{"id":72548,"date":"2026-04-15T15:21:55","date_gmt":"2026-04-15T18:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=72548"},"modified":"2026-04-15T15:21:57","modified_gmt":"2026-04-15T18:21:57","slug":"ciranda-expressao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/ciranda-expressao-cultural\/","title":{"rendered":"&#8220;Vamos todos cirandar&#8221;: conhe\u00e7a mais sobre dan\u00e7a que \u00e9 um convite para crian\u00e7as e adultos brincarem juntos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De m\u00e3os dadas e girando em c\u00edrculo, ao ritmo de versos cantados, a ciranda \u00e9 muito mais do que uma dan\u00e7a de roda tradicional do nosso pa\u00eds. <strong>Ela \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o e do acolhimento, uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural em que todos que entram na roda se sentem inclu\u00eddos, vivenciando a alegria do estar junto<\/strong> \u2014 algo que, muitas vezes, se perde na agita\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/adultizacao-erotizacao-como-proteger-infancias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">crescente digitaliza\u00e7\u00e3o do dia a dia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA ciranda \u00e9 uma cultura brincante. <strong>Na ciranda se brinca, se conversa, tudo com amor, com carinho e com dignidade<\/strong>\u201d, disse <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/liadeitamaracaoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Lia de Itamarac\u00e1<\/a>, considerada a Rainha da Ciranda, para o podcast Brasil de Fato em parceria com a Alian\u00e7a pela Inf\u00e2ncia. Diante dessa defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 para menos que, em 2021, a Ciranda do Nordeste foi registrada pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil \u2014 t\u00edtulo que garante prote\u00e7\u00e3o para que essa express\u00e3o art\u00edstica seja valorizada, beneficiando os mestres, grupos e comunidades que mant\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o viva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das maneiras de dar mais visibilidade \u00e0 ciranda, indo al\u00e9m da dan\u00e7a de roda em si, \u00e9 levar a tradi\u00e7\u00e3o para outros espa\u00e7os culturais. Um deles \u00e9 o da literatura, como faz a obra <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/uma-ciranda-para-lia\/cristiano-gouveia\/9789267851754\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma ciranda para Lia<\/a>\u201d,<\/strong> de Cristiano Gouveia e Layla Cruz (Editora Caixote), j\u00e1 entregue \u00e0 Fam\u00edlia Quindim. Nesse mergulho circular, os autores apresentam a hist\u00f3ria de Lia de Itamarac\u00e1. E fazem isso de um jeito muito especial: <strong>ao ser aberto, o livro reproduz o formato de uma ciranda enquanto narra, com muita poesia e ritmo, a trajet\u00f3ria de Lia.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-57.jpg\" alt=\"Uma ciranda para Lia\" class=\"wp-image-72554\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-57.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-57-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;Uma ciranda para Lia&#8217;, de Cristiano Gouveia e Layla Cruz | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO livro nasceu dentro da sala de aula, em 2022, [&#8230;] onde eu, Layla Cruz e Tha\u00eds Carone d\u00e1vamos aulas. Na \u00e9poca, est\u00e1vamos desenvolvendo uma proposta de estudar a ciranda com crian\u00e7as de 2 e 3 anos. Eu dava aulas de m\u00fasica, Tha\u00eds dava aulas de artes visuais e Layla era professora de refer\u00eancia da turma. Tha\u00eds e eu criamos a proposta de trazer a Lia de Itamarac\u00e1. A cada aula, as crian\u00e7as, \u2018guiadas\u2019 pela Lia e suas m\u00fasicas, brincavam, criavam, dan\u00e7avam ciranda&#8221;, conta Cristiano. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, Layla logo embarcou na proposta, trazendo ilustra\u00e7\u00f5es da Lia em diversas situa\u00e7\u00f5es.  &#8220;Tha\u00eds usava as ilustra\u00e7\u00f5es da Layla para elaborar atividades de artes visuais com as crian\u00e7as. E eu escrevia versos para cantar e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/atividades-para-brincar-ao-ar-livre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">brincar<\/a>. Ao fim do bimestre, as crian\u00e7as coroaram a Lia como rainha da ciranda, e n\u00f3s coroamos as crian\u00e7as como novas mestras da ciranda. Foi um projeto muito bonito, as crian\u00e7as amaram conhecer a Lia, amaram a ciranda\u201d, relembra Cristiano Gouveia, um dos autores de \u201cUma ciranda para Lia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessa experi\u00eancia, Cristiano e Layla decidiram transformar o projeto em livro. E o formato de ciranda para a obra surgiu quase que naturalmente: \u201cDesde o come\u00e7o, a Layla trouxe a ideia de ser um livro sanfonado, para que pudesse virar uma ciranda. Ent\u00e3o, de alguma maneira, fomos pensando nessa estrutura. Sobre a escrita, escolhi desde o come\u00e7o escrever o texto em versos, por entender que faria muito sentido pensar o texto com o ritmo das redondilhas maiores (versos de sete s\u00edlabas) e com a sonoridade das rimas\u201d, explica Cristiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/precisamos-ensinar-a-crianca-a-brincar\/\">Um adulto no meio do caminho: ser\u00e1 que as crian\u00e7as precisam de algu\u00e9m para ensin\u00e1-las a brincar?