mesmo tempo que estimulam o consumo excessivo, associam o feminino a padr\u00f5es irreais de beleza e refor\u00e7am comportamentos de fragilidade e subservi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>n\u00e3o \u00e9 preciso esquecer tudo o que aprendemos sobre as constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as no\u00e7\u00f5es de g\u00eanero sejam aprendidas e performadas a partir da socializa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante entender que, nos di\u00e1logos com crian\u00e7as e jovens, <strong>n\u00e3o \u00e9 preciso assumir uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a tudo o que sabemos sobre o que \u00e9 associado aos g\u00eaneros masculino e feminino<\/strong>. Esse \u00e9 um processo complexo e, na maioria dos casos, delicado at\u00e9 mesmo para os adultos, uma vez que se trata de uma estrutura social antiga e profundamente enraizada, que existe h\u00e1 mil\u00eanios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As prefer\u00eancias pessoais de cada crian\u00e7a, mesmo quando correspondem a padr\u00f5es de comportamento, tamb\u00e9m pertencem a ela, e nem todos s\u00e3o nocivos. <\/strong>N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em reproduzir o que \u00e9 socialmente esperado de uma menina ou de um menino. O problema, como ressaltado anteriormente, surge quando essas diferen\u00e7as s\u00e3o usadas como ferramentas de misoginia e exclus\u00e3o, como no caso do \u00f3dio excessivo a tudo o que est\u00e1 diretamente ligado ao imagin\u00e1rio feminino pelos meninos, ou <strong>quando esses padr\u00f5es s\u00e3o impostos como obrigat\u00f3rios e geram sofrimento, impossibilitando crian\u00e7as de se expressarem como s\u00e3o<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-1.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero\" class=\"wp-image-74775\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-1.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-1-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa, por sua vez, que n\u00e3o seja poss\u00edvel conversar com as crian\u00e7as sobre como somos condicionados a reproduzir padr\u00f5es de g\u00eanero. Nesse sentido, exemplos hist\u00f3ricos e a linguagem simb\u00f3lica podem ser cruciais. O importante \u00e9 n\u00e3o recha\u00e7ar tudo o que pode ser visto como um padr\u00e3o, o que pode causar, de imediato, ainda mais confus\u00e3o para os pequenos. <strong>O ideal \u00e9 mostrar que h\u00e1 liberdade para existir de diferentes formas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a conversa parte de uma posi\u00e7\u00e3o de ataque ou de defini\u00e7\u00f5es mais concretas, a primeira rea\u00e7\u00e3o de muitos meninos e meninas \u00e9 se defender, o que tamb\u00e9m pode gerar ainda mais \u00f3dio e ressentimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DVMiczSCZ2M\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Viol\u00eancia na adolesc\u00eancia: como lidar com a agressividade dos filhos?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho, muitas vezes, pode ser o inverso: <strong>tentar entender e perguntar \u00e0s crian\u00e7as o que elas entendem por g\u00eanero.<\/strong> A partir das respostas, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/assuntos-dificeis-com-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">outras perguntas podem surgir,<\/a> at\u00e9 que a conversa abra espa\u00e7o para compreender, aos poucos, que as coisas n\u00e3o precisam ser t\u00e3o r\u00edgidas e polarizadas e que a crian\u00e7a pode existir de maneira mais livre, de acordo com o que verdadeiramente \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabela, que tamb\u00e9m realiza forma\u00e7\u00f5es em escolas e promove grupos de atividades e conversas sobre g\u00eanero e misoginia, pontua que trazer a pr\u00f3pria hist\u00f3ria para perto das crian\u00e7as \u00e9 um bom ponto de partida para iniciar di\u00e1logos e promover a abertura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 sobre dar li\u00e7\u00f5es de moral, falar o que \u00e9 certo e errado, mas ajud\u00e1-los a refletirem sobre as suas experi\u00eancias e pensarem como produzir outras formas de estar no mundo, formas mais interessantes para eles e para as pessoas que est\u00e3o \u00e0 volta deles \u2014 <em> Isabela Venturoza, doutora em Antropologia Social pela Unicamp, mestra em Antropologia Social pela USP, docente de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia e Sociologia FESPSP e pesquisadora do N\u00facleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferen\u00e7a (NUMAS\/USP) <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>meninos e meninas s\u00e3o diversos \u2014 e a discuss\u00e3o de g\u00eanero tamb\u00e9m precisa ser<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro dessa discuss\u00e3o, \u00e9 importante ressaltar que \u00e9 perigoso tratar meninos e meninas como grupos homog\u00eaneos e opostos, ignorando as diferen\u00e7as e desigualdades que existem dentro de cada um deles. Os recortes de ra\u00e7a, classe, orienta\u00e7\u00e3o sexual e os <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/respeito-e-admiracao-pelo-proprio-corpo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">diferentes tipos de corpos<\/a> tamb\u00e9m atravessam a forma como essas pessoas s\u00e3o socializadas e vistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, para meninos negros, o cen\u00e1rio \u00e9 completamente diferente daquele vivido por meninos brancos: enquanto estes crescem em uma posi\u00e7\u00e3o de autoridade e privil\u00e9gio, os meninos negros muitas vezes s\u00e3o colocados em lugares estereotipados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a pr\u00f3pria incorpora\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de masculinidade passa pela compreens\u00e3o dos pap\u00e9is que lhes s\u00e3o atribu\u00eddos desde cedo por meio de leituras racistas. J\u00e1 no caso de adolescentes da comunidade LGBTQIA+, as viol\u00eancias tamb\u00e9m assumem outras formas, especialmente quando eles n\u00e3o correspondem aos padr\u00f5es comportamentais de masculinidade. Para as meninas, n\u00e3o \u00e9 diferente: meninas negras, por exemplo, muitas vezes s\u00e3o colocadas em posi\u00e7\u00f5es consideradas menos \u201cfemininas\u201d, enfrentando viol\u00eancias de ra\u00e7a e de g\u00eanero que se entrela\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente tem trabalhado com algumas discuss\u00f5es em escolas e em forma\u00e7\u00f5es de educadores que mostram como a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica aponta que existe uma maneira de moldar a masculinidade negra que come\u00e7a ainda na inf\u00e2ncia, mudando um pouco o sujeito para habitar certos lugares do mundo e n\u00e3o outros. \u00c0s vezes, n\u00e3o h\u00e1 uma expectativa de que esse menino tenha um bom desempenho escolar. Espera-se dele vigor f\u00edsico, um bom desempenho no futebol. O menino negro tamb\u00e9m \u00e9 visto como aquele que vai ser mais bagunceiro, que vai desviar. E isso acaba sendo incorporado, internalizado\u201d, explica Isabela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, <strong>a discuss\u00e3o sobre a percep\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na inf\u00e2ncia n\u00e3o deve adotar uma perspectiva universalista, como se todas as crian\u00e7as vivenciassem as mesmas experi\u00eancias.<\/strong> H\u00e1, tamb\u00e9m, crian\u00e7as que n\u00e3o se identificam com defini\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias de g\u00eanero. \u00c9 preciso entender que as caracter\u00edsticas e viv\u00eancias de cada uma tamb\u00e9m influenciam a forma como s\u00e3o percebidas e atravessadas pelos padr\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Como ampliar, ent\u00e3o, o di\u00e1logo sobre g\u00eanero com as crian\u00e7as?<strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conversa pode partir de um lugar de acolhimento: <strong>em vez de repreender de imediato falas ou comportamentos, pergunte o que os originou e o que aquela crian\u00e7a entende por ser menino ou menina.<\/strong> A partir das respostas, fa\u00e7a mais perguntas e, depois, compartilhe com ela o que significa ser menino ou menina para voc\u00ea. Essa troca pode inverter os pap\u00e9is e ajudar as crian\u00e7as a enxergar menos rigidez nas performances de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sandro conta que, em rodas de conversa, inicia algumas discuss\u00f5es compartilhando com outros garotos seu maior medo e, depois, convidando-os a fazer o mesmo. \u201cQuando a gente come\u00e7a a conversar sobre <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/fantasia-para-falar-sobre-a-dor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medos, ang\u00fastias<\/a>, inseguran\u00e7a e fragilidades, esses meninos acabam sendo, de certa forma, levados a acessar um lugar l\u00e1 dentro deles que talvez eles nunca tivessem acessado\u201d, reflete o professor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as meninas, o acolhimento tamb\u00e9m se faz necess\u00e1rio, principalmente diante de poss\u00edveis viol\u00eancias de g\u00eanero j\u00e1 sofridas. <strong>Ouvir e explicar como a realidade funciona \u2014 sem criar medo ou aterrorizar, mas buscando explica\u00e7\u00f5es concretas \u2014&nbsp; ajuda a crian\u00e7a a fortalecer a pr\u00f3pria identidade diante de alguns sofrimentos. <\/strong>Em casa e em outros ambientes, exemplos e falas contribuem para desenvolver espa\u00e7os mais acolhedores, assim como a escola pode ser um centro de conversas e debates.