{"id":72139,"date":"2026-03-06T17:21:13","date_gmt":"2026-03-06T20:21:13","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=72139"},"modified":"2026-03-06T17:28:47","modified_gmt":"2026-03-06T20:28:47","slug":"como-explicar-misoginia-para-meninos-e-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/como-explicar-misoginia-para-meninos-e-meninas\/","title":{"rendered":"Como explicar misoginia para meninos e meninas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 9 de mar\u00e7o de 2025, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13104.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Lei do Feminic\u00eddio (n\u00ba 13.104\/2015)<\/a> completou 10 anos. Ela configura o feminic\u00eddio como crime hediondo, referindo-se ao assassinato de mulheres nos contextos de: \u201cI \u2014 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar; II \u2014 menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher\u201d. Mesmo assim, quase seis mulheres s\u00e3o mortas por dia no Brasil v\u00edtimas de feminic\u00eddio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dado exato, de <strong>5,89 mulheres assassinadas diariamente<\/strong>, \u00e9 do <a href=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/feminicidios-consumados-e-tentados-no-brasil-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Relat\u00f3rio Anual de Feminic\u00eddios no Brasil 2025<\/a>, elaborado pelo Laborat\u00f3rio de Estudos de Feminic\u00eddios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem\/UEL). No ano passado, foram registradas <strong>6.904 <\/strong>v\u00edtimas de casos consumados e tentados de feminic\u00eddio, o que representa um <strong>aumento de 34% <\/strong>em rela\u00e7\u00e3o a 2024, quando houve 5.150 v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses n\u00fameros v\u00eam sendo expostos de diversas maneiras nos \u00faltimos tempos \u2014 no notici\u00e1rio, nas redes sociais, nas conversas do dia a dia \u2014, e precisam seguir pautando as discuss\u00f5es e levando a novas medidas para conter as mais variadas formas de viol\u00eancia contra a mulher. Em meio a isso est\u00e1 inserida a <strong>misoginia<\/strong>, palavra que se faz cada vez mais presente no atual contexto brasileiro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">quando e como conversar sobre misoginia com as crian\u00e7as?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem convive com crian\u00e7as, sobretudo as que est\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia, j\u00e1 deve ter se questionado sobre qual \u00e9 a melhor maneira de abordar a tem\u00e1tica com os pequenos. Um dos primeiros passos \u00e9 entender do que estamos falando: \u201cMachismo e misoginia est\u00e3o relacionados ao controle dos corpos das mulheres. <strong>Misoginia \u00e9 o \u00f3dio, avers\u00e3o a tudo que \u00e9 feminino. Machismo \u00e9 uma ideologia, uma constru\u00e7\u00e3o social que considera o homem superior a mulher<\/strong>\u201d, explica Danielle Atta, mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de Bras\u00edlia (linha de pesquisa: g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o infantil), historiadora e pedagoga, especializada, entre outros temas, em pol\u00edticas p\u00fablicas, inf\u00e2ncia, juventude e diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pedagoga Nathalie Lima, especialista em orienta\u00e7\u00e3o de pais com atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o sexual com foco na <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/respeito-e-admiracao-pelo-proprio-corpo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">preven\u00e7\u00e3o ao abuso sexual infantil,<\/a> pontua que o \u201cmachismo coloca a mulher dentro de uma caixa, em coisas que ela pode ou n\u00e3o fazer. \u00c9 a compreens\u00e3o de que a mulher n\u00e3o \u00e9 boa em determinadas coisas, porque aquilo \u00e9 um lugar de homem, n\u00e3o \u00e9 o lugar dela. A misoginia intensifica toda essa atitude por trazer o \u00f3dio, o desprezo pela mulher\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-27.jpg\" alt=\"Livro Leila\" class=\"wp-image-72160\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-27.