{"id":72920,"date":"2026-06-05T13:19:14","date_gmt":"2026-06-05T16:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=72920"},"modified":"2026-06-05T13:19:16","modified_gmt":"2026-06-05T16:19:16","slug":"estilo-proprio-crianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/estilo-proprio-crianca\/","title":{"rendered":"Estilo pr\u00f3prio: o que est\u00e1 por tr\u00e1s de quando voc\u00ea incentiva a crian\u00e7a a escolher a pr\u00f3pria roupa?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de escolher uma roupa preferida, uma cor que n\u00e3o quer tirar do corpo ou um acess\u00f3rio que passa a acompanhar todos os passeios, a crian\u00e7a est\u00e1 vivendo algo maior: a descoberta de si mesma. Na teoria do psic\u00f3logo franc\u00eas Henri Wallon, h\u00e1 um momento do desenvolvimento infantil conhecido como est\u00e1gio do personalismo, que costuma acontecer entre os tr\u00eas e seis anos. \u00c9 nessa fase que a crian\u00e7a come\u00e7a a se perceber com mais for\u00e7a como algu\u00e9m separado dos outros, num processo importante de constitui\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d e da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 quando aparecem, com mais intensidade, frases como \u201ceu quero\u201d, \u201ceu n\u00e3o gosto\u201d, \u201ceu fa\u00e7o sozinho\u201d ou \u201cessa roupa n\u00e3o\u201d. Para os adultos, essas manifesta\u00e7\u00f5es podem parecer apenas birra, teimosia ou uma dificuldade cotidiana na hora de sair de casa. Mas, muitas vezes, <strong>elas tamb\u00e9m revelam uma crian\u00e7a tentando experimentar escolhas, afirmar prefer\u00eancias e entender quem \u00e9 no mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E esse processo n\u00e3o se resume s\u00f3 \u00e0s roupas. As crian\u00e7as constroem formas de express\u00e3o tamb\u00e9m pelo brincar, pelas m\u00fasicas que querem ouvir, pelos personagens de que gostam e muitos outros elementos que dependem de escolha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a psic\u00f3loga Juliana Prates \u2014 mestre em psicologia do desenvolvimento, professora do Instituto de Psicologia e Servi\u00e7o Social da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisadora do N\u00facleo Ci\u00eancia Pela Inf\u00e2ncia (NCPI) \u2014, a personalidade nasce do encontro entre o que h\u00e1 de inicial na crian\u00e7a, como o temperamento e as rela\u00e7\u00f5es que ela estabelece com o ambiente. \u201cA crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma p\u00e1gina em branco, uma t\u00e1bula rasa, que a gente deposita conte\u00fado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que <strong>a crian\u00e7a \u00e9 influenciada pelo mundo, mas tamb\u00e9m age sobre ele. <\/strong>Ela observa, reage, recusa, imita, combina refer\u00eancias e cria modos pr\u00f3prios de se comunicar. Ao escolher uma roupa, uma fantasia, um penteado ou uma m\u00fasica favorita, ela n\u00e3o est\u00e1 apenas manifestando um gosto isolado. Est\u00e1 tamb\u00e9m experimentando possibilidades de<strong> pertencimento, autonomia e identidade.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">como construir um estilo pr\u00f3prio: aprendendo a escolher <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apoiar a constru\u00e7\u00e3o de um estilo pr\u00f3prio n\u00e3o significa deixar que a crian\u00e7a decida tudo sozinha. Tamb\u00e9m n\u00e3o significa escolher tudo por ela. Entre esses dois extremos existe um caminho de media\u00e7\u00e3o, em que <strong>os adultos reconhecem as prefer\u00eancias infantis, mas continuam oferecendo cuidado, contexto e limite<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/estimular-autonomia-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">processo de autonomia<\/a> n\u00e3o pode ser um processo de abandono. \u00c9 uma autonomia que \u00e9 constru\u00edda, que \u00e9 guiada, que \u00e9 junto, que \u00e9 conversada, que \u00e9 mediada pelo adulto\u201d &#8211; psic\u00f3loga Juliana Prates<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-5.jpg\" alt=\"estilo pr\u00f3prio\" class=\"wp-image-72940\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-5.