{"id":73951,"date":"2026-09-16T12:15:44","date_gmt":"2026-09-16T15:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=73951"},"modified":"2026-09-16T12:15:57","modified_gmt":"2026-09-16T15:15:57","slug":"fantasia-para-falar-sobre-a-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/fantasia-para-falar-sobre-a-dor\/","title":{"rendered":"Monstros reais e inventados: quando a fantasia \u00e9 um caminho para falar sobre a dor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTem um monstro debaixo da cama\u201d. Aos olhos de um adulto, esse medo, relativamente frequente na primeira inf\u00e2ncia, pode parecer apenas uma express\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o. Mas voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar no que esse monstro significa para a crian\u00e7a? Em alguns casos, \u00e9 um faz de conta, mas, em outros, pode representar mais que isso. Talvez seja uma maneira de sinalizar a exist\u00eancia de um medo, ainda que ela n\u00e3o tenha encontrado as palavras mais assertivas. Pode ser uma raiva dif\u00edcil de explicar, uma <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-infantis-separacao-ruptura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">saudade<\/a>, uma frustra\u00e7\u00e3o, uma ang\u00fastia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na inf\u00e2ncia, a fantasia tamb\u00e9m \u00e9 uma linguagem. \u00c9 muito dif\u00edcil dizer ou mesmo compreender um medo. Ent\u00e3o, em vez de dizer \u201cestou com medo de ficar sozinha\u201d, a crian\u00e7a pode falar sobre um <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/8-livros-com-o-lobo-mau\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lobo<\/a>, por exemplo. Em vez de explicar uma raiva que parece grande demais, ela pode imaginar e mencionar uma <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-de-bruxas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bruxa muito malvada<\/a>. Em vez de processar uma perda, ela pode se comover com um personagem que tamb\u00e9m precisa se despedir de algo ou de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o psicanalista Christian Dunker, professor no Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (IP-USP), a fantasia \u00e9 parte fundamental na maneira como constru\u00edmos nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo e com n\u00f3s mesmos. <strong>Ela n\u00e3o apenas transforma experi\u00eancias em hist\u00f3rias que podemos recordar, mas tamb\u00e9m permite imaginar possibilidades, desejos e caminhos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs super-her\u00f3is e os monstros d\u00e3o imagem e sentido para afetos indiscern\u00edveis, ou para que os antrop\u00f3logos chamam de \u2018estados informulados do ser\u2019, ou ainda \u2018estados inumer\u00e1veis do ser\u2019, como chamava o teatr\u00f3logo Antonin Artaud. Ou seja, n\u00f3s temos muitos estados, n\u00f3s somos muitos. E temos um problema de simboliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9: como esses \u2018muitos\u2019 habitam um s\u00f3, que sou eu?\u201d, reflete o especialista. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na inf\u00e2ncia, isso tudo est\u00e1 em pleno movimento. A crian\u00e7a ainda est\u00e1 construindo recursos para reconhecer o que sente, organizar experi\u00eancias e encontrar maneiras de express\u00e1-las. <strong>A literatura \u00e9 uma das maneiras de<\/strong> <strong>oferecer personagens, imagens e enredos para que algo dif\u00edcil de apreender ganhe contorno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">na fantasia, quando o medo vira monstro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez por isso os vil\u00f5es sejam t\u00e3o fascinantes. Bruxas, lobos, monstros e outros personagens assustadores concentram sentimentos que, na vida cotidiana, podem aparecer de maneira muito mais confusa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dunker chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que esses personagens nunca existem isoladamente. Repare como eles est\u00e3o sempre dentro de uma trama ou relacionados a outros personagens e envolvidos em conflitos. Assim, a crian\u00e7a acompanha o medo, a amea\u00e7a, a tens\u00e3o e, muitas vezes, a possibilidade de sa\u00edda. \u201cEles oferecem uma exist\u00eancia por procura\u00e7\u00e3o, onde eu consigo me aproximar da express\u00e3o desses afetos sem me confundir com eles\u201d, aponta o psicanalista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A deforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem um papel. Muitas vezes, um monstro \u00e9 enorme, tem tr\u00eas olhos, garras imensas, uma bruxa pode ser assustadora, com um nariz enorme e muito torto, um lobo pode querer devorar algu\u00e9m. <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-que-tratam-sentimentos-como-personagens\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O sentimento aparece aumentado<\/a>, transformado em imagem, quase como uma caricatura. Justamente por n\u00e3o ser a realidade literal da crian\u00e7a, acaba ficando mais f\u00e1cil se aproximar dele. <strong>Neste espa\u00e7o, a literatura pode oferecer uma experi\u00eancia valiosa: em vez de simplesmente eliminar o medo, permite que a crian\u00e7a fa\u00e7a alguma coisa com ele.