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-2.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero\" class=\"wp-image-74777\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-2.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/MIOLO-NOVO-REVISTA-QUINDIM-2-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00eddia, as produ\u00e7\u00f5es culturais e audiovisuais, assim como a literatura tamb\u00e9m t\u00eam um papel importante na constru\u00e7\u00e3o da linguagem e da leitura simb\u00f3lica de cada crian\u00e7a. \u00c9 preciso expandir as refer\u00eancias. <strong>Ao ver diferentes representa\u00e7\u00f5es e personagens em anima\u00e7\u00f5es, filmes, brinquedos, cores, m\u00fasicas e livros, a crian\u00e7a pode ampliar seu olhar e enxergar o mundo sob perspectivas menos bin\u00e1rias.<\/strong> Dentro disso, a literatura infantil tem um papel importante e pode ser crucial para apresentar diferentes perspectivas sobre g\u00eanero na inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTrabalhar com comunidades em diferentes faixas et\u00e1rias \u00e9 uma forma de fazer preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, preven\u00e7\u00e3o de sofrimento social, estimular a sa\u00fade mental, uma conviv\u00eancia \u00e9tica entre os sujeitos, uma maior autoconsci\u00eancia j\u00e1 muito cedo, com temas relacionados ao respeito do outro. Come\u00e7ar cedo \u00e9 fundamental\u201d, conclui Isabela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>estante quindim<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas obras, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, que nos convidam a refletir sobre as muitas formas como as crian\u00e7as se expressam no mundo e sobre a import\u00e2ncia de respeit\u00e1-las nesse processo:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"307\" height=\"376\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Valentim-de-todas-as-cores_CapaTransparente-e1793202377434.png\" alt=\"Valentim de todas as cores \" class=\"wp-image-74767\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Valentim-de-todas-as-cores_CapaTransparente-e1793202377434.png 307w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Valentim-de-todas-as-cores_CapaTransparente-e1793202377434-150x184.png 150w\" sizes=\"(max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/valentim-de-todas-as-cores\/chiara-mezzalama\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Valentim de todas as cores,<\/a> de Chiara Mezzalama e Reza Dalvand (Boitat\u00e1)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/o-menino-com-flores-no-cabelo\/jarvis\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"380\" height=\"438\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/OMeninoFloresCabeloCapa_Transparente-e1743773552234.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-68646\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/OMeninoFloresCabeloCapa_Transparente-e1743773552234.png 380w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/OMeninoFloresCabeloCapa_Transparente-e1743773552234-150x173.png 150w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/o-menino-com-flores-no-cabelo\/jarvis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O menino com flores no cabelo,<\/a> de Jarvis (Pequena Zahar)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"279\" height=\"447\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Joao-pe-de-feijao_CapaTransparente-e1793202678596.png\" alt=\"Jo\u00e3o p\u00e9-de-feij\u00e3o\" class=\"wp-image-74768\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Joao-pe-de-feijao_CapaTransparente-e1793202678596.png 279w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Joao-pe-de-feijao_CapaTransparente-e1793202678596-150x240.png 150w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/joao-pe-de-feijao\/ing-lee\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jo\u00e3o p\u00e9-de-feij\u00e3o,<\/a> de Ing Lee (VR Editora)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Di\u00e1logos sobre as constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero que 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