{"id":71096,"date":"2025-10-31T18:12:35","date_gmt":"2025-10-31T21:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=71096"},"modified":"2025-10-31T18:12:36","modified_gmt":"2025-10-31T21:12:36","slug":"suspense-construir-narrativas-medo-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/suspense-construir-narrativas-medo-criancas\/","title":{"rendered":"Suspense na literatura infantil: como construir narrativas que envolvam o medo para as crian\u00e7as?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medo, assim como a curiosidade, a raiva, a alegria e a tristeza, \u00e9 um sentimento inerente \u00e0 natureza humana. Sentimos receios, afli\u00e7\u00f5es e temores, principalmente daquilo que ainda n\u00e3o conhecemos. Nesse sentido, <strong>o medo tamb\u00e9m atua como um catalisador importante: imp\u00f5e limites e nos protege de situa\u00e7\u00f5es perigosas<\/strong>. Ainda pequenos, entendemos que ele \u00e9 um freio que antecede poss\u00edveis problemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, para al\u00e9m de algo natural da vida, o medo tamb\u00e9m \u00e9 um recurso de linguagem usado culturalmente. Em livros, m\u00fasicas, filmes, obras e outras pe\u00e7as art\u00edsticas, o sentimento constr\u00f3i diferentes narrativas que despertam sensa\u00e7\u00f5es por meio de hist\u00f3rias envolventes e que brincam com essa emo\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de reconhecer e provocar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, quando pensamos na literatura infantil e em narrativas feitas para as crian\u00e7as, como podemos contar uma boa hist\u00f3ria de medo? Afinal, ainda nessa fase da vida, \u00e9 f\u00e1cil se espantar genuinamente. Junto disso, figuras fantasiosas do senso comum, como bruxas, lobisomens, vampiros e outros seres, permeiam a imagina\u00e7\u00e3o e as narrativas, causando pavor em um momento da vida em que ainda n\u00e3o se consegue discernir o real do imagin\u00e1rio com clareza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pensamos em criar o medo por meio de hist\u00f3rias para crian\u00e7as, a ideia pode parecer at\u00e9 um pouco fora de tom, mas, na realidade, \u00e9 um processo bastante natural: <strong>ele \u00e9 um pilar importante na constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria infantil e, inclusive, tamb\u00e9m pode ser uma \u00f3tima porta de entrada para outras \u00e1reas do saber.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">O que \u00e9 o medo para uma crian\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de pensar em hist\u00f3rias que causam medo, \u00e9 preciso entender o que o sentimento propriamente dito representa ainda na inf\u00e2ncia. O medo pode abrigar v\u00e1rias hip\u00f3teses para uma crian\u00e7a, do real ao fantasioso: pode ser o medo do bicho-pap\u00e3o, figura t\u00e3o conhecida em contos populares; o medo de mudar de escola e n\u00e3o encontrar novos amigos; de tentar um novo hobby e n\u00e3o ser bom; de uma prova de matem\u00e1tica dif\u00edcil ou at\u00e9 mesmo de lidar com situa\u00e7\u00f5es emocionalmente complexas e at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com um sentimento que pode significar tantas coisas, como podemos apresent\u00e1-lo na literatura? Para M\u00e1rcia Leite, editora da Joaquina, fundadora da Pulo do Gato e escritora de obras como \u201c<em>Do Jeito que a gente \u00e9<\/em>\u201d (Editora \u00c1tica) e \u201c<em>O nome do mo\u00e7o<\/em>\u201d (Joaquina), entregue aos assinantes do Clube Quindim, hist\u00f3rias de suspense e terror oferecem \u00e0s crian\u00e7as uma forma segura de explorar medos e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cA narrativa ficcional \u00e9 uma rede segura na qual crian\u00e7as podem se deparar com seus medos ou sentimentos assustadores, projetando-se, dominando e nomeando aquilo que as amedronta, transformando ang\u00fastias em linguagem simb\u00f3lica\u201d<\/strong>, pontua a autora. Ela explica ainda que, \u201cna inf\u00e2ncia, a palavra medo funciona como um \u2018verbete camale\u00e3o\u2019, permitindo que a crian\u00e7a d\u00ea nome a diferentes sentimentos, desde inseguran\u00e7a e raiva a ansiedade e ci\u00fames\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-71099\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-3.