{"id":73875,"date":"2026-09-10T10:45:45","date_gmt":"2026-09-10T13:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=73875"},"modified":"2026-09-10T10:48:06","modified_gmt":"2026-09-10T13:48:06","slug":"transtornos-alimentares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/transtornos-alimentares\/","title":{"rendered":"Por que cada vez mais crian\u00e7as est\u00e3o apresentando comportamentos relacionados a transtornos alimentares?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se nos anos 2000 a moda, o entretenimento e a cultura como um todo pareciam favorecer corpos magros, desde pe\u00e7as de roupa em alta que ressaltavam um \u00fanico padr\u00e3o ideal at\u00e9 capas de revistas com dicas constantes para emagrecer, a metade dos anos 2010 se tornou uma resposta a esse cen\u00e1rio. O movimento \u201cbody positive\u201d, que ganhou for\u00e7a principalmente nas redes sociais, passou a reunir cada vez mais influencers e nomes que defendiam a pauta do corpo livre e desmistificavam ideias preconceituosas e estigmatizadas sobre corpos que n\u00e3o se adequavam ao padr\u00e3o vigente. Aos poucos, o movimento tamb\u00e9m passou a adentrar a m\u00eddia e a atua\u00e7\u00e3o de marcas de moda e beleza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale ressaltar, \u00e9 claro, que o culto \u00e0 magreza nunca saiu de cena. No entanto, houve, ao menos, um olhar mais cuidadoso para falas gordof\u00f3bicas e para a romantiza\u00e7\u00e3o da magreza extrema, principalmente na mudan\u00e7a do discurso p\u00fablico, seja entre celebridades ou no posicionamento de marcas do mercado de moda e beleza. Agora, por\u00e9m, o cen\u00e1rio volta a mudar. No Brasil, estima-se que cerca de 4,7% da popula\u00e7\u00e3o tenha algum tipo de transtorno alimentar, percentual que pode chegar a<strong> 10% entre os jovens<\/strong>, de acordo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada vez mais, celebridades surgem mais magras, antigas falas que romantizam a magreza voltam a viralizar na internet e o assunto da vez voltou a ser emagrecer, algo ainda mais latente com a populariza\u00e7\u00e3o e o maior acesso \u00e0s chamadas canetas emagrecedoras (medicamentos injet\u00e1veis usados no tratamento do diabetes tipo 2, mas que tamb\u00e9m causam perda de peso, auxiliando no tratamento da obesidade e do sobrepeso). E, infelizmente, essa retomada cultural tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 afetando crian\u00e7as e adolescentes: mais uma vez, principalmente as meninas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/autoestima-e-autoconfianca-na-infancia\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/autoestima-e-autoconfianca-na-infancia\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Autoestima: como construir a autoconfian\u00e7a desde a inf\u00e2ncia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a meta-an\u00e1lise \u201c<em>The prevalence of eating disorders in children and adolescents: a systematic review and meta-analysis<\/em>\u201d, publicada em janeiro de 2026 na revista cient\u00edfica <em>European Child &amp; Adolescent Psychiatry<\/em>, entre 77.714 crian\u00e7as e jovens de 12 pa\u00edses diferentes, 5,23% apresentaram algum tipo de transtorno alimentar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-10T104636.026.jpg\" alt=\"transtornos alimentares\" class=\"wp-image-73949\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-10T104636.026.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MIOLO-2026-09-10T104636.026-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e apoio do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, ouviu estudantes de 13 a 17 anos de escolas p\u00fablicas e privadas de todo o pa\u00eds. Entre as meninas, <strong>36,1% disseram estar insatisfeitas ou muito insatisfeitas com a pr\u00f3pria imagem corporal<\/strong>, contra 18,2% dos meninos. Al\u00e9m disso, <strong>21,0% das meninas se percebiam como \u201cgordas ou muito gordas\u201d<\/strong>, com uma vis\u00e3o corporal bastante distorcida da realidade, segundo o levantamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Inglaterra, interna\u00e7\u00f5es por transtornos alimentares aumentaram 514,6% entre 2012\u201313 e 2021\u201322, de 478 para 2.938. Entre meninas de 11 a 15 anos, o aumento chegou a 638,4%. Os n\u00fameros s\u00e3o do estudo \u201c<em>Admission to acute medical wards for mental health concerns among children and young people in England from 2012 to 2022: a cohort stud<\/em>y\u201d, publicado em <em>The Lancet Child &amp; Adolescent Health.