{"id":71703,"date":"2026-01-21T16:50:32","date_gmt":"2026-01-21T19:50:32","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=71703"},"modified":"2026-01-21T16:50:33","modified_gmt":"2026-01-21T19:50:33","slug":"racismo-contra-religioes-de-matriz-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/racismo-contra-religioes-de-matriz-africana\/","title":{"rendered":"Como a literatura para inf\u00e2ncias pode ajudar no combate ao racismo contra religi\u00f5es de matriz africana?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fim de 2025 foi marcado por eventos em escolas que n\u00e3o deveriam compor o ambiente educacional, envolvendo o racismo contra religi\u00f5es de matriz africana. Um deles ocorreu em 11 de novembro, na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Ant\u00f4nio Bento, em Caxingui, cidade de S\u00e3o Paulo. O motivo foi um desenho, feito por uma crian\u00e7a de 4 anos, de Ians\u00e3, divindade africana chamada de orix\u00e1 e cultuada no Brasil a partir dos tempos em que pessoas eram sequestradas da \u00c1frica e trazidas para serem escravizadas por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pai da crian\u00e7a, um militar da ativa, alegou para a escola n\u00e3o aceitar que a filha fosse submetida ao ensino religioso africano. Integrantes da Pol\u00edcia Militar, um deles armado com uma metralhadora, foram ao local realizar uma abordagem com base nas alega\u00e7\u00f5es do pai. O desenho havia sido feito a partir de um trabalho pedag\u00f3gico com o livro \u201cCiranda de Aruanda\u201d (Liu Olivina, Editora Quatro Cantos), adquirido pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo para uso nas escolas em busca de promover uma <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-antirracista-na-primeira-infancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">educa\u00e7\u00e3o antirracista<\/a> \u2014 direito garantido pela Lei n\u00ba 10.639, de 2003, que incluiu nos curr\u00edculos escolares o ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO epis\u00f3dio na Emei revela algo que ultrapassa um caso isolado: mostra como a sociedade brasileira ainda n\u00e3o reconhece plenamente o direito das crian\u00e7as de terem acesso a uma <strong>educa\u00e7\u00e3o plural, antirracista e comprometida com a hist\u00f3ria real do pa\u00eds<\/strong>. A Lei 10.639\/2003 n\u00e3o \u00e9 uma sugest\u00e3o \u2014 \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal e um compromisso \u00e9tico com a inf\u00e2ncia&#8221;, explica Elizabeth Cardoso, escritora, doutora em Teoria Liter\u00e1ria pela USP, professora do Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Literatura e Cr\u00edtica Liter\u00e1ria e l\u00edder do Grupo de Pesquisa Literatura de Ancestralidade Negra \u2014 LAN (PUC-SP).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando um trabalho pedag\u00f3gico que apresenta elementos da cultura afro-brasileira \u00e9 atacado, o que vemos n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o educativa, mas a reprodu\u00e7\u00e3o do racismo religioso que estrutura nossa sociedade.&#8221; <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curadora do Clube Quindim, Elizabeth completa: &#8220;E n\u00e3o se pode perder de vista de que estamos falando de literatura, arte, cultura e n\u00e3o de religi\u00f5es. Ser\u00e1 que teria acontecido a mesma cena se o livro fosse sobre Zeus ou Artemis?\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-2.jpg\" alt=\"racismo contra religi\u00f5es de matriz africana\" class=\"wp-image-71712\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-2.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-2-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do livro &#8216;Fevereiro&#8217;, de Carol Fernandes | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em novembro de 2025, outra den\u00fancia foi registrada, dessa vez no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro: pais afirmaram que uma professora do Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Professor Celso de Almeida Chaves, ao receber de uma aluna de 5 anos uma flor amarela que a menina disse ser da orix\u00e1 Oxum, teria dito que o presente \u201cvinha do diabo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais um caso em ambiente escolar, este de 2024 e contra uma educadora, foi lembrado por Luzi Borges, diretora das Pol\u00edticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiros do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, no artigo <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/igualdaderacial\/pt-br\/assuntos\/copy2_of_noticias\/liberdade-religiosa-para-quem\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cLiberdade religiosa para quem?\u201d<\/a>, publicado em 7 de janeiro de 2026: \u201c[&#8230;] a professora Sueli Santana foi apedrejada por seus alunos em Cama\u00e7ari, regi\u00e3o metropolitana de Salvador. H\u00e1 meses era chamada de macumbeira, feiticeira e diab\u00f3lica \u2014 por lecionar sobre cultura afro-brasileira \u2014 at\u00e9 que as viol\u00eancias viraram f\u00edsicas\u201d.