{"id":73993,"date":"2026-09-23T18:34:18","date_gmt":"2026-09-23T21:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=73993"},"modified":"2026-09-23T18:34:19","modified_gmt":"2026-09-23T21:34:19","slug":"sonho-na-cosmovisao-de-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/sonho-na-cosmovisao-de-povos-indigenas\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do sonho na cosmovis\u00e3o de povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sonhos abrigam universos inimagin\u00e1veis. Para algumas pessoas, eles podem ser premonit\u00f3rios; para outras, uma porta para o inconsciente \u2014 seja individual ou coletivo \u2014 que traz respostas para antigos medos e desejos. Para os mais c\u00e9ticos, s\u00e3o apenas imagens mentais que se sobrep\u00f5em livremente em nosso c\u00e9rebro quando estamos dormindo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, para diversos povos ind\u00edgenas do Brasil e do mundo, o sonho \u00e9, na verdade, uma <strong>tecnologia ancestral<\/strong> que faz parte de um imagin\u00e1rio coletivo que conecta passado, presente e futuro. Em <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/o-sonho-de-borum\/edson-krenak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO sonho de Borum&#8221;<\/a> (Editora Yellowfante), livro de Edson Krenak entregue aos leitores do Clube Quindim em setembro, somos apresentados ao significado do sonho para os povos krenak atrav\u00e9s da miss\u00e3o que o menino Cruquerr\u00e9 (chamado de Borum pelas crian\u00e7as da cidade) recebe do paj\u00e9 da aldeia: simplesmente sonhar. E contar a todos o que sonhou.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara os krenak, o sonho, esse mist\u00e9rio humano que tentamos interpretar e compreender, \u00e9 muito mais f\u00e1cil de<strong> vivenciar coletivamente do que individualmente<\/strong>&#8220;, explica Edson Krenak, autor de \u201cO sonho de Borum&#8221;, escritor, pesquisador e ativista ind\u00edgena do povo krenak, mestre em Estudos Liter\u00e1rios pela UFSCar, doutorando em Antropologia Jur\u00eddica pela Universidade de Viena e pesquisador do Instituto UKA \u2014 Casa dos Saberes Ancestrais, em entrevista \u00e0 Revista Quindim.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155016.888.jpg\" alt=\"O sonho de Borum \" class=\"wp-image-73999\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155016.888.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155016.888-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/o-sonho-de-borum\/edson-krenak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO sonho de Borum&#8221;<\/a> de Edson Krenak e Mauricio Negro (Yellowfante) | Foto:  Samuel Gregory<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, em uma forma de vida em que a coletividade \u00e9 um dos principais pilares, o sonho passa a ser compartilhado e compreendido enquanto experi\u00eancia conjunta. \u00c9 comum contar para amigos e familiares o que foi sonhado, dividir mem\u00f3rias e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/8-livros-para-ajudar-criancas-enfrentarem-medo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medos<\/a> e, a partir dessa partilha, tomar decis\u00f5es e entender acontecimentos do cotidiano e da vida.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara os povos ind\u00edgenas, \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar algo que seja individual. A cultura, os valores morais, os princ\u00edpios e at\u00e9 mesmo alguns sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que a gente tem s\u00e3o coletivos, s\u00e3o compartilhados. E, de alguma forma, isso \u00e9 at\u00e9 institucionalizado. Faz parte da tomada de decis\u00e3o e de como a gente cuida uns dos outros&#8221; \u2014 Edson Krenak<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">o sonho para os krenak<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os krenak, que tamb\u00e9m se autodenominam borum, s\u00e3o um povo ind\u00edgena do leste de Minas Gerais, historicamente ligado \u00e0 regi\u00e3o do Rio Doce. A principal Terra Ind\u00edgena Krenak fica em Resplendor (MG), \u00e0s margens do rio. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 654 pessoas ind\u00edgenas viviam na Terra Ind\u00edgena Krenak naquele ano. A l\u00edngua Krenak pertence ao tronco lingu\u00edstico Macro-J\u00ea, e o povo sofreu expuls\u00f5es e diferentes formas de viol\u00eancia ao longo da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para os krenak, o sonho n\u00e3o est\u00e1 separado da vida.<\/strong> Ele faz parte de uma rela\u00e7\u00e3o mais ampla com a ancestralidade, em que passado, presente e futuro n\u00e3o aparecem como tempos isolados: o que foi vivido pelas gera\u00e7\u00f5es anteriores continua atravessando o presente, enquanto aquilo que ainda est\u00e1 por vir tamb\u00e9m pode fazer parte da experi\u00eancia de agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQual \u00e9 o tempo que a gente vive enquanto ind\u00edgena? N\u00f3s n\u00e3o vivemos no passado e nem mesmo no futuro. N\u00f3s vivemos um presente que \u00e9 visitado por muitas coisas do passado. E muitas coisas tamb\u00e9m do futuro, por que n\u00e3o? Coisas que a gente quer que aconte\u00e7am e continuem vivendo no futuro. Ent\u00e3o, o sonho \u00e9 resultado desse tempo que nos visita hoje e das gera\u00e7\u00f5es passadas\u201d, pontua Edson.