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">uma gera\u00e7\u00e3o que cresceu com as redes sociais e a distor\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria imagem<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui, \u00e9 importante destacar que, se as crian\u00e7as e jovens dos anos 2000 foram inseridos gradualmente na internet, os nascidos na d\u00e9cada de 2010 n\u00e3o conhecem um mundo sem as redes sociais. <strong>Essa exposi\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 um dos principais fatores que, atualmente, explicam os altos n\u00edveis de dismorfia corporal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente tem observado uma piora dos transtornos alimentares, especialmente nos \u00faltimos cinco ou seis anos, per\u00edodo que coincide com a pandemia e com o <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/excesso-de-telas-como-a-mente-infantil-reage\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uso mais intenso das telas<\/a> e das redes sociais. Na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, isso se relaciona tamb\u00e9m \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da identidade e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo. A exposi\u00e7\u00e3o constante a imagens, muitas vezes distorcidas por filtros, favorece a <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/comparacoes-na-infancia-por-que-tomar-cuidado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">compara\u00e7\u00e3o<\/a>, que j\u00e1 \u00e9 algo natural nessa fase\u201d, explica Wagner Gurgel, psiquiatra e coordenador do Programa de Transtornos Alimentares na Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia do IPq &#8211; Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), em entrevista \u00e0 Revista Quindim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultura de consumir constantemente imagens nas redes e atribuir valor a si mesmo a partir da percep\u00e7\u00e3o e da valida\u00e7\u00e3o de terceiros faz com que o c\u00e9rebro, justamente durante uma fase de transi\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante para a constru\u00e7\u00e3o da identidade, passe a buscar l\u00f3gicas de recompensa que podem distorcer a forma como crian\u00e7as e jovens enxergam a si mesmos. Logo, se uma imagem compartilhada por outra pessoa recebe mais valida\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria apar\u00eancia passa a ser questionada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio de vulnerabilidade, tend\u00eancias que podem levar a comportamentos associados a transtornos alimentares ganham mais espa\u00e7o, especialmente quando esses mesmos comportamentos passam a ser normalizados nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/preocupacao-com-a-aparencia-torna-se-problema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quando a preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria apar\u00eancia torna-se um problema para a crian\u00e7a?<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69478\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">a volta da extrema magreza sob os holofotes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos filmes, em trends nas redes sociais, em ensaios fotogr\u00e1ficos e nas apresenta\u00e7\u00f5es de novas cole\u00e7\u00f5es de grandes marcas, corpos cada vez mais magros voltaram a ganhar destaque. Na internet, novos debates sobre as condi\u00e7\u00f5es associadas a esses corpos e as raz\u00f5es para que esse padr\u00e3o volte a ganhar for\u00e7a tamb\u00e9m t\u00eam crescido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora esse cen\u00e1rio possa parecer distante da realidade das crian\u00e7as, a cultura mainstream e de massa tamb\u00e9m influencia a forma como elas percebem a si mesmas e o mundo ao redor. A pr\u00f3pria ideia de feminilidade, por exemplo, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m passa pelas refer\u00eancias consumidas desde a inf\u00e2ncia. Quando determinados corpos, roupas, comportamentos e est\u00e9ticas s\u00e3o apresentados repetidamente como femininos, <strong>essas associa\u00e7\u00f5es passam a fazer parte da maneira como meninas entendem o que significa ser mulher<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DTqsvS4El20\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">6 livros para fortalecer a autoconfian\u00e7a das meninas desde cedo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se uma atriz de um filme voltado ao p\u00fablico infantil aparece constantemente