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-27-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;Leila&#8217;, de Tino Freitas e Thais Beltrame | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que os conceitos, e como eles s\u00e3o praticados, s\u00e3o compreendidos, \u00e9 hora de encontrar os caminhos para entender quando e como come\u00e7ar a abordar misoginia e machismo com meninos e meninas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm minha pesquisa de mestrado, foi observado que <strong>crian\u00e7as com 4 anos j\u00e1 demonstravam pr\u00e1ticas sociais ligadas \u00e0 masculinidade hegem\u00f4nica (muitas vezes t\u00f3xica) <\/strong>relacionando cores, brinquedos, objetos como sendo pertencentes ao universo masculino ou feminino. Ou seja, meninos da Educa\u00e7\u00e3o Infantil diziam que n\u00e3o podiam segurar uma boneca ou que n\u00e3o podiam triscar em nada que fosse rosa. E, por sua vez, as meninas j\u00e1 falavam que n\u00e3o podiam ficar do lado de determinadas crian\u00e7as por serem meninos. Percebe-se que j\u00e1 chegaram na institui\u00e7\u00e3o educativa com essas pr\u00e1ticas estabelecidas. Logo, essa conversa precisa acontecer antes disso\u201d, afirma Danielle Atta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pedagoga Nathalie Lima apresenta o mesmo caminho: \u201c<strong>O momento ideal \u00e9 desde sempre<\/strong> [&#8230;]. Vamos refor\u00e7ar que meninos e meninas tenham oportunidades iguais e respeito, independentemente do g\u00eanero\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lista-diarios-3.jpg\" alt=\"misoginia \" class=\"wp-image-72157\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lista-diarios-3.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lista-diarios-3-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/precisamos-ensinar-a-crianca-a-brincar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">universo das brincadeiras<\/a> \u00e9 um aliado nesse processo,<\/strong> como ressalta Danielle. \u201cAs brincadeiras ajudam as fam\u00edlias a tratar das mais diversas tem\u00e1ticas com as crian\u00e7as. Quando elas brincam de \u2018faz de conta que \u00e9 uma mam\u00e3e ou um papai\u2019 ou que exercem essa ou aquela profiss\u00e3o, j\u00e1 pode ocorrer uma media\u00e7\u00e3o dos pais voltada para o letramento de g\u00eanero e refor\u00e7o, no caso dos meninos, de uma masculinidade saud\u00e1vel, onde n\u00e3o haja separa\u00e7\u00e3o entre objetos, cores, sentimentos de menino e de menina&#8221;, diz a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ainda refor\u00e7a: &#8220;\u00c9 essa separa\u00e7\u00e3o, esse olhar dicot\u00f4mico \u2014 que muitas vezes coloca o menino em condi\u00e7\u00e3o de superioridade e por um lado lhe retira a sensibilidade: precisa ser forte, precisa proteger a menina, n\u00e3o pode chorar \u2014, que cria a segrega\u00e7\u00e3o e posteriormente levar\u00e1 aos casos de machismo, misoginia e at\u00e9 feminic\u00eddios. \u00c9 necess\u00e1rio socializar os meninos (e as meninas) para a isonomia de g\u00eanero. Atuar previamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DVKBlnvkq8g\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros para ter di\u00e1logos sem tabus com adolescentes<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>A palavra misoginia na inf\u00e2ncia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse trabalho preventivo, pais ou respons\u00e1veis se questionam sobre se devem ou n\u00e3o apresentar a palavra misoginia para as crian\u00e7as, ou sobre qual \u00e9 o melhor momento para fazer isso. \u201cO conceito de misoginia, assim como qualquer outro conceito, pode ser falado em qualquer idade. Desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, [&#8230;] n\u00f3s j\u00e1 come\u00e7amos com esse letramento de g\u00eanero. [Por\u00e9m] <strong>para ensinar um conceito, n\u00e3o \u00e9 preciso que a crian\u00e7a decore um nome, como misoginia. [&#8230;] <\/strong>N\u00f3s podemos falar sobre atitudes que s\u00e3o de \u00f3dio contra as mulheres e, neste momento, comentar que aconteceu misoginia. Mas essa crian\u00e7a s\u00f3 vai ter condi\u00e7\u00f5es de compreender o termo a fundo no Ensino Fundamental\u201d, diz Nathalie Lima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/violencia-na-adolescencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Viol\u00eancia na adolesc\u00eancia: como lidar com a agressividade dos filhos?