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como um lugar que atravessa tempos e dimens\u00f5es, <strong>o sonho \u00e9, nesse contexto, algo participante da vida, e n\u00e3o apenas devaneios que acontecem durante o sono.<\/strong> Essa rela\u00e7\u00e3o entre diferentes tempos ajuda a compreender tamb\u00e9m a jornada de Borum, menino que, na obra de Edson, n\u00e3o consegue se lembrar dos pr\u00f3prios sonhos e recebe do paj\u00e9 a miss\u00e3o de sonhar e contar aos outros o que viu. Depois de uma experi\u00eancia com um mico-le\u00e3o-dourado, ele inicia uma jornada que passa pelo encontro com animais, com o rio e com outras formas de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, nessa perspectiva, o sonho n\u00e3o se restringe \u00e0 experi\u00eancia humana. Ao encontrar animais, plantas e o rio, Borum percebe que n\u00e3o est\u00e1 diante de seres completamente separados dele. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m aparece na pr\u00f3pria cosmovis\u00e3o krenak, na qual a floresta n\u00e3o funciona apenas como cen\u00e1rio, mas como<strong> parte de uma comunidade que inclui m\u00faltiplas formas de exist\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155757.501.jpg\" alt=\"O sonho de Borum\" class=\"wp-image-74002\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155757.501.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T155757.501-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/o-sonho-de-borum\/edson-krenak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO sonho de Borum&#8221;<\/a> de Edson Krenak e Mauricio Negro (Yellowfante) | Foto:  Samuel Gregory<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/amazonia-foi-plantada-por-povos-indigenas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voc\u00ea sabia que a Amaz\u00f4nia foi plantada por povos ind\u00edgenas?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAtrav\u00e9s do sonho, isso faz com que ele descubra que o sonho n\u00e3o est\u00e1 nem mesmo somente na comunidade humana, mas tamb\u00e9m na comunidade mais que humana. Naqueles outros que a gente convencionou chamar de animais\u201d, diz Edson.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, \u00e9 justamente nesse sentido que o sonho tamb\u00e9m pode ser entendido como uma passagem para outros lugares, atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia capaz de aproximar quem sonha de ancestrais, mem\u00f3rias e hist\u00f3rias que n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis da mesma maneira no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO sonho, ele n\u00e3o \u00e9 somente um tempo. \u00c9 um lugar. <strong>Ele \u00e9 um lugar onde habitam os ancestrais, onde habita a mem\u00f3ria, onde habitam as experi\u00eancias coletivas, onde habita a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias<\/strong>. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea acessa esse tempo e esse lugar, voc\u00ea est\u00e1 se abrindo para as hist\u00f3rias contadas em outros mundos\u201d, declara o autor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre esses mundos est\u00e3o os dos animais, das plantas e das \u00e1guas. O rio, que ocupa um lugar central na hist\u00f3ria de Borum, tamb\u00e9m tem um significado ancestral para os krenak. \u201cSonhar com o rio \u00e9 sonhar realmente com a voz do Watu, a voz mais ancestral dos krenak\u201d, afirma Edson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Rio Doce, chamado de Watu pelos krenak, carrega uma grande hist\u00f3ria de viol\u00eancia ambiental. Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG), liberou cerca de 45 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos, que atingiram o rio Doce depois de passar pelos rios Gualaxo do Norte e do Carmo. A lama percorreu mais de 600 quil\u00f4metros at\u00e9 chegar ao litoral do Esp\u00edrito Santo e afetou comunidades, ecossistemas e povos ind\u00edgenas ao longo da bacia. Mais de dez anos depois, o rio continua sendo monitorado e passa por a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o ambiental, enquanto os impactos do desastre ainda permanecem na bacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, em um cen\u00e1rio em que o coletivo \u00e9 sempre priorizado, a compreens\u00e3o do que \u00e9 o sonho marca tamb\u00e9m uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es individuais. Em algumas <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/fantasia-para-falar-sobre-a-dor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vertentes da psican\u00e1lise<\/a>, sonhos podem ser analisados a partir de desejos, medos, traumas e outras quest\u00f5es relacionadas \u00e0 experi\u00eancia de cada pessoa, que muitas vezes ficam escondidas em camadas do nosso subconsciente. Para Edson, por\u00e9m, a perspectiva krenak parte de outro lugar: <strong>a rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e a comunidade da qual ele faz parte. N\u00e3o se trata de aspira\u00e7\u00f5es individuais.