associada, por exemplo, a uma personagem feminina delicada, com roupas, comportamentos e caracter\u00edsticas f\u00edsicas que refor\u00e7am a ideia de um corpo pequeno e fr\u00e1gil como representa\u00e7\u00e3o da feminilidade, essa refer\u00eancia tamb\u00e9m pode influenciar a forma como as crian\u00e7as entendem beleza e g\u00eanero. Por isso, tamb\u00e9m \u00e9 importante se atentar, para al\u00e9m das quest\u00f5es est\u00e9ticas, aos produtos culturais consumidos pelas inf\u00e2ncias e \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero que eles ajudam a construir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHouve um claro retrocesso nessa quest\u00e3o. Se, h\u00e1 cinco anos, v\u00edamos at\u00e9 as passarelas da moda abra\u00e7arem uma maior diversidade corporal e ficarem mais atentas \u00e0 magreza extrema, com o surgimento dos an\u00e1logos de GLP-1 (medicamentos que imitam o horm\u00f4nio GLP-1, que ajuda a regular o a\u00e7\u00facar no sangue e a saciedade) esse discurso parece ter perdido for\u00e7a&#8221;, reflete Muriel Hamilton Depin, nutricionista especializado em Transtornos Alimentares pelo AMBULIM-IPq-HC-FMUSP e diretor de comunica\u00e7\u00e3o e membro do conselho t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transtornos Alimentares (ASTRALBR), em entrevista \u00e0 Revista Quindim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O especialista ainda diz: &#8221; Junto com a moda dos anos 2000, voltou com tudo a magreza extrema do in\u00edcio desse mesmo per\u00edodo. O corpo virou tend\u00eancia de moda, e as celebridades correram para se enquadrar no que est\u00e1 em alta. Como consequ\u00eancia, muitas pessoas tamb\u00e9m passaram a tentar se enquadrar nos padr\u00f5es impostos por essas celebridades&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>\u201cBrincadeiras\u201d que normalizam transtornos e espa\u00e7os que transformam comportamentos de risco em rotina<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, muitas crian\u00e7as passam a ter contato, desde cedo e principalmente durante as <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Dcw5kVkATV8\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">fases de transi\u00e7\u00e3o<\/a>, com contas que, de maneiras diretas e indiretas, refor\u00e7am padr\u00f5es associados a transtornos alimentares em tons de \u201cbrincadeira\u201d e desafios. Alguns desses espa\u00e7os existem h\u00e1 anos e j\u00e1 foram conhecidos como comunidades \u201cpr\u00f3-ana\u201d ou \u201cpr\u00f3-mia\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 anorexia e \u00e0 bulimia. Neles, a romantiza\u00e7\u00e3o dos transtornos vai al\u00e9m de uma publica\u00e7\u00e3o isolada: pessoas compartilham formas de perder peso, contagem de calorias, metas de emagrecimento e at\u00e9 c\u00f3digos pr\u00f3prios para falar sobre os comportamentos sem que eles sejam facilmente identificados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O termo \u201cEating Disorder Twitter (EDTWT)\u201d, que significa, em tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas, \u201cTranstorno Alimentar no Twitter\u201d, por exemplo, aponta, em uma r\u00e1pida busca, diferentes publica\u00e7\u00f5es que fazem refer\u00eancia \u00e0 contagem de calorias por dia, formas de perder peso mais rapidamente e imagens que buscam fazer o chamado \u201cbody checking\u201d, que visa expor corpos muito magros. Entre as publica\u00e7\u00f5es, existem v\u00e1rios perfis de adolescentes e pr\u00e9-adolescentes, especialmente meninas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desses espa\u00e7os espec\u00edficos, em outras plataformas como o TikTok, algumas piadas surgem em tom inofensivo, mas, quando normalizadas, se tornam uma ideia enraizada. V\u00eddeos do tipo \u201cquando eu tenho dor de barriga, mas pelo menos emagreci 2 quilos\u201d alcan\u00e7am milhares de views e curtidas, com coment\u00e1rios de identifica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais uma vez, <strong>os conte\u00fados s\u00e3o direcionados principalmente ao p\u00fablico feminin<\/strong>o e tamb\u00e9m esbarram em outras idealiza\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. \u201cOs dados mundiais, pensando em anorexia nervosa, bulimia nervosa, mesmo transtorno de compuls\u00e3o alimentar, s\u00e3o majoritariamente de meninas\u201d, refor\u00e7a Wagner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, a gordofobia tamb\u00e9m passou a ganhar mais espa\u00e7o nas redes sociais: se antes era algo recha\u00e7ado pelo grande p\u00fablico, agora