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-5-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/eu-sou-grande\/clara-gavilan\/9786586959512\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Eu sou Grande<\/a> (de Clara Gavilan, editora Nanabooks)\u2018 | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, isso pode significar oferecer escolhas poss\u00edveis. Uma crian\u00e7a pequena talvez ainda n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es de decidir se deve ou n\u00e3o usar casaco num dia frio, mas pode escolher entre dois casacos. Pode n\u00e3o caber a ela decidir comprar uma pe\u00e7a muito cara, que compromete o or\u00e7amento da fam\u00edlia, mas pode opinar sobre cores, tecidos, combina\u00e7\u00f5es ou sobre aquilo que a faz se sentir confort\u00e1vel. E essa media\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolve apresentar \u00e0 crian\u00e7a os c\u00f3digos sociais ligados \u00e0s roupas. H\u00e1 pe\u00e7as mais adequadas para brincar no parque, ir \u00e0 escola ou a um casamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Fernanda Theodoro Roveri \u2014 professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp, doutora e mestre na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o, Conhecimento, Linguagem e Arte e pesquisadora das rela\u00e7\u00f5es entre inf\u00e2ncia, estudos culturais, educa\u00e7\u00e3o do corpo, educa\u00e7\u00e3o infantil e g\u00eanero \u2014, essa conversa pode ser uma oportunidade importante para as fam\u00edlias. A roupa, segundo ela, participa da inser\u00e7\u00e3o social das crian\u00e7as. N\u00e3o \u00e9 apenas uma escolha individual, mas tamb\u00e9m um elemento carregado de c\u00f3digos, pertencimentos e expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA roupa \u00e9 mais um elemento da nossa constru\u00e7\u00e3o da identidade. Ela \u00e9 mais um elemento daquilo que a gente consome na nossa sociedade que vai mostrar esses pertencimentos, que vai nos identificar por um comportamento social de um determinado grupo\u201d, afirma a educadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o di\u00e1logo \u00e9 t\u00e3o importante. <strong>Quando uma crian\u00e7a diz que gosta ou n\u00e3o gosta de determinada roupa, os adultos podem tentar entender o que est\u00e1 por tr\u00e1s daquela escolha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/menos-superprotecao-mais-autonomia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Menos superprote\u00e7\u00e3o, mais autonomia: a import\u00e2ncia de deixar a crian\u00e7a conquistar sua independ\u00eancia<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Expectativas de g\u00eanero<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os temas que mais preocupam os adultos est\u00e1 a escolha de roupas, cores ou acess\u00f3rios associados socialmente a um g\u00eanero. Um menino que quer vestir uma saia, uma menina que prefere roupas largas, uma crian\u00e7a que quer usar fantasia, chuteira, brilho, rosa, azul, cabelo curto ou comprido pode provocar d\u00favidas, inc\u00f4modos e medos na fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Juliana, muitas vezes a dificuldade n\u00e3o est\u00e1 na crian\u00e7a, mas nos adultos. Ela lembra que <strong>g\u00eanero n\u00e3o est\u00e1 necessariamente na vestimenta e que o binarismo r\u00edgido pode empobrecer o universo simb\u00f3lico das crian\u00e7as<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se um menino veste uma saia numa brincadeira, isso pode estar apenas no campo da fantasia, da curiosidade e da experimenta\u00e7\u00e3o. Se uma menina escolhe uma roupa considerada \u201cde menino\u201d, isso n\u00e3o deveria ser lido automaticamente como amea\u00e7a ou problema. Crian\u00e7as transitam por pap\u00e9is, personagens e possibilidades. Brincam de ser outras pessoas, experimentam gestos, cores, objetos e modos de estar no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu acho que a gente precisa se educar enquanto adulto para poder ver a possibilidade de uma experimenta\u00e7\u00e3o. <strong>Os adultos t\u00eam tanto medo, que eles n\u00e3o permitem que as crian\u00e7as simplesmente brinquem com a diversidade de possibilidades que o mundo exp\u00f5e.<\/strong> Afinal, se a gente tem tantas roupas diversas, por que eu n\u00e3o posso experimentar todas?\u201c, reflete Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/precisamos-ensinar-a-crianca-a-brincar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um adulto no meio do caminho: ser\u00e1 que as crian\u00e7as precisam de algu\u00e9m para ensin\u00e1-las a brincar?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Consumo, adultiza\u00e7\u00e3o e press\u00e3o est\u00e9tica<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-4.jpg\" alt=\"estilo pr\u00f3prio\" class=\"wp-image-72939\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-4.