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais uma vez, a brincadeira tem papel fundamental. \u201c\u00c9 atrav\u00e9s da brincadeira que a crian\u00e7a se insere no mundo e estabelece combinados. Por\u00e9m, <strong>os brinquedos tamb\u00e9m trazem marcadores de g\u00eanero<\/strong>. Conceitos podem ser \u2018explicados\u2019 durante essas brincadeiras. Se uma fam\u00edlia pro\u00edbe o filho menino de segurar uma boneca\/boneco porque \u00e9 uma brincadeira de menina, est\u00e1 \u2018explicando\u2019 que a dimens\u00e3o do cuidado n\u00e3o deve fazer parte do universo dele. A\u00ed n\u00e3o teremos um indiv\u00edduo que d\u00ea import\u00e2ncia ao bem-estar do outro, ao cuidado e ao autocuidado&#8221;, diz Danielle e refor\u00e7a: &#8220;Mesmo que n\u00e3o diga abertamente, est\u00e1 impl\u00edcito ali que h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o entre meninos e meninas\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Como trazer os meninos para essa conversa?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados apresentados no come\u00e7o desta reportagem deixam expl\u00edcito o quanto o machismo e a misoginia matam. Apesar de os n\u00fameros trazidos serem referentes ao Brasil, esta \u00e9 uma quest\u00e3o global, assim como afirma a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em seu livro \u201cSejamos todos feministas\u201d (Companhia das Letras, 2020). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra, Chimamanda tamb\u00e9m alerta para a forma como os meninos s\u00e3o educados: \u201cO modo como criamos nossos filhos homens \u00e9 nocivo: nossa defini\u00e7\u00e3o de masculinidade \u00e9 <em>muito<\/em> estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos [&#8230;]. Ensinamos que eles n\u00e3o podem ter medo, n\u00e3o podem ser fracos ou se mostrar vulner\u00e1veis, precisam esconder quem realmente s\u00e3o \u2014 porque eles t\u00eam que ser, como se diz na Nig\u00e9ria, <em>homens duros<\/em>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-28.jpg\" alt=\"Livro Olho d&#039;\u00e1gua\" class=\"wp-image-72161\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-28.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIOLO-28-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/olho-dagua\/marcelo-tolentino\/9786557175057\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8216;Olho d&#8217;\u00e1gua&#8217;,<\/a> de Marcelo Tolentino | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inf\u00e2ncia, portanto, se refor\u00e7a como per\u00edodo fundamental para que as fam\u00edlias e as escolas atuem com os meninos no entendimento da misoginia, colaborando para a constru\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio que inclua uma real redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNingu\u00e9m nasce machista. Numa perspectiva sociol\u00f3gica s\u00e3o as pr\u00e1ticas sociais que moldam os indiv\u00edduos. Os meninos s\u00e3o socializados para o machismo. [&#8230;] Para eles s\u00e3o oferecidos bolas, carrinhos, kits de ferramentas, caminh\u00f5es, helic\u00f3pteros, foguetes. Cresce nesse menino a ideia de que ele pode sair pelo mundo em alta velocidade construindo as coisas, ocupando-se e preocupando-se com o desenvolvimento da cidade e do mundo. Os \u2018brinquedos de meninas\u2019 passam um recado totalmente diferente. S\u00e3o voltados para o interno, o cuidado, o zelo&#8221;, explica Danielle Atta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A especialista ainda traz uma experi\u00eancia que viveu em sua pesquisa para refor\u00e7ar o que explicou: &#8216;As crian\u00e7as estavam brincando de \u2018cuidar do beb\u00ea\u2019. Um dos meninos me disse que n\u00e3o podia tocar na boneca \u2018porque minha m\u00e3e n\u00e3o deixa\u2019, o outro deixou a boneca cair no ch\u00e3o propositalmente, &#8216;causando dor ao beb\u00ea&#8217;. Uma situa\u00e7\u00e3o como essa permite que a fam\u00edlia desenvolva uma conversa muito importante sobre o lugar ocupado pelos meninos e sobre pr\u00e1ticas que podem levar ao machismo e \u00e0 misoginia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DTqsvS4El20\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">6 livros para fortalecer a autoconfian\u00e7a das meninas desde cedo<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Pais, cuidadores