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-67.jpg\" alt=\"Imagem do livro &#039;Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak\" class=\"wp-image-72772\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-67.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-67-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas hist\u00f3rias, a ang\u00fastia n\u00e3o fica necessariamente solta. H\u00e1 uma trama, uma sequ\u00eancia de acontecimentos, personagens que tomam decis\u00f5es. A narrativa cria um percurso para aquilo que, na experi\u00eancia emocional, parece um emaranhado. \u201cA narrativa distende a a\u00e7\u00e3o, nos faz introduzir o pensamento entre o ju\u00edzo e o ato, entre o ato e o ju\u00edzo. [&#8230;] \u00c9 assim que a gente trata a ang\u00fastia, colocando palavras, nomea\u00e7\u00f5es, propondo uma narrativa\u201d, explica o psicanalista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 pouco prov\u00e1vel que uma crian\u00e7a pequena conclua de forma direta: \u201cEste monstro representa a minha ansiedade\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que essa correspond\u00eancia t\u00e3o direta nem exista. Mas a literatura \u00e9 uma maneira de experimentar aquilo que assusta sem que seja preciso viv\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DXkahLYD9I-\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros para fazer as pazes com os monstros<\/a> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">depois da \u00faltima p\u00e1gina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada disso termina quando se fecha o livro. Isso porque a literatura ajuda a construir um repert\u00f3rio, que permanece. Uma hist\u00f3ria ouvida muitas vezes pode reaparecer quando uma adversidade acontece, assim como um personagem pode voltar \u00e0 mem\u00f3ria, diante de alguma situa\u00e7\u00e3o que vivemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma boa hist\u00f3ria \u00e9 aquela que cria uma esp\u00e9cie de caixa de ferramentas para a crian\u00e7a ou mesmo para o adulto. Naquele momento em que acontece algo inesperado, voc\u00ea lembra do Jo\u00e3o e o P\u00e9 de Feij\u00e3o, lembra da bruxa&#8230; Ou seja, isso forma um repert\u00f3rio que vai ser convocado em outros momentos\u201d, diz Dunker.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DXMmF7ckx_g\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros que dialogam com sentimentos tanto dos adultos quanto das crian\u00e7as<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 tamb\u00e9m por isso que <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/por-que-incentivar-a-repeticao-de-leitura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a repeti\u00e7\u00e3o,<\/a> t\u00e3o caracter\u00edstica da inf\u00e2ncia, pode ter um sentido que vai muito al\u00e9m de simplesmente \u201cgostar daquele livro\u201d. A crian\u00e7a j\u00e1 sabe o que vai acontecer. Conhece o caminho, reconhece a amea\u00e7a e sabe que, em determinado momento, ela ser\u00e1 resolvida \u2014 ou n\u00e3o. Pode antecipar uma frase, esperar determinada imagem, notar um detalhe que antes havia passado despercebido. \u201cPara um adulto pode ser chato, porque \u00e9 \u2018de novo\u2019, mas, para a crian\u00e7a, isso \u00e9 parte da descoberta do prazer com a literatura e que fazer de novo n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u201d, aponta o especialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A previsibilidade oferece seguran\u00e7a e a repeti\u00e7\u00e3o permite o ac\u00famulo de experi\u00eancia. A hist\u00f3ria de hoje carrega algo que aconteceu na leitura anterior. \u00c9 como se cada volta ao mesmo livro abrisse uma pequena diferen\u00e7a. \u00c0s vezes, a melhor pista sobre algo que aconteceu durante a leitura \u00e9 o que vem depois dela, seja uma pergunta, uma <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-que-instigam-brincadeiras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">brincadeira<\/a>, uma associa\u00e7\u00e3o, uma conversa inesperada. Para Dunker, livros que geram perguntas se desdobram em conversas: \u201c\u00c9 quando o livro termina e a gente continua falando. Esse encadeamento com a vida \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/assuntos-dificeis-com-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Assuntos dif\u00edceis com crian\u00e7as: devo esperar a crian\u00e7a perguntar ou puxar a conversa?