<br><br><strong>O racismo religioso \u00e9 um conjunto de ideias e pr\u00e1ticas que expressam discrimina\u00e7\u00e3o e \u00f3dio por determinadas religi\u00f5es e pelas pessoas que as seguem.<\/strong> No Brasil, afeta especialmente as religi\u00f5es de matriz africana, um sintoma do racismo estrutural de nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">o problema em n\u00fameros<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-01\/intolerancia-religiosa-disque-100-registra-24-mil-casos-em-2024\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos<\/a> (Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania) mostram que, em 2024, foram registradas em todo o Brasil<strong> 2.472 den\u00fancias de casos de intoler\u00e2ncia religiosa<\/strong> pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100), coordenado pela pasta. O n\u00famero representa uma alta de 66,8% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s den\u00fancias desse tipo feitas em 2023. Quando s\u00e3o considerados os registros entre 2021 e 2024, o crescimento das den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es foi de 323,29%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a Ouvidoria, em 2024, as pessoas violadas com mais frequ\u00eancia pertenciam aos seguintes segmentos religiosos:<br><br>\u2022 Umbanda (151);<br>\u2022 Candombl\u00e9 (117);<br>\u2022 Evang\u00e9lico (88);<br>\u2022 Cat\u00f3lico (53);<br>\u2022 Esp\u00edrita (36);<br>\u2022 Outras declara\u00e7\u00f5es de religiosidades afro-brasileiras (21);<br>\u2022 Islamismo (6);<br>\u2022 Juda\u00edsmo (2);<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*N\u00e3o houve indica\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o no restante dos registros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, do total de registros com identifica\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o (474), <strong>60,97% foram de intoler\u00e2ncia contra pessoas de religi\u00f5es de matriz africana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos recentes ocorridos em escolas apenas exemplificam de que maneira as crian\u00e7as s\u00e3o diretamente afetadas pelo cen\u00e1rio nacional de racismo religioso \u2014 especialmente as que crescem em fam\u00edlias de religi\u00f5es como candombl\u00e9 e umbanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-antirracista-na-primeira-infancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o antirracista na primeira inf\u00e2ncia de crian\u00e7as brancas e negras<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">direito previsto em lei <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecer o que garante \u00e0s crian\u00e7as a liberdade de cren\u00e7a e religi\u00e3o \u00e9 fundamental para garantir que esse direito seja cumprido e, ent\u00e3o, buscar por recursos para combater o racismo religioso. \u201cA escola tem o dever constitucional de garantir que as crian\u00e7as conhe\u00e7am a riqueza das culturas que formam o Brasil, incluindo as de matriz africana. Negar isso \u00e9 violar um direito, limitar repert\u00f3rios e refor\u00e7ar desigualdades. E, sobretudo, \u00e9<strong> ferir as crian\u00e7as em sua condi\u00e7\u00e3o mais profunda: o direito de acessar o mundo em sua diversidade, beleza e complexidade<\/strong>\u201d, aponta a professora doutora Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) declara:<br><br>\u201cArt. 16. O direito \u00e0 liberdade compreende os seguintes aspectos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; cren\u00e7a e culto religioso; [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral da crian\u00e7a e do adolescente, abrangendo a preserva\u00e7\u00e3o da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e cren\u00e7as, dos espa\u00e7os e objetos pessoais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro documento essencial \u00e9 a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a (ONU) \u2014 da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cArtigo 2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Os Estados Partes devem respeitar os direitos enunciados na presente Conven\u00e7\u00e3o e assegurar\u00e3o sua aplica\u00e7\u00e3o a cada crian\u00e7a em sua jurisdi\u00e7\u00e3o, sem nenhum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, independentemente de ra\u00e7a, cor, sexo, idioma, religi\u00e3o, opini\u00e3o pol\u00edtica ou de outra natureza [&#8230;].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2. Os Estados Partes devem adotar todas as medidas apropriadas para assegurar que a crian\u00e7a seja protegida contra todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o ou puni\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o, das atividades, das opini\u00f5es manifestadas ou das cren\u00e7as de seus pais, representantes legais ou familiares.