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-3-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/se-eu-abrir-esta-porta-agora\/alexandre-rampazo\/9788550407289\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Se eu abrir esta porta agora<\/a>, de Alexandre Rampazo. Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o. <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Porta de entrada para a curiosidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hist\u00f3rias de mist\u00e9rio, muitas vezes, acabam interligando outras descobertas construtivas por meio de refer\u00eancias e cita\u00e7\u00f5es. Pode ser pela descri\u00e7\u00e3o de uma cidade que \u00e9 palco de um livro, um personagem que, na verdade, \u00e9 um ser mitol\u00f3gico famoso trabalhado em diferentes obras ou, at\u00e9 mesmo, quando alguns contos s\u00e3o baseados ou inspirados em dados veross\u00edmeis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme a narrativa instiga cada vez mais essa poss\u00edvel \u201csolu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio\u201d e traz novos planos, personagens e datas, \u00e9 comum que o leitor, ainda em uma fase inicial no meio liter\u00e1rio, passe a buscar mais conte\u00fados sobre aquela tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Anabella L\u00f3pez, curadora do Clube Quindim, autora e ilustradora de obras como <em>Barbazul<\/em> (Editora Aletria, tradu\u00e7\u00e3o de Susana Ventura) e <em>Contos da selva<\/em> (Editora FTD, texto de Horacio Quiroga), ambos entregues pelo Clube, <strong>obras que utilizam o medo s\u00e3o capazes de transformar emo\u00e7\u00f5es complexas em narrativas visuais potentes \u2014 al\u00e9m de, \u00e9 claro, apresentarem novos mundos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 o que a gente chama de trazer atrav\u00e9s das imagens conex\u00f5es com outros campos. Quando a gente fala de medo, estamos falando de uma for\u00e7a muito vital. Ent\u00e3o, o medo conecta com filosofia, com psicologia, com biologia, porque \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o corporal. Ele ativa o corpo. Quando a crian\u00e7a l\u00ea uma hist\u00f3ria que desperta medo, ela t\u00e1 ativando o corpo dela\u201d, pontua Anabella.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, a observa\u00e7\u00e3o do mundo acaba se expandindo. Muito mais do que o pr\u00f3prio medo em si, mist\u00e9rios e suspenses apresentam at\u00e9 mesmo outras literaturas e autores para aquela crian\u00e7a, que continua seguindo os passos da hist\u00f3ria para, enfim, descobrir o mist\u00e9rio que engloba a narrativa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-71100\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-5.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MIOLO-5-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do livro <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/barbazul\/anabella-lopez\/9788561167998\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Barbazul<\/a>, de Anabella L\u00f3pez. Foto: Rodrigo Fraz\u00e3o.<\/em> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Metalinguagem para falar de traumas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Palavras, por si s\u00f3, podem representar s\u00edmbolos diversos. Podem, mais do que isso, apresentar algo literal na superf\u00edcie e, em camadas mais profundas, trazer mais peso e densidade para alguns leitores, fazendo ressoar mem\u00f3rias e at\u00e9 mesmo traumas vividos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a tarefa de criar textos e imagens que reflitam tantas camadas n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, porque o medo pode engatilhar dores ou quest\u00f5es pessoais. No processo da constru\u00e7\u00e3o de um livro, anos de pesquisas s\u00e3o