<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69478\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">ler junto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler com uma crian\u00e7a \u00e9 muito mais do que simplesmente transmitir as palavras que est\u00e3o impressas nas p\u00e1ginas. <strong>Envolve voz, entona\u00e7\u00e3o, ritmo e, sobretudo, a proximidade.<\/strong> H\u00e1 ainda o corpo de quem segura o livro e as rea\u00e7\u00f5es diante de um trecho ou de uma ilustra\u00e7\u00e3o. Tem risada, tem sil\u00eancio, tem interrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dunker chama a aten\u00e7\u00e3o para a ambival\u00eancia que existe na rela\u00e7\u00e3o entre o adulto e a crian\u00e7a: o adulto \u00e9, ao mesmo tempo, aquele que protege e aquele que imp\u00f5e limites. \u00c9 quem oferece colo e tamb\u00e9m quem manda tomar banho, comer br\u00f3colis, ir \u00e0 escola ou dormir. A <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/leitura-compartilhada-pais-e-filhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">leitura compartilhada<\/a> pode criar um espa\u00e7o singular entre os dois. <strong>O livro entra como um terceiro elemento, o que permite que assuntos delicados apare\u00e7am sem que adulto e crian\u00e7a precisem necessariamente falar diretamente sobre si mesmos.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-16T120111.378.jpg\" alt=\"fantasia \" class=\"wp-image-73982\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-16T120111.378.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-16T120111.378-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e3e pode comentar que a personagem ficou furiosa e, a partir dali, conversar sobre a raiva sem dizer \u00e0 crian\u00e7a que aquela personagem \u201c\u00e9 ela\u201d. O pai pode observar que determinado personagem sentiu saudade e simplesmente deixar a hist\u00f3ria seguir. <strong>O livro cria uma dist\u00e2ncia, que \u00e9 justamente o que permite a aproxima\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">n\u00e3o tem certo, n\u00e3o tem errado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns adultos programam uma leitura compartilhada como se houvesse uma maneira perfeita de fazer tudo. H\u00e1 todo um planejamento sobre a escolha do livro certo, sobre o tempo de leitura, o n\u00famero de p\u00e1ginas lidas, as perguntas, o momento que a crian\u00e7a vive, a necessidade de chegar at\u00e9 o final e de conversar sobre emo\u00e7\u00f5es. Mas, em alguns casos, eles se esquecem de que a realidade \u00e9 mais viva do que isso e n\u00e3o cabe em um \u201cscript\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vai haver momentos em que a crian\u00e7a quer continuar, em outros, n\u00e3o vai nem querer abrir o livro. Em alguns dias, vai recursar o livro novo e pedir para voc\u00ea repetir a hist\u00f3ria que j\u00e1 leram juntos mais de dez vezes. Vai chorar, vai se distrair, vai dormir, vai interromper a leitura para contar uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o aparente com o que est\u00e1 na p\u00e1gina. Para Dunker, esses movimentos fazem parte da pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente precisa levar em conta que a pe\u00e7a em cartaz tem de conversar com o momento que est\u00e1 sendo vivido\u201d, diz ele. Isso significa que a leitura precisa se adaptar ao que acontece. Se o tempo acabou, voc\u00eas podem retomar o livro no dia seguinte. Se uma passagem desperta uma conversa, talvez seja justamente a hora de deixar a leitura de lado por alguns minutos. Se o interesse \u00e9 por outro livro, a nova hist\u00f3ria pode ficar para outro momento. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c0s vezes, \u00e9 importante estar atento a sinais de desconcentra\u00e7\u00e3o, de sono&#8230;\u201d, lembra o psicanalista. Para ele, nem sempre \u00e9 sinal de desinteresse pelo ato de ler. \u201c\u00c0s vezes, s\u00e3o rea\u00e7\u00f5es disfar\u00e7adas de ang\u00fastia, \u00e0s vezes, s\u00e3o rea\u00e7\u00f5es que aparecem por voc\u00ea estar tocando em um ponto sens\u00edvel, algo que voc\u00ea nem conhecia no seu filho\u201d, exemplifica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 nesse sentido que a leitura pode funcionar como uma oportunidade de encontro. <\/strong>N\u00e3o para o adulto descobrir algum significado oculto em cada comportamento, mas para perceber que alguma coisa aconteceu e permanecer dispon\u00edvel para a crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69492\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">sem blindagem<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma tenta\u00e7\u00e3o querer proteger as crian\u00e7as, selecionando apenas hist\u00f3rias que tranquilizem, livros com finais felizes, em que todos os conflitos s\u00e3o resolvidos, todos os personagens ficam bem e todos os medos desaparecem antes do final. Mas a vida n\u00e3o funciona assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O psicanalista aponta para a import\u00e2ncia de desconfiar de uma literatura que esconda a complexidade da experi\u00eancia humana. \u201cO pior que pode haver \u00e9 aquela literatura infantil que encobre, que cria idealiza\u00e7\u00f5es. No fundo, s\u00e3o meras nega\u00e7\u00f5es\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa, \u00e9 claro, que crian\u00e7as precisem ser expostas indiscriminadamente a hist\u00f3rias tr\u00e1gicas, nem que finais felizes sejam um problema. O ponto \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula universal que determine o que uma crian\u00e7a pode ou deve encontrar no final de uma hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma narrativa pode ser engra\u00e7ada, assustadora, melanc\u00f3lica, po\u00e9tica, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/nonsense-na-literatura-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">absurda<\/a> ou triste. Pode terminar bem ou deixar perguntas em aberto. O que importa \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que aquela hist\u00f3ria estabelece com quem a l\u00ea.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos maiores presentes que a literatura oferece \u00e0s crian\u00e7as \u00e9 a possibilidade de encontrar, dentro da fic\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o precisa ser resolvido imediatamente. Um monstro pode continuar sendo um monstro, uma bruxa pode seguir bem assustadora e uma despedida, \u00e0s vezes, vai demorar bastante para deixar de doer. Mas fica a lembran\u00e7a de uma hist\u00f3ria, de um personagem que passou por situa\u00e7\u00f5es complicadas e uma mem\u00f3ria que pode ser resgatada quando a vida acontecer e trouxer um desafio parecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas mais do que isso: fica a certeza de algu\u00e9m que estava ali para ler junto e conversar sobre o que nem ela compreendia direito ou sabia que sentia.<\/strong> H\u00e1 algu\u00e9m para ajudar a decifrar aquelas sensa\u00e7\u00f5es esquisitas, o frio na barriga, a vontade de chorar ou de esconder. H\u00e1 algu\u00e9m para acender a luz e entender, junto da crian\u00e7a, que monstro era aquele que estava debaixo da cama.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas livros, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, que prop\u00f5e formas de fazer as pazes com os monstros (reais ou inventados? \u00c9 hora de descobrir!):<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/onde-vivem-os-monstros\/maurice-sendak\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"482\" height=\"432\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660.png\" alt=\"Onde vivem os monstros (autor Maurice Sendak, editora Companhia das letrinhas)\" class=\"wp-image-55929\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660.png 482w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-150x134.png 150w\" sizes=\"(max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/onde-vivem-os-monstros\/maurice-sendak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Onde vivem os monstros<\/a>, de Maurice Sendak<\/em> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"334\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/monstro-rosa.jpg\" alt=\"Monstro Rosa (autora Olga de Dios, editora Boitat\u00e1)\" class=\"wp-image-33165\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/monstro-rosa\/olga-de-dios\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Monstro rosa,<\/a> de Olga de Dios<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"430\" height=\"431\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/como-reconhecer-um-monstro.jpg\" alt=\"Como reconhecer um monstro (escritor Gustavo R\u00f3ldan, editora Jujuba)\" class=\"wp-image-398\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/como-reconhecer-um-monstro.jpg 430w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/como-reconhecer-um-monstro-100x100.jpg 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/como-reconhecer-um-monstro-150x150.jpg 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/como-reconhecer-um-monstro-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/livraria\/livro\/como-reconhecer-um-monstro\/gustavo-roldan\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como reconhecer um monstro?,<\/a> de Gustavo Rold\u00e1n<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content 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