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">como se faz a ciranda? <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coletividade \u00e9 parte fundamental da ciranda: <strong>os mestres e mestras cantam os versos principais e o coro responde, enquanto todos dan\u00e7am de m\u00e3os dadas em um c\u00edrculo fechado<\/strong>. Enquanto isso, o ritmo \u00e9 marcado por instrumentos de percuss\u00e3o, como o surdo. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DQheZGgkR0a\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"><div style=\"padding:16px;\"> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DQheZGgkR0a\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" style=\" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> <div style=\" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;\"> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;\"><\/div> <div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;\"> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;\"><\/div> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\"><\/div><\/div><\/div><div style=\"padding: 19% 0;\"><\/div> <div style=\"display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;\"><svg width=\"50px\" height=\"50px\" viewBox=\"0 0 60 60\" version=\"1.1\" xmlns=\"https:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" xmlns:xlink=\"https:\/\/www.w3.org\/1999\/xlink\"><g stroke=\"none\" stroke-width=\"1\" fill=\"none\" fill-rule=\"evenodd\"><g transform=\"translate(-511.000000, -20.000000)\" fill=\"#000000\"><g><path d=\"M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631\"><\/path><\/g><\/g><\/g><\/svg><\/div><div style=\"padding-top: 8px;\"> <div style=\" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;\">Ver essa foto no Instagram<\/div><\/div><div style=\"padding: 12.5% 0;\"><\/div> <div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\"><div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\"><\/div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\"><\/div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\"><\/div><\/div><div style=\"margin-left: 8px;\"> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\"><\/div> <div style=\" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; 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font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DQheZGgkR0a\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" style=\" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Um post compartilhado por Lia de Itamarac\u00e1 (@liadeitamaracaoficial)<\/a><\/p><\/div><\/blockquote>\n<script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E existem estilos diferentes. Por exemplo, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, a ciranda \u00e9 mais r\u00e1pida e tamb\u00e9m pode ser chamada de \u201cp\u00e9 duro\u201d ou \u201cavexada\u201d. J\u00e1 na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, \u00e9 mais lenta e conhecida como \u201cciranda de embalo\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se faz muito presente em locais como a Para\u00edba e \u00e1reas da regi\u00e3o Norte do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe um consenso entre os pesquisadores que estudam o tema sobre qual \u00e9 a origem da ciranda, mas acredita-se que ela tenha surgido em Portugal. De acordo com Antonio Ailson Cavalcante de Amorim, no artigo <a href=\"https:\/\/iiscientific.com\/artigos\/3c0280\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cCiranda cirandinha: uma hist\u00f3ria cultural popular vista de baixo\u201d<\/a>, o nome teria origem no termo espanhol \u201czaranda\u201d, um instrumento usado para peneirar farinha.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao que tudo indica, os primeiros registros no Brasil s\u00e3o do s\u00e9culo 18, principalmente na regi\u00e3o Nordeste, com m\u00fasicas que falavam sobre o campo, as praias e o amor, por exemplo. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que, nesse in\u00edcio, a ciranda se fizesse presente entre trabalhadores rurais, pescadores e oper\u00e1rios de constru\u00e7\u00f5es, caracterizando-se como uma express\u00e3o popular. