{"id":73647,"date":"2026-08-14T13:19:42","date_gmt":"2026-08-14T16:19:42","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=73647"},"modified":"2026-08-14T13:19:43","modified_gmt":"2026-08-14T16:19:43","slug":"direito-a-subjetividade-na-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/direito-a-subjetividade-na-literatura\/","title":{"rendered":"Por que ainda negamos \u00e0s crian\u00e7as o direito \u00e0 subjetividade na literatura?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns momentos da vida, adultos e jovens podem preferir ler romances. Em outros, livros de cr\u00f4nicas. H\u00e1 ainda aqueles que focam em um g\u00eanero, com um gosto bem definido desde cedo. Pode ser suspense, autofic\u00e7\u00e3o, realismo m\u00e1gico\u2026 s\u00e3o diferentes possibilidades e est\u00e9ticas para ir a fundo, e h\u00e1 sempre um novo mundo para conhecer. \u00c9 assim que vamos delineando nossas prefer\u00eancias e construindo nossa jornada liter\u00e1ria particular. <strong>Por que, ent\u00e3o, quando pensamos na literatura infantil, existe ainda uma ideia de que os livros infantis n\u00e3o possam abra\u00e7ar essa pluralidade?<\/strong> Que precisam, sempre, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/literatura-precisa-ensinar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ensinar algo<\/a>, ter moral ou apenas divertir os pequenos, de maneira fr\u00edvola ou facilmente compreens\u00edvel com come\u00e7o, meio e fim, sem espa\u00e7o para a subjetividade?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para responder essa pergunta, \u00e9 preciso adentrar em alguns estudos que abordam a sociologia da inf\u00e2ncia. O chamado <strong>\u201cadultocentrismo&#8221;<\/strong>, fortemente ligado \u00e0 matriz da cultura ocidental, enxerga a inf\u00e2ncia como uma fase preparat\u00f3ria para se tornar adulto, como um ser que ainda n\u00e3o \u00e9, mas que ir\u00e1 se tornar. A crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 enxergada como uma crian\u00e7a em sua plenitude, mas como um \u201cpequeno projeto de adulto&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disso, surgem concep\u00e7\u00f5es equivocadas para todas as \u00e1reas de conhecimento, e a literatura n\u00e3o fica de fora. <\/strong>Neste ideal mais restritivo, se a crian\u00e7a precisa &#8220;aprender como se tornar um bom adulto&#8221;, os livros indicados para que ela leia n\u00e3o precisam ser sentidos e apreciados naquele momento, mas sim utilit\u00e1rios, levando para um caminho focado em aprendizado e forma\u00e7\u00e3o. E, assim, n\u00e3o sobra muito espa\u00e7o mesmo para a subjetividade, para o sens\u00edvel, para novos questionamentos, para o indiz\u00edvel e tanto mais que a literatura infantil pode despertar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg\" alt=\"Clube Quindim\" class=\"wp-image-64970\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>o \u00fanico grupo social que n\u00e3o escreve para si mesmo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anete Abramowicz \u00e9 um nome que figura entre as principais pesquisadoras sobre a sociologia da inf\u00e2ncia no Brasil. Para ela, h\u00e1 um ponto muito importante a ser debatido quando pensamos na literatura infantil: <strong>a de que as crian\u00e7as s\u00e3o um dos \u00fanicos grupos sociais que n\u00e3o escrevem a pr\u00f3pria literatura.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao pensarmos na literatura de maneira geral, \u00e9 bem poss\u00edvel que, em algum texto encontremos viv\u00eancias parecidas com a nossa, escritas por autores que compartilham caracter\u00edsticas em comum. Sejam elas sobre <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-para-discutir-questoes-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">g\u00eanero, ra\u00e7a, classe ou orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/a>, por exemplo. J\u00e1 a crian\u00e7a, ao ler um livro infantil, l\u00ea muitas vezes o que um adulto imagina que seria algo de interesse das inf\u00e2ncias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa, \u00e9 claro, que a literatura infantil seja incapaz de dialogar verdadeiramente com as crian\u00e7as. Pelo contr\u00e1rio. <strong>Apenas refor\u00e7a que, nessa escrita, \u00e9 preciso que o adulto se retire totalmente, assim como nossas concep\u00e7\u00f5es do que seria o ideal de que uma crian\u00e7a lesse<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJ\u00e1 tem uma rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica dada logo de in\u00edcio. O adulto para conseguir alcan\u00e7ar a perspectiva da crian\u00e7a, ele tem que fazer muitos movimentos. Porque a gente sup\u00f5e, a gente imagina, a gente constr\u00f3i um ideal de crian\u00e7a, e funcionamos nessa representa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, surge uma representa\u00e7\u00e3o daquilo que a crian\u00e7a aguenta e daquilo que a crian\u00e7a n\u00e3o aguenta. E isso pode resultar em uma literatura que \u00e9 esvaziada de todo o potencial que a pr\u00f3pria crian\u00e7a tem&#8221;, explica Anete, mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), p\u00f3s-doutora em Sociologia da Inf\u00e2ncia pela Universidade Paris Descartes, na Fran\u00e7a, e professora titular da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em entrevista \u00e0 Revista Quindim.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134133.499.jpg\" alt=\"subjetividade na literatura\" class=\"wp-image-73660\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134133.499.