<br><br>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 14<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Os Estados Partes devem reconhecer os direitos da crian\u00e7a \u00e0 liberdade de pensamento, de consci\u00eancia e de cren\u00e7a religiosa&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">LIVROS COMO FERRAMENTAS para o combate aO RACISMO contra religi\u00f5es de matriz africana  <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como em outros temas complexos, a literatura para inf\u00e2ncias \u00e9 um recurso valioso para levar o assunto diretamente para as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA literatura tem uma pot\u00eancia que, muitas vezes, o discurso direto n\u00e3o alcan\u00e7a. Um livro abre portas onde uma conversa fechada por medo ou desconhecimento n\u00e3o consegue entrar. Nos livros, a crian\u00e7a encontra personagens, paisagens e narrativas que acolhem sua curiosidade, que explicam aquilo que muitas vezes os adultos silenciam. E os adultos, por sua vez, podem entrar nesse universo junto com ela \u2014 sem o peso da autoridade, mas na posi\u00e7\u00e3o de quem tamb\u00e9m aprende&#8221;, explica Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando uma hist\u00f3ria apresenta um orix\u00e1 com beleza, sensibilidade e verdade est\u00e9tica, ela desmonta as caricaturas que o racismo produziu durante s\u00e9culos. E permite que fam\u00edlias conversem sobre respeito, tradi\u00e7\u00e3o, espiritualidade, ancestralidade e conviv\u00eancia. <strong>A literatura cria o \u2018entre\u2019 \u2014 esse lugar em que a conversa pode acontecer com mais delicadeza, mais escuta e menos defensividade<\/strong>\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-71714\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-3.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Livros-para-combater-o-racismo-contra-religioes-de-matriz-africana-3-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro &#8216;Olel\u00ea: uma antiga can\u00e7\u00e3o da \u00c1frica&#8217;, de F\u00e1bio Sim\u00f5es e Marilia Pirillo | Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio a esse universo que a literatura apresenta, <strong>a especialista ressalta a import\u00e2ncia de n\u00e3o limitar o acesso das crian\u00e7as somente aos temas que fazem parte do universo j\u00e1 comum a elas<\/strong>, como a religi\u00e3o seguida pelos pais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cToda fam\u00edlia apresenta \u00e0s crian\u00e7as o mundo que conhece. Mas a escola \u2014 e a literatura \u2014 ampliam esse mundo. Quando limitamos os livros ao repert\u00f3rio da fam\u00edlia, a crian\u00e7a fica restrita a uma \u00fanica vis\u00e3o cultural, religiosa e est\u00e9tica. Isso empobrece seu horizonte e, em alguns casos, alimenta preconceitos que poderiam ser evitados\u201d, pontua a professora doutora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda tomando como refer\u00eancia o caso ocorrido na Emei paulistana, Elizabeth comenta a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rios: \u201cFam\u00edlias que nunca tiveram contato com a cultura afro-brasileira acabam interpretando tudo aquilo que desconhecem como amea\u00e7a. Mas aquilo que n\u00e3o se conhece n\u00e3o \u00e9 perigoso \u2014 <strong>perigoso \u00e9 sustentar a ignor\u00e2ncia como valor<\/strong>. A diversidade de livros permite que a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia encontrem outras narrativas de Brasil. E essa amplia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 opcional: \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para formar leitores cr\u00edticos, cidad\u00e3os sens\u00edveis e sujeitos capazes de conviver em uma sociedade plural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, e considerando que vivemos em um pa\u00eds em que 55,5% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra, de acordo com o Censo Demogr\u00e1fico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), \u00e9 preciso refletir tamb\u00e9m a partir do ponto de vista das crian\u00e7as negras. \u201cLivros que apresentam mitologias afro-brasileiras, imagens negras positivas, hist\u00f3rias protagonizadas por crian\u00e7as negras, narrativas que celebram a ancestralidade e a dignidade dos povos africanos fazem um movimento fundamental: eles dizem \u00e0s crian\u00e7as negras que elas t\u00eam pertencimento; e \u00e0s n\u00e3o negras, que o mundo \u00e9 maior do que elas conhecem ou imaginam\u201d, continua Elizabeth.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia mais:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-realidades-diversas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fora do cotidiano: por que \u00e9 importante ler livros infantis sobre realidades diversas?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A especialista traz sugest\u00f5es de caminhos para ampliar a diversidade de conte\u00fados liter\u00e1rios oferecidos por escolas e fam\u00edlias:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Criar pol\u00edticas de curadoria intencional, buscando selos e autores comprometidos com a representatividade e diversidade;<\/li>\n\n\n\n<li>Frequentar, seguir, pertencer a bibliotecas, coletivos liter\u00e1rios, autores negros e especialistas nessa \u00e1rea, ou seja, buscar informa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Exigir das escolas, das pol\u00edticas p\u00fablicas e das editoras cat\u00e1logos que dialoguem com a Lei n\u00ba 10.639\/2003;<\/li>\n\n\n\n<li>Participar de forma\u00e7\u00f5es sobre literatura e ancestralidade para ler com mais repert\u00f3rio e menos medo;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apresentar as religi\u00f5es de matriz africana a crian\u00e7as por meio da literatura tamb\u00e9m \u00e9 uma maneira de colaborar com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade antirracista. \u201c<strong>O racismo religioso nasce da ignor\u00e2ncia e se alimenta do medo. A literatura, quando bem feita, atinge esses dois pontos: educa e desarma.