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-4-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu livro &#8220;Barbie na educa\u00e7\u00e3o de meninas: do rosa ao choque&#8221; (Editora Annablume, 2019), Fernanda investiga a boneca, pensando em como adultos criam brinquedos de acordo com suas pr\u00f3prias expectativas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seja nos brinquedos, anima\u00e7\u00f5es ou pe\u00e7as de roupa, adultos criam para as crian\u00e7as produtos que reproduzem quest\u00f5es estruturais diversas. \u00c9 assim, por exemplo, que meninas acabam usando roupas mais justas, e se preocupam muito mais com a \u201cbeleza\u201d e a vaidade do que os meninos. Um exemplo \u00e9 o fen\u00f4meno de \u201cpinkiza\u00e7\u00e3o\u201d que existe desde a d\u00e9cada de 80, associando ao universo feminino o rosa, uma cor considerada socialmente mais delicada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, \u00e9 essencial, sobretudo para as garotas, que os conceitos de moda e estilo sejam apresentados junto de conforto e bem-estar. Como essa roupa faz voc\u00ea se sentir? Por que ser\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 se sentindo assim? Voc\u00ea est\u00e1 confort\u00e1vel? Quais outras cores voc\u00ea acha bonito? Perguntas como essas abrem espa\u00e7o para que a crian\u00e7a se perceba em meio ao excesso de necessidades que o mercado cria e que afeta n\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as, mas todos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando voc\u00ea me pergunta se as crian\u00e7as podem escolher as roupas que elas usam, talvez a gente pudesse fazer essa pergunta para qualquer faixa et\u00e1ria. Ent\u00e3o, at\u00e9 que ponto a gente est\u00e1 escolhendo as coisas que a gente usa? A gente est\u00e1 falando de uma postura de comportamento baseado em uma est\u00e9tica coletiva (&#8230;). Ent\u00e3o, <strong>a discuss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 se a crian\u00e7a pode ou n\u00e3o escolher, mas em que medida todos n\u00f3s estamos escolhendo<\/strong>. Ent\u00e3o \u00e9 sobre\u00a0educar as crian\u00e7as nesse ambiente, enquanto n\u00f3s tamb\u00e9m temos que ser vigilantes de n\u00f3s mesmos\u201d, reflete Juliana.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog?_gl=1*1o7i9ag*_gcl_au*MTM1NTE2MzQ4LjE3Nzk5MDU0NjQ.*_ga*MTgyOTc1ODc1LjE3NTY0MDYzNTg.*_ga_HTYY595TP9*czE3ODA2NjcwODAkbzE1JGcxJHQxNzgwNjczNjg1JGo1OSRsMCRoNTkxNDQxNzIx\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69492\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Entre limite e acolhimento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apoiar a constru\u00e7\u00e3o do estilo pr\u00f3prio exige uma postura diferente tanto da permissividade absoluta quanto da <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-positiva-limites-sem-castigo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">imposi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria<\/a>. Juliana aproxima essa ideia do estilo parental autoritativo: aquele em que h\u00e1 regras, padr\u00f5es e combinados, mas tamb\u00e9m afeto, di\u00e1logo e reconhecimento da individualidade da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-6.jpg\" alt=\"estilo pr\u00f3prio\" class=\"wp-image-72943\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-6.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/MIOLO-6-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na outra ponta est\u00e1 o estilo autorit\u00e1rio, marcado pela imposi\u00e7\u00e3o de valores e comportamentos sem negocia\u00e7\u00e3o. <strong>Quando os adultos definem tudo, a crian\u00e7a perde oportunidades de investigar seus pr\u00f3prios desejos, testar escolhas<\/strong> e podem acabar descobrindo repentinamente o que \u00e9 a autonomia apenas na fase adulta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Em outras \u00e9pocas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa conversa tamb\u00e9m passa pelas mem\u00f3rias dos pr\u00f3prios adultos. Fernanda lembra que diferentes gera\u00e7\u00f5es tiveram rela\u00e7\u00f5es muito distintas com a roupa: em algumas fam\u00edlias, havia menos possibilidade de escolha; pe\u00e7as passavam de uma crian\u00e7a para outra; roupas eram costuradas em casa, reaproveitadas, reformadas ou aguardadas com expectativa quando deixavam de servir em um primo ou prima. Hoje, outras pr\u00e1ticas tamb\u00e9m aparecem, como trocas, brech\u00f3s e desapegos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhar para essa hist\u00f3ria pode ajudar m\u00e3es, pais e outros cuidadores a perceberem de onde v\u00eam suas pr\u00f3prias expectativas. \u00c0s vezes, o desejo de controlar a apar\u00eancia da crian\u00e7a nasce de mem\u00f3rias, frustra\u00e7\u00f5es, medos ou padr\u00f5es que os adultos tamb\u00e9m herdaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DXzOCatlHGC\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">&#8220;Na minha \u00e9poca&#8230;&#8221;: o que mudou nas inf\u00e2ncias ao longo dos anos?