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro ponto importante \u00e9 o tempo em que o sonho \u00e9 maturado para, depois, ser compartilhado e vivido. Esse intervalo \u00e9 importante em uma sociedade marcada pela velocidade e pela necessidade de compartilhar tudo rapidamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando voc\u00ea quer contar logo, voc\u00ea perde a oportunidade daquela experi\u00eancia realmente criar ra\u00edzes em voc\u00ea. E quando chega o momento de voc\u00ea contar, ela j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 enraizada. <strong>\u00c9 aquela coisa do<\/strong> <strong>sonho ser uma semente e ele precisa de tempo para germinar, enraizar e dar os seus frutos\u201d, <\/strong>conclui Edson. Assim, atrav\u00e9s da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias que conectam sonhos, viv\u00eancias e mem\u00f3rias, a identidade de todos \u00e9 fortalecida, como em uma rede ancestral que passa pela oralidade, presente quando todos est\u00e3o acordados, mas tamb\u00e9m quando dormem.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg\" alt=\"Clube Quindim\" class=\"wp-image-64970\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">o sonho como conhecimento da origem da vida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mby\u00e1-guarani s\u00e3o um subgrupo do povo guarani, presente principalmente nas regi\u00f5es Sul e Sudeste do Brasil, al\u00e9m de comunidades no Paraguai e na Argentina. Pertencentes \u00e0 fam\u00edlia lingu\u00edstica Tupi-Guarani, mant\u00eam uma forte rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio e a mobilidade entre comunidades. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 9.373 pessoas se declararam guarani mbya no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre eles, o sonho tamb\u00e9m ocupa um lugar importante na forma\u00e7\u00e3o das pessoas e do coletivo. Segundo Leandro Kuaray Mimbi, um dos autores de <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/teko-hypy-a-origem-do-mundo\/ariel-ortega-kuaray-poty-leandro-kuaray-mimbi-patricia-ferreira-para-yxapy-sophia-pinheiro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cTeko Hypy: a origem do mundo\u201d<\/a> (Editora Boitempo), os sonhos est\u00e3o relacionados \u00e0 espiritualidade, aos ancestrais e a Nhanderu, uma figura divina associada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e \u00e0 origem da vida, al\u00e9m de fazerem parte da pr\u00f3pria caminhada de cada pessoa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T160237.044.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-74003\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T160237.044.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-21T160237.044-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/teko-hypy-a-origem-do-mundo\/ariel-ortega-kuaray-poty-leandro-kuaray-mimbi-patricia-ferreira-para-yxapy-sophia-pinheiro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cTeko Hypy: a origem do mundo&#8221;<\/a>, de Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi, Patr\u00edcia Ferreira Par\u00e1 Yxapy, Sophia Pinheiro, Patr\u00edcia Ferreira Par\u00e1 Yxapy, Sophia Pinheiro (Boitat\u00e1) | Foto: Samuel Gregory<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa cosmovis\u00e3o mby\u00e1-guarani, <strong>o sonho \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, relacionado \u00e0 espiritualidade, aos ancestrais, a Nhanderu e \u00e0 caminhada da pessoa. <\/strong>\u00c9 atrav\u00e9s dos sonhos que alguns paj\u00e9s recebem revela\u00e7\u00f5es dos nomes para as crian\u00e7as, por exemplo\u201d, conta Leandro Kuaray Mimbi, escritor e professor mby\u00e1-guarani, graduado em Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor de L\u00edngua Guarani na Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista \u00e0 Revista Quindim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa sabedoria, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda de forma isolada. Os significados dos sonhos s\u00e3o compartilhados e compreendidos na conversa com os mais velhos e com aqueles que conhecem o <em>Nhande Reko<\/em>, o modo pr\u00f3prio de viver mby\u00e1-guarani. Assim, <strong>observar, viver e sonhar fazem parte de um mesmo processo de aprendizagem<\/strong>, que tamb\u00e9m contribui para a forma\u00e7\u00e3o e para as responsabilidades de cada pessoa dentro da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-realidades-diversas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fora do cotidiano: por que \u00e9 importante ler livros infantis sobre realidades diversas?