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais tarde, na d\u00e9cada de 1970, chegou \u00e0s grandes cidades, como \u00e0s pernambucanas Recife e Olinda, al\u00e9m de tamb\u00e9m j\u00e1 existir em outras regi\u00f5es, como em parte do litoral do Rio Janeiro, interior de S\u00e3o Paulo e no Amazonas. Com o tempo, ganhou o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong>A ciranda \u00e9 um exerc\u00edcio lindo de coletividade<\/strong>, dentro de uma pr\u00e1tica divertida, que encanta quem participa dela. <strong>\u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da brincadeira como elemento n\u00e3o apenas das crian\u00e7as, mas dos adultos tamb\u00e9m<\/strong>. O resgate, o respeito, a celebra\u00e7\u00e3o e a continuidade n\u00e3o s\u00f3 da ciranda, mas das <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DUyvk_Xkk-Q\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">manifesta\u00e7\u00f5es populares<\/a>, s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia. Estudar suas origens, celebrar e valorizar os mestres e mestras da cultura popular, levar as hist\u00f3rias, o repert\u00f3rio cultural e a sabedoria ancestral afroind\u00edgena brasileira para a sala de aula \u2014 tudo isso \u00e9 fundamental para que estudantes possam respeitar e valorizar tais manifesta\u00e7\u00f5es\u201d, pontua Cristiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DRIiujtkoFp\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Quem s\u00e3o os encantados e qual \u00e9 a import\u00e2ncia de legitim\u00e1-los?<\/a> <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">lia de itamarac\u00e1, a rainha da ciranda <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Maria Madalena Correia do Nascimento<\/strong>, a <strong>Lia de Itamarac\u00e1<\/strong>, nasceu em 12 de janeiro de 1944, na Ilha de Itamarac\u00e1, em Pernambuco. Ela come\u00e7ou a cantar ciranda aos 12 anos e, aos 19, j\u00e1 se apresentava em teatros e pra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lia foi cozinheira de um restaurante na ilha e merendeira de uma escola estadual, profiss\u00e3o que seguiu exercendo em paralelo \u00e0 carreira art\u00edstica. Em 1998, aos 34 anos, lan\u00e7ou seu primeiro disco. Dois anos depois, com o \u00e1lbum \u201cEu Sou Lia\u201d, foi reconhecida internacionalmente, nos Estados Unidos e na Europa. Em 2005, Lia de Itamarac\u00e1 recebeu o t\u00edtulo de <strong>Patrim\u00f4nio Vivo de Pernambuco<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-58.jpg\" alt=\"Uma ciranda para Lia\" class=\"wp-image-72561\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-58.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/MIOLO-58-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;Uma ciranda para Lia&#8217;, de Cristiano Gouveia e Layla Cruz | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristiano Gouveia contou ao <em>Clube Quindim<\/em> como Lia de Itamarac\u00e1 entrou em sua vida, bem antes de o livro \u201cUma ciranda para Lia\u201d tomar forma. Ele conta que sempre gostou muito de pesquisar sobre cultura popular, na m\u00fasica, nas artes visuais e na literatura. Al\u00e9m disso, sua fam\u00edlia sempre cultivou ra\u00edzes em manifesta\u00e7\u00f5es da cultura popular. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobri que meu pai participou do grupo de Bacamarteiros de Caruaru, em Pernambuco, e que meu av\u00f4, pai de minha m\u00e3e, tocava viol\u00e3o, rabeca e constru\u00eda rabecas l\u00e1 em Fortaleza, Cear\u00e1. Sabendo dessa rela\u00e7\u00e3o familiar, a cultura popular passou a ganhar cada vez mais espa\u00e7o na minha vida. Passei a estudar e a escrever literatura de cordel e a me aprofundar na m\u00fasica. Quando ouvi a Lia pela primeira vez, logo me encantei&#8221;, lembra ele e recorda: &#8220;J\u00e1 estudava m\u00fasica e me encantei com aquela mulher incr\u00edvel, alta, cantando cirandas com aquela voz potente. Quando tomei os caminhos da educa\u00e7\u00e3o musical, muitos anos atr\u00e1s, acabei levando esse meu referencial cultural para a sala de aula\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">a vida como um ciranda <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 comum que a ciranda esteja presente durante a primeira inf\u00e2ncia, como na Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2014 foi assim, por exemplo, que surgiu o livro \u201cUma ciranda para Lia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as pesquisadoras Maristela Loureiro e Sonia R. Albano de Lima, no artigo \u201cAs Cirandas Brasileiras e sua inser\u00e7\u00e3o no ensino fundamental e nos cursos de forma\u00e7\u00e3o de docentes\u201d,&nbsp; \u201c[a ciranda infantil] tem