coment\u00e1rios de \u00f3dio passam sem ser percebidos. Inicialmente, tamb\u00e9m surgiram como \u201cbrincadeiras\u201d que faziam alus\u00e3o a satirizar o fato de ganhar peso ou a preocupa\u00e7\u00e3o excessiva para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. Com o tempo, cada vez mais mensagens ofensivas para pessoas que fogem da est\u00e9tica desejada passaram a se tornar comuns na se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wagner pontua que esses comportamentos digitais, isolados, n\u00e3o significam que alguma crian\u00e7a est\u00e1 desenvolvendo um transtorno alimentar, tampouco que ir\u00e1 desenvolv\u00ea-lo. No entanto, para aqueles que j\u00e1 sofrem com esses quadros ou que est\u00e3o iniciando comportamentos associados a transtornos alimentares, a influ\u00eancia das redes pode ser muito perigosa. O m\u00e9dico, especializado no atendimento de crian\u00e7as e adolescentes com essas doen\u00e7as, tamb\u00e9m concorda que, <strong>nos \u00faltimos anos, o cen\u00e1rio tem se tornado muito mais preocupante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEspecificamente nas quest\u00f5es alimentares, a gente v\u00ea uma piora e um aumento mesmo de demanda, tanto ambulatorial como de interna\u00e7\u00e3o. A nossa fila de espera s\u00f3 aumenta, e a gente acaba recebendo pedidos de interna\u00e7\u00e3o de casos graves do Brasil todo\u201d, relata o psiquiatra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong>Os sinais de alerta e como os pais podem agir<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros sinais de um transtorno alimentar nem sempre aparecem de forma evidente. Uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a alimenta\u00e7\u00e3o pode parecer apenas uma mudan\u00e7a de h\u00e1bito, enquanto falar frequentemente sobre emagrecimento ou esconder o pr\u00f3prio corpo pode ser interpretado como uma inseguran\u00e7a comum da idade. No entanto,<strong> quando esses comportamentos come\u00e7am a se tornar r\u00edgidos e a interferir na rotina, \u00e9 importante buscar ajuda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um sinal de alerta \u00e9 quando o jovem come\u00e7a a se preocupar demais com comida, principalmente com calorias e grupos alimentares, e com o corpo, com muita insatisfa\u00e7\u00e3o corporal, \u00e0s vezes escondendo o corpo com camadas de roupa ou falando sobre perda de peso com frequ\u00eancia. Al\u00e9m disso, uma dieta ou um \u2018estilo de vida saud\u00e1vel\u2019 pode mascarar sintomas de um transtorno alimentar\u201d \u2014<em> Muriel Hamilton Depin, nutricionista especializado em Transtornos Alimentares pelo AMBULIM-IPq-HC-FMUSP e diretor de comunica\u00e7\u00e3o e membro do conselho t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transtornos Alimentares (ASTRALBR)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dessas mudan\u00e7as, tamb\u00e9m \u00e9 preciso observar o comportamento social da crian\u00e7a. Para Wagner, um dos sinais \u00e9 <strong>quando a crian\u00e7a ou adolescente passa a ficar mais recluso e diferente do comportamento habitual<\/strong>. A preocupa\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o quando come\u00e7a a ficar cada vez mais r\u00edgida, sem flexibiliza\u00e7\u00e3o, a ponto de interferir at\u00e9 na conviv\u00eancia com outras pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o m\u00e9dico tamb\u00e9m pontua que, atualmente, <strong>muitos transtornos s\u00e3o \u201cdisfar\u00e7ados\u201d pela busca por um bem-estar absoluto<\/strong>. Com cada vez mais pessoas focadas em se alimentar bem, fazer exerc\u00edcios e compartilhar uma vida extremamente saud\u00e1vel nas redes, comportamentos que, em si, s\u00e3o positivos, algumas atitudes preocupantes podem passar despercebidas. Quando essa rotina passa a incluir, por exemplo, uma contagem obsessiva de calorias, pode ser um sinal de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o ambiente familiar tamb\u00e9m pode influenciar esse processo. Coment\u00e1rios constantes sobre peso, dietas e alimenta\u00e7\u00e3o podem acabar normalizando comportamentos que deveriam ser observados com cuidado. \u201cTem muitos desses comportamentos que s\u00e3o normalizados dentro de casa, como uma preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com a alimenta\u00e7\u00e3o e a checagem de r\u00f3tulos. Seriam coisas que realmente chamam mais aten\u00e7\u00e3o, mas que, infelizmente, hoje acabam tamb\u00e9m sendo normalizadas no dia a dia\u201d, pontua Wagner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, <strong>acompanhar