<\/a> <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69478\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Ampliando mundos e escolhas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o de um estilo pr\u00f3prio n\u00e3o depende apenas do guarda-roupa. Depende tamb\u00e9m dos mundos que a crian\u00e7a encontra dispon\u00edveis para imaginar quem pode ser. Livros, m\u00fasicas, brincadeiras, filmes e outras experi\u00eancias culturais ampliam repert\u00f3rios. Quanto mais diversas forem as refer\u00eancias, mais possibilidades a crian\u00e7a ter\u00e1 para se reconhecer, estranhar, experimentar e escolher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juliana destaca a import\u00e2ncia da leitura, da arte e da cultura nesse processo. Para ela, <strong>livros que apresentam diversidade e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DYkz-jJlGvQ\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">ampliam mundos<\/a> ajudam a crian\u00e7a a explorar possibilidades<\/strong>. A cultura infantil tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo: a crian\u00e7a se expressa pelo que desenha, pelo que conta, pelo que canta, pelo que veste e pelo modo como brinca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m muda com o tempo. Como lembra Juliana, ser crian\u00e7a em 2026 \u00e9 muito diferente de ter sido crian\u00e7a na d\u00e9cada de 1980. A cultura \u00e9 viva, e as formas de construir identidade tamb\u00e9m s\u00e3o atravessadas pelo momento hist\u00f3rico, pelas m\u00eddias, pelos espa\u00e7os de conviv\u00eancia e pelos repert\u00f3rios dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apoiar o estilo pr\u00f3prio, ent\u00e3o, talvez seja menos sobre formar uma crian\u00e7a \u201cestilosa\u201d e mais sobre <strong>permitir que ela tenha espa\u00e7o para existir com autoria<\/strong>. Isso inclui curiosidade, tentativa, mudan\u00e7a de ideia, di\u00e1logo, limite e acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A roupa pode ser s\u00f3 o ponto de partida. Por tr\u00e1s dela, h\u00e1 uma crian\u00e7a aprendendo a dizer: eu gosto disso, eu n\u00e3o gosto daquilo, eu quero tentar, eu posso ser assim. E h\u00e1 adultos que, em vez de escolherem tudo por ela, podem acompanh\u00e1-la nesse percurso \u2014 oferecendo prote\u00e7\u00e3o sem sufocar, repert\u00f3rio sem impor e escuta sem transformar cada diferen\u00e7a em problema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"436\" height=\"421\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/EuSouGrande_CapaTransparente-e1702414934977.png\" alt=\"Eu sou grande (autora Clara Gavilan, editora Nana Books)\" class=\"wp-image-56312\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/EuSouGrande_CapaTransparente-e1702414934977.png 436w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/EuSouGrande_CapaTransparente-e1702414934977-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/EuSouGrande_CapaTransparente-e1702414934977-150x145.png 150w\" sizes=\"(max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/eu-sou-grande\/clara-gavilan\/9786586959512\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eu sou grande,<\/a> de Clara Gavilan<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"332\" height=\"451\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/NaoNaoeNao_CapaTransparente-e1739984900546.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-68072\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/NaoNaoeNao_CapaTransparente-e1739984900546.png 332w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/NaoNaoeNao_CapaTransparente-e1739984900546-150x204.png 150w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/nao-nao-e-nao\/noemi-vola\/9786585773539\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">N\u00e3o, n\u00e3o e n\u00e3o, <\/a>de Noemi Vola<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"533\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/n\u00e3o-sim-talvez.jpg\" alt=\"N\u00e3o, sim, talvez (escritora Raquel Matsushita, ilustra\u00e7\u00f5es Ionit Zilberman, editora SESI-SP)\" class=\"wp-image-1994\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/n\u00e3o-sim-talvez.jpg 450w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/n\u00e3o-sim-talvez-253x300.jpg 253w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/nao-sim-talvez\/raquel-matsushita\/9788582051276\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sim, n\u00e3o, talvez,<\/a> de Raquel Matsushita e Ionit Zilberman<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A roupa \u00e9 s\u00f3 um ponto de partida da constru\u00e7\u00e3o do estilo pr\u00f3prio. 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