e professores: todos precisam se informar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de a viol\u00eancia contra a mulher estar recebendo cada vez mais aten\u00e7\u00e3o, o machismo e a misoginia ainda s\u00e3o assuntos que precisam ser compreendidos corretamente pela popula\u00e7\u00e3o. Assim, <strong>informar-se mais e melhor \u00e9 essencial para colaborar com a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as<\/strong>. Como relembra Danielle Atta, \u201c\u00e9 a fam\u00edlia que estabelece os valores que, em um primeiro momento, ser\u00e3o importantes para as crian\u00e7as. [&#8230;] Os pais e m\u00e3es s\u00e3o as maiores refer\u00eancias dos filhos, seus modelos, her\u00f3is, amores\u2026 Quando a crian\u00e7a traz de casa a regra de que n\u00e3o pode, por exemplo, escolher a tesoura rosa porque rosa \u00e9 de menina, j\u00e1 temos um problema em curso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na busca por combater a presente realidade de misoginia, as fam\u00edlias precisam dar passos em busca de bases para atuar com suas crian\u00e7as. \u201cQuem \u00e9 pai e m\u00e3e atualmente \u00e9 fruto de uma sociedade patriarcal. Para conseguir trabalhar esse tema em casa, com meninos e meninas, eles v\u00e3o precisar de informa\u00e7\u00e3o de qualidade. A minha orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que busquem conhecimento cient\u00edfico, leitura, podcasts, informa\u00e7\u00f5es de valor. Ao educar sem conhecimento, apenas reproduzimos a educa\u00e7\u00e3o que recebemos\u201d, conclui Nathalie Lima.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas obras, j\u00e1 entregues \u00e0 Fam\u00edlia Quindim, que convidam meninos e meninas a refletirem sobre temas relacionados \u00e0 misoginia:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"540\" height=\"540\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-50830\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente.png 540w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-300x300.png 300w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-150x150.png 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-100x100.png 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-48x48.png 48w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/LeilaCapaTransparente-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/leila\/tino-freitas\/9788594680334\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leila, <\/a>de Tino Freitas e Thais Beltrame<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Capa-Frente-Barbazul-transparente-1080x730.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-71105\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/barbazul\/anabella-lopez\/9788595260382\">Barbazul<\/a>, de Anabella L\u00f3pez<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"370\" height=\"461\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CinderelaDoRio_CapaTransparente-e1752860258847.png\" alt=\"Cinderela do rio (autoras Mafuane Oliveira e Taisa Borges, editora Peir\u00f3polis)\" class=\"wp-image-70156\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CinderelaDoRio_CapaTransparente-e1752860258847.png 370w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CinderelaDoRio_CapaTransparente-e1752860258847-150x187.png 150w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/cinderela-do-rio\/mafuane-oliveira\/9786559313457\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cinderela do rio<\/a>, de Mafuane Oliveira e Taisa Borges<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhar a misoginia com as crian\u00e7as \u00e9 essencial para colaborar com o combate \u00e0s diversas formas de viol\u00eancia contra a mulher. Sim, desde cedo!<\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":72173,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[746,4,505],"tags":[],"class_list":["post-72139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desenvolvimento-infantil","category-educacao","category-familia"],"acf":{"posts_relacionados":[72000,71745,71949]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72139\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71949"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71745"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72000"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}