conte\u00fado socioafetivo e express\u00e3o simb\u00f3lica por incluir tradi\u00e7\u00e3o, m\u00fasica e movimento. Nela as crian\u00e7as acrescentam coreografias ao ritmo de cantigas infantis e, quando utilizadas em contextos escolares, permitem o desenvolvimento f\u00edsico, emocional e intelectual das crian\u00e7as e dos jovens. <strong>\u00c9 uma dan\u00e7a democr\u00e1tica que n\u00e3o estabelece hierarquias, pois n\u00e3o possibilita a exist\u00eancia de um solista<\/strong>. <strong>Qualquer um pode bailar com express\u00f5es corporais naturais e singelas\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ter como centralidade o acolhimento, sem distinguir classe social, idade, cor ou g\u00eanero, alguns estudiosos associam a ciranda ao conceito de \u201ccircularidade cultural\u201d, em que a cultura se associa ao que est\u00e1 sempre em processo e em movimento \u2014 algo que se assemelha tamb\u00e9m \u00e0 maneira como o mundo se organiza, em ciclos que nunca param, como uma roda de ciranda que mant\u00e9m seu processo vivo enquanto gira, sem intervalo.<br><br>Tudo isso conecta crian\u00e7as e adultos. <strong>\u201c[A ciranda] \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o de muitas coisas que encantam n\u00e3o apenas as crian\u00e7as, mas a todos: a m\u00fasica, a poesia, o movimento, o <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-sobre-o-ato-de-brincar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">brincar junto<\/a><\/strong>. Voc\u00ea pode participar cantando, dan\u00e7ando, tocando os instrumentos. \u00c9 um brinquedo muito agregador, pois convida todo mundo a participar. \u00c9 f\u00e1cil de aprender. E h\u00e1 algo muito especial em aprender junto \u2014 sobretudo para as crian\u00e7as, que descobrem no outro uma forma de brincar e crescer\u201d, conta Cristiano Gouveia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor de \u201cUma ciranda para Lia\u201d finaliza destacando a relev\u00e2ncia de manter a tradi\u00e7\u00e3o da ciranda viva: \u201c\u00c9 importante que as manifesta\u00e7\u00f5es sejam cada vez mais conhecidas e estudadas \u2014 nas escolas, nas universidades \u2014 enquanto express\u00e3o cultural viva, com suas origens, seus mestres e mestras e seus modos de fazer. A partir deste estudo, vamos construindo um respeito a essas pr\u00e1ticas. Com conhecimento e respeito, \u00e9 importante buscar tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o desses grupos ligados a essas tradi\u00e7\u00f5es. Valoriza\u00e7\u00e3o cultural, financeira, com apoio da popula\u00e7\u00e3o, dos governos, das institui\u00e7\u00f5es, para que essas artes t\u00e3o profundas possam seguir vivas e ser transmitidas \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas livros, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, que celebram a cultura popular brasileira, como a ciranda: <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"325\" height=\"412\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Uma-ciranda-para-Lia_CapaTransparente-e1776196398581.png\" alt=\"Capa de Uma ciranda para Lia\" class=\"wp-image-72564\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Uma-ciranda-para-Lia_CapaTransparente-e1776196398581.png 325w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Uma-ciranda-para-Lia_CapaTransparente-e1776196398581-150x190.png 150w\" sizes=\"(max-width: 325px) 100vw, 325px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/uma-ciranda-para-lia\/cristiano-gouveia\/9789267851754\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma ciranda para Lia<\/a>, de Cristiano Gouveia e Layla Cruz<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"299\" height=\"370\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Design-sem-nome-3-e1776196650788.jpg\" alt=\"Capa do livro Matinta Pereira\" class=\"wp-image-72565\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Design-sem-nome-3-e1776196650788.jpg 299w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Design-sem-nome-3-e1776196650788-150x186.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/matinta-pereira\/jose-santos\/9788568843178\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Matinta Pereira<\/a>, de Jos\u00e9 Santos e J\u00f4 Oliveira <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/FevereiroCapaTransparente-edited-1.png\" alt=\"Fevereiro (autora Carol Fernandes, editora Caixote)\" class=\"wp-image-48686\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/fevereiro\/carol-fernandes\/9786586666267\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fevereiro<\/a>, de Carol Fernandes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os primeiros registros da ciranda no Brasil remontam ao s\u00e9culo 18. 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