o que a crian\u00e7a navega e consome nas redes tamb\u00e9m faz parte da preven\u00e7\u00e3o dos transtornos alimentares<\/strong>. Para Muriel, os pais devem verificar quais conte\u00fados os filhos est\u00e3o vendo e seguindo e conversar sobre os riscos daqueles que incentivam comportamentos alimentares prejudiciais. Quando os primeiros sinais aparecem, o di\u00e1logo tamb\u00e9m deve vir acompanhado de ajuda profissional, sem constranger a crian\u00e7a ou o adolescente, mas buscando entender como aquela ideia ou comportamento surgiu. O acolhimento \u00e9 o primeiro passo para construir um di\u00e1logo verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 preciso ter muito cuidado na abordagem. Ao identificar algum comportamento preocupante, \u00e9 importante abrir o di\u00e1logo, conversar sobre o porqu\u00ea daquilo e entender o que existe de sofrimento. Com tanta informa\u00e7\u00e3o e tanto acesso \u00e0s redes sociais, \u00e9 importante que exista, minimamente, essa supervis\u00e3o e o uso compartilhado. E o tratamento especializado \u00e9 uma chave muito importante de ressaltar, porque os transtornos alimentares t\u00eam um tratamento espec\u00edfico e podem ter muitas falhas quando n\u00e3o \u00e9 feito dessa forma\u201d, orienta Wagner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, <strong>quanto antes esses sinais forem identificados, mais cedo a crian\u00e7a pode receber o acompanhamento necess\u00e1rio<\/strong>. Reconhecer essas mudan\u00e7as no in\u00edcio pode fazer diferen\u00e7a para que o sofrimento seja identificado antes que o transtorno avance.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong>estante quindim<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas livros, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, para dialogar com as crian\u00e7as sobre autoestima a partir da pr\u00f3pria imagem: <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"295\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/andreia-baleia.jpg\" alt=\"Andreia Baleia (autor Davide Cali, ilustra\u00e7\u00f5es Soja Bougaeva, tradutora Noelly Russo, editora Livros da Raposa Vermelha)\" class=\"wp-image-33359\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/andreia-baleia\/davide-cali\/9788566594072\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andreia baleia<\/a>, Davide Cal\u00ec e Sonja Bougaeva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"467\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/feio-eu.jpg\" alt=\"Feio, eu? (escritora Silvana Tavano, ilustra\u00e7\u00f5es Mariana Demuth, editora: Livros da Matriz)\" class=\"wp-image-32921\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/feio%2C-eu%3F\/silvana-tavano\/9786586167016\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Feio, eu?<\/a>, de Silvana Tavano e Mariana Demuth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"2397\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco.jpg\" alt=\"Gigante pouco a pouco (escritor Pablo Albo, ilustradora Aitana Carrasco, editora Biruta)\" class=\"wp-image-47496\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco.jpg 2397w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco-768x820.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco-1438x1536.jpg 1438w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco-1918x2048.jpg 1918w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco-843x900.jpg 843w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/gigante-pouco-a-pouco-150x160.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 2397px) 100vw, 2397px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/gigante-pouco-a-pouco\/pablo-albo\/9788578481551\">Gigante pouco a pouco,<\/a> de Pablo Albo e Aitana Carvalho<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas alertam sobre crian\u00e7as e jovens estarem cada vez mais expostos a transtornos alimentares devido a conte\u00fados nas redes sociais que incentivam a magreza extrema<\/p>\n","protected":false},"author":94,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[746,505,2608],"tags":[],"class_list":["post-73875","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento-infantil","category-familia","category-saude"],"acf":{"posts_relacionados":[56952,60181,22279]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73875"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73875\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22279"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60181"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}