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio tamb\u00e9m aparece nesse processo: para os mby\u00e1-guarani, os sonhos podem trazer orienta\u00e7\u00f5es e sinais que ajudam a perceber a si mesmo como parte constituinte de um mesmo cosmo, que n\u00e3o difere humanos dos animais e da natureza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Teko Hypy, as narrativas sobre a origem do mundo tamb\u00e9m preservam sabedorias ancestrais sobre a vida, os seres e o <em>Nhande Reko<\/em>. Mem\u00f3ria e oralidade se encontram como formas de transmiss\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es, mantidas pela escuta. Assim, os sonhos concretizam um encontro entre passado e futuro, como uma tecnologia que mant\u00e9m viva a hist\u00f3ria e o que permeia a compreens\u00e3o de mundo de cada um dos mby\u00e1-guarani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leandro tamb\u00e9m pontua que, para quem n\u00e3o pertence a uma comunidade ind\u00edgena, conhecer essas perspectivas pode ampliar a pr\u00f3pria compreens\u00e3o sobre o que significa produzir e transmitir conhecimento. Muito al\u00e9m de buscar uma \u00fanica maneira de interpretar os sonhos, essas experi\u00eancias mostram que existem outras formas de aprender, baseadas no<strong> resgate da nossa pr\u00f3pria ancestralidade<\/strong> <strong>e<\/strong> <strong>na forma com que nos relacionamos com o meio em que vivemos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DXUUjP1DQ7n\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros que apresentam diferentes cosmovis\u00f5es ind\u00edgenas<\/a> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">a import\u00e2ncia de ampliar nosso olhar para ler o mundo<strong>&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As experi\u00eancias krenak e mby\u00e1-guarani nos relembram como diferentes povos constroem suas pr\u00f3prias formas de compreender o mundo. Dentre os povos ind\u00edgenas, que s\u00e3o t\u00e3o diversos, existem v\u00e1rias outras maneiras. Essas perspectivas foram transmitidas entre gera\u00e7\u00f5es e continuam presentes na maneira como cada comunidade se relaciona com a vida, com o territ\u00f3rio e com aquilo que n\u00e3o est\u00e1 separado da experi\u00eancia cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecer essas outras formas de pensar ajuda a perceber que a vis\u00e3o de mundo predominante nas sociedades ocidentais tamb\u00e9m \u00e9 fruto de uma hist\u00f3ria. Ambientalista e lideran\u00e7a ind\u00edgena, o escritor Ailton Krenak chama aten\u00e7\u00e3o para essa constru\u00e7\u00e3o ao questionar uma ideia ocidental de humanidade que coloca as pessoas no centro e estabelece uma separa\u00e7\u00e3o entre seres humanos e natureza. Mais do que isso, \u00e9 uma vis\u00e3o que coloca a natureza como um produto a ser consumido e acessado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que, em meio a um condicionamento de vida t\u00e3o utilit\u00e1rio, n\u00f3s deixamos de nos conectar at\u00e9 com os nossos pr\u00f3prios sonhos? Como podemos usar respostas t\u00e3o concretas para explicar o mundo? Para trazer luz a esses questionamentos, de acordo com muitas das obras de Ailton Krenak, o primeiro ind\u00edgena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, <strong>\u00e9 preciso recuperar a capacidade de imaginar \u2013 e de lembrar \u2013 outras formas de exist\u00eancia e de rela\u00e7\u00e3o com a Terra.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, 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srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Teko-hypy_CapaTransparente-e1790017954858.png 392w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Teko-hypy_CapaTransparente-e1790017954858-150x151.png 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Teko-hypy_CapaTransparente-e1790017954858-100x100.png 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Teko-hypy_CapaTransparente-e1790017954858-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/teko-hypy-a-origem-do-mundo\/ariel-ortega-kuaray-poty-leandro-kuaray-mimbi-patricia-ferreira-para-yxapy-sophia-pinheiro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Teko Hypy:<\/em> a origem do mundo, <\/a>de <em>Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi, Patr\u00edcia Ferreira Par\u00e1 Yxapy, Sophia Pinheiro, Patr\u00edcia Ferreira Par\u00e1 Yxapy, Sophia Pinheiro (Boitat\u00e1) <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"213\" height=\"304\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-chave-do-meu-sonho.jpg\" alt=\"A chave do meu sonho\" class=\"wp-image-45695\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain;width:249px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-chave-do-meu-sonho.jpg 213w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-chave-do-meu-sonho-150x214.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/a-chave-do-meu-sonho\/daniel-munduruku\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A chave do meu sonho<\/a>, de Daniel Munduruku e Rita Carelli<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para diversos povos ind\u00edgenas, o sonho \u00e9 uma tecnologia ancestral que faz parte de um imagin\u00e1rio coletivo que conecta passado, presente e 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