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134133.499-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do livro \u201cPrimavera\u201d de Odilon Moraes e Carolina Moreyra (Joaquina). | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio apontado por Anete pode aparecer de diferentes formas: quando um livro \u00e9 considerado &#8220;sens\u00edvel demais&#8221; para crian\u00e7as, quando a narrativa \u00e9 constru\u00edda para conduzir o leitor a uma li\u00e7\u00e3o de moral \u2014 definida, mais uma vez, pelo olhar dos adultos \u2014 ou quando a literatura \u00e9 reduzida a uma ferramenta de ensino, deixando em segundo plano sua dimens\u00e3o art\u00edstica e subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DZa8hBrlDuY\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Livros que DIZEM o que pensar ou livros que FAZEM pensar?<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa literatura infantil, de alguma maneira, o adulto tem que se retrair. Se o adulto n\u00e3o se retrai, ele ocupa todo o espa\u00e7o. E n\u00e3o uma retra\u00e7\u00e3o s\u00f3 de lugar, mas uma retra\u00e7\u00e3o absoluta. \u00c9 um processo de subjetiva\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta Anete.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>a crian\u00e7a j\u00e1 vive uma experi\u00eancia de mundo pr\u00f3pria \u2013<\/strong> e completa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para que essa literatura alcance de fato as diferentes inf\u00e2ncias, \u00e9 preciso compreender, antes de tudo, que a crian\u00e7a j\u00e1 vive uma experi\u00eancia de mundo completa. <\/strong>Ela n\u00e3o \u201cvir\u00e1 a ser&#8221;, mas sim j\u00e1 \u00e9 um indiv\u00edduo em sua totalidade. Indiv\u00edduo esse que tem <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/8-livros-para-ajudar-criancas-enfrentarem-medo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medo<\/a>, curiosidade, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/meninas-tambem-sentem-raiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">raiva<\/a>, ang\u00fastias, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/luto-infantil-como-ajudar-crianca-lidar-morte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vivencia o luto<\/a>, o sarcasmo, a ironia e tantos outros sentimentos complexos que a literatura pode oferecer.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, ao definir o tipo de literatura que uma crian\u00e7a deve ler, um outro perigo \u00e9 acionado: <strong>o de subestimar a inf\u00e2ncia, que enxerga o mundo sob \u00f3ticas diferentes, mas n\u00e3o menos importantes ou inferiores.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA experi\u00eancia da inf\u00e2ncia \u00e9 mergulhada na perplexidade, na curiosidade, no estranhamento frente um mundo que \u00e9 t\u00e3o interessante, com suas materialidades, acontecimentos e processos de transforma\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as convivem com mist\u00e9rios, contradi\u00e7\u00f5es, perguntas sem resposta, inven\u00e7\u00f5es e fabula\u00e7\u00f5es cotidianas. Elas habitam o campo da imagina\u00e7\u00e3o com uma liberdade que muitas vezes os adultos j\u00e1 perderam&#8221;, ressalta tamb\u00e9m Stela Barbieri, autora de mais de 24 livros infantis, arte-educadora, uma das curadoras do Clube Quindim, ex-curadora do Educativo da Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo, ex-diretora da A\u00e7\u00e3o Educativa do Instituto Tomie Ohtake e atual diretora do Bin\u00e5h Espa\u00e7o de Arte, em entrevista \u00e0 Revista Quindim.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134702.100.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-73661\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134702.100.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MIOLO-2026-08-12T134702.100-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro \u201c<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/nao-e-uma-caixa\/antoinette-portis\/9786586959901\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Isso n\u00e3o \u00e9 uma caixa<\/a>\u201d de Antoinette Portis | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse mundo infantil, t\u00e3o palp\u00e1vel e ainda sem defini\u00e7\u00f5es limitantes que vamos adquirindo ao longo da vida, pode ser acessado de diferentes formas, tendo em vista que a literatura \u00e9 recebida de maneira \u00fanica por cada pessoa. E, justamente por isso, para manter viva essa gama de pluralidade e subjetividade, \u00e9 preciso que <strong>a crian\u00e7a possa ler livros com tem\u00e1ticas, est\u00e9ticas e g\u00eaneros diferentes<\/strong>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/bibliodiversidade-diferentes-formatos-texto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A bibliodiversidade e os diferentes g\u00eaneros liter\u00e1rios: muitas maneiras de contar hist\u00f3rias<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse caminho, um livro de imagens pode evocar mem\u00f3rias. Um livro mais sens\u00edvel pode ajudar a compreens\u00e3o de sentimentos dif\u00edceis. J\u00e1 uma obra questionadora inicia novos di\u00e1logos, ou um texto ir\u00f4nico ensina a rir mais de si mesmo\u2026 S\u00e3o muitas searas capazes de ativar a subjetividade! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA inf\u00e2ncia \u00e9 um territ\u00f3rio onde tamb\u00e9m existem os conflitos. As crian\u00e7as convivem com perdas, medos, d\u00favidas, alegrias, sentimentos contradit\u00f3rios e experi\u00eancias dif\u00edceis desde muito cedo. <strong>A literatura n\u00e3o cria esses sentimentos; ela possibilita habit\u00e1-los.