<\/strong> Livros que mostram a for\u00e7a po\u00e9tica dos orix\u00e1s, a sabedoria das tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras, a beleza das cosmologias africanas e afro-diasp\u00f3ricas fazem aquilo que o racismo tenta impedir: humanizam, historicizam e valorizam\u201d, explica Elizabeth. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAo apresentar essas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0s crian\u00e7as: rompemos com s\u00e9culos de demoniza\u00e7\u00e3o; oferecemos outra possibilidade de imaginar o sagrado; desnaturalizamos hierarquias raciais; formamos leitores que enxergam a diferen\u00e7a como pot\u00eancia, e n\u00e3o como amea\u00e7a\u201d, conclui ela.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">COMO DENUNCIAR UM CASO DE RACISMO RELIGIOSO?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, os casos de atitudes ofensivas contra as pessoas por causa das suas cren\u00e7as, rituais e pr\u00e1ticas religiosas podem ser registrados pelo Disque 100 \u2014 servi\u00e7o gratuito, que funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive feriados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Disque 100 tem como fun\u00e7\u00e3o encaminhar as den\u00fancias aos \u00f3rg\u00e3os competentes para que avaliem se h\u00e1 crime ou n\u00e3o.<br><br><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/ondh\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Outros poss\u00edveis canais<\/a>: <br>&#8211; WhatsApp do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, no n\u00famero (61) 99611-0100; <br>&#8211; No Telegram, digitar \u201cDireitosHumanosBrasil\u201d na busca do aplicativo; <br>&#8211; Site do Minist\u00e9rio para videochamada em L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas as plataformas s\u00e3o gratuitas e mant\u00eam o anonimato de quem faz o contato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim <\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/FevereiroCapaTransparente-edited-1.png\" alt=\"Fevereiro (autora Carol Fernandes, editora Caixote)\" class=\"wp-image-48686\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/fevereiro\/carol-fernandes\/9786586666267\">Fevereiro<\/a>, de Carol Fernandes<\/em> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/os-reizinhos-de-congo\/edimilson-de-almeida-pereira\/9786558082019\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"342\" height=\"420\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ReizinhoCongo_CapaTransparente-e1769018867227.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-56317\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ReizinhoCongo_CapaTransparente-e1769018867227.png 342w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ReizinhoCongo_CapaTransparente-e1769018867227-150x184.png 150w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/os-reizinhos-de-congo\/edimilson-de-almeida-pereira\/9786558082019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os reizinhos de Congo<\/a>, de Edimilson de Almeida Pereira e Gra\u00e7a Lima<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"260\" height=\"346\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Livro-Olele.jpg\" alt=\"Livro Olel\u00ea\" class=\"wp-image-43014\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Livro-Olele.jpg 260w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Livro-Olele-150x200.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/olele-uma-antiga-cancao-da-africa\/fabio-simoes\/9788506074749\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Olel\u00ea: uma antiga can\u00e7\u00e3o da \u00c1frica<\/a>, de F\u00e1bio Sim\u00f5es e Marilia Pirillo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um livro abre portas onde o medo ou o desconhecimento impedem o di\u00e1logo. Saiba como a literatura pode ser ferramenta para combater o racismo contra religi\u00f5es de matriz africana.<\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":71709,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509,746,4,505,512],"tags":[],"class_list":["post-71703","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-desenvolvimento-infantil","category-educacao","category-familia","category-historia"],"acf":{"posts_relacionados":[69147,66549,70529]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71703\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70529"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66549"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69147"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}