<\/strong> Um livro pode ser uma oportunidade de nomear, imaginar, deslocar ou transformar experi\u00eancias que j\u00e1 fazem parte da vida&#8221;, reflete Stela.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-que-tratam-sentimentos-como-personagens\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">6 livros que retratam os sentimentos como personagens da hist\u00f3ria<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">subjetividade na literatura: consumimos arte por prazer, e n\u00e3o apenas para aprender. crian\u00e7as tamb\u00e9m!<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a literatura faz parte da experi\u00eancia humana, \u00e9 de comum entendimento que ela n\u00e3o cabe em uma \u00fanica fun\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DbWj_3AjUMQ\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">H\u00e1 livros que nos emocionam<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DbogPDIFBj_\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">outros que nos fazem rir<\/a>, alguns despertam estranhamento ou medo e h\u00e1 aqueles que simplesmente n\u00e3o gostamos. Nem toda obra ser\u00e1 compreendida na primeira leitura, nem encontrar\u00e1 identifica\u00e7\u00e3o imediata. Algumas permanecem conosco por anos antes de fazer sentido, enquanto outras apenas passam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente essa conviv\u00eancia com diferentes experi\u00eancias est\u00e9ticas que nos permite construir, aos poucos, um repert\u00f3rio pr\u00f3prio e descobrir aquilo que nos move como leitores. N\u00e3o por acaso, a <a href=\"https:\/\/fundacaoitau.org.br\/observatorio\/biblioteca\/retratos-da-leitura-no-brasil-6-edicao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil<\/a>, divulgada em 2024 pelo Instituto Pr\u00f3-Livro, aponta que 26% dos brasileiros leem principalmente porque gostam, percentual superior ao daqueles que buscam atualiza\u00e7\u00e3o cultural ou conhecimento geral (15%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, com as inf\u00e2ncias, n\u00e3o deveria ser diferente. Ao ter contato com livros melanc\u00f3licos, ir\u00f4nicos, divertidos, po\u00e9ticos, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-infantis-com-nonsense\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nonsense<\/a> ou inquietantes,<strong> a crian\u00e7a tamb\u00e9m vai alimentando sua subjetividade e constr\u00f3i seu gosto pela leitura por meio da bibliodiversidade<\/strong>, entendendo, aos poucos, quais hist\u00f3rias a fazem rir, chorar, imaginar, questionar ou simplesmente voltar a elas mais tarde. Mais do que tudo, elas leem essas hist\u00f3rias porque querem, porque se interessam e porque s\u00e3o humanas. Segundo Anete, n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de uma raz\u00e3o maior que essa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As crian\u00e7as t\u00eam quest\u00f5es vitais, sobre a morte, sobre a vida, sobre o que vai acontecer, sobre seu tamanho, sobre seu pa\u00eds. (&#8230;) Uma boa literatura \u00e9 aquela que a ajuda a rir, a se entender, a prosseguir as suas quest\u00f5es&#8221;, conclui Anete.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, validar a crian\u00e7a como um indiv\u00edduo pleno tamb\u00e9m significa reconhecer seu direito \u00e0 subjetividade e de viver a literatura da mesma forma que qualquer outro leitor: n\u00e3o apenas para aprender, mas para sentir, e seguir fazendo tantas perguntas ao longo da vida.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas livros, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, que convidam as crian\u00e7as a mergulharem na subjetividade da literatura: <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"392\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Primavera_CapaTransparente-e1786554327688.png\" alt=\"Primavera\" class=\"wp-image-73666\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Primavera_CapaTransparente-e1786554327688.png 350w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Primavera_CapaTransparente-e1786554327688-150x168.png 150w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/primavera\/carolina-moreyra\/9786583863089\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primavera,<\/a> de Carolina Moreyra e Odilon Moraes <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"305\" height=\"420\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/O-livro-do-futuro_CapaTransparente-e1786554504773.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-73667\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/O-livro-do-futuro_CapaTransparente-e1786554504773.png 305w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/O-livro-do-futuro_CapaTransparente-e1786554504773-150x207.png 150w\" sizes=\"(max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/o-livro-do-futuro\/mac-barnett\/9786554851817\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O livro do futuro,<\/a> de Mac Barnett e Shawn Harris<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"446\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/pedro-e-lua.jpg\" alt=\"Pedro e a Lua (autor Odilon Moraes, editora Jujuba)\" class=\"wp-image-33482\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/pedro-e-lua\/odilon-moraes\/9788561695637\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedro e Lua,<\/a> de Odilon Moraes <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tratar a literatura infantil de forma did\u00e1tica nega sua subjetividade e ignora a crian\u00e7a como sujeito pleno e capaz de criar sentidos pr\u00f3prios a partir da 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