colocados \u00e0 mesa para que uma obra seja justa e delicada o bastante para os leitores. Sabemos, \u00e9 claro, que \u00e9 imposs\u00edvel controlar a forma como um livro \u00e9 recebido por quem o l\u00ea; no entanto, para construir hist\u00f3rias que carregam diferentes significados, principalmente quando o medo \u00e9 um recurso utilizado, \u00e9 preciso muito cuidado e esmero nas escolhas de palavras e imagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHist\u00f3rias mais densas e sombrias permitem m\u00faltiplas camadas de significa\u00e7\u00e3o. Na superf\u00edcie, uma narrativa pode significar uma coisa, mas, para uma crian\u00e7a que passou por um trauma, pode revelar outra experi\u00eancia. Como Jung dizia [Carl Jung, psicanalista autor da teoria junguiana, que aborda arqu\u00e9tipos do inconsciente], quanto mais espec\u00edfico um tema, mais universal ele se torna \u2014 e \u00e9 isso que permite que hist\u00f3rias individuais ressoem com qualquer leitor, independentemente da idade ou cultura\u201d, destaca Anabella.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui, nada \u00e9 em v\u00e3o: o uso de cores, paletas mais densas, ilustra\u00e7\u00f5es que causam curiosidade e espanto, castelos azuis. A partir do processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, cada detalhe ganha e causa um novo significado que pula do vi\u00e9s fantasioso para o socioemocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA vida s\u00f3 existe porque a gente tem medo de alguma forma. \u00c9 atrav\u00e9s do medo que a gente preserva a vida. Muitas vezes, quando a gente reprime esses medos ou n\u00e3o d\u00e1 espa\u00e7o pra eles, \u00e9 a\u00ed que eles paralisam, crescem, congelam. Mas, quando a gente entende que o medo \u00e9 natural, que tamb\u00e9m \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o e que podemos regul\u00e1-lo, melhor. Ainda mais se desde pequenos&#8221;, completa a autora e ilustradora.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog?_gl=1*1kmjho*_gcl_au*MTc3NDMyNzQ1OS4xNzU1NTQ5NzM3*_ga*OTE3MDY3NDg0LjE3NDc3NjcyODE.*_ga_HTYY595TP9*czE3NjE5NDA0MzEkbzE4OSRnMSR0MTc2MTk0Mzc0NiRqNTkkbDAkaDEzMzIwNzMwMjY.\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">LITERATURA COMO CATALISADORA DA NATUREZA HUMANA <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que hist\u00f3rias de medo e suspense prendem a aten\u00e7\u00e3o humana, tanto dos mais jovens quanto dos mais velhos. A raz\u00e3o por tr\u00e1s disso, que j\u00e1 foi discutida em diferentes vieses psicanal\u00edticas, \u00e9 simples: a mente humana \u00e9 naturalmente curiosa por quest\u00f5es que dizem respeito aos limites mais densos e sombrios do nosso comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo que causa espanto e mist\u00e9rio espontaneamente chama nossa aten\u00e7\u00e3o, uma vez que pode ser o reflexo de nossos pr\u00f3prios medos, escondidos no fundo de nossa mente. Para as crian\u00e7as, que possuem emo\u00e7\u00f5es ainda mais intensas e n\u00e3o amplamente reguladas, esse \u00e9 um campo ainda mais vasto e, por isso, deve ser apresentado com crit\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o estudo &#8220;A literatura<em> de terror e a forma\u00e7\u00e3o do leitor jovem&#8221;<\/em>, de Maria C\u00e9lia de Moraes Leonel, publicado pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) em 1987, o medo, al\u00e9m de componente natural do desenvolvimento humano, \u00e9 um poderoso instrumento simb\u00f3lico. Quando trabalhado pela imagina\u00e7\u00e3o, ele deixa de ser uma amea\u00e7a e passa a ser uma forma de elaborar emo\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, <strong>as hist\u00f3rias de medo cumprem tamb\u00e9m um papel formativo para al\u00e9m do liter\u00e1rio. Elas permitem que a crian\u00e7a reconhe\u00e7a seus pr\u00f3prios limites e enfrente o desconhecido sem precisar viv\u00ea-lo diretamente: o que \u00e9 chamado por estudiosos de \u201cmedo seguro\u201d, que gera uma sensa\u00e7\u00e3o de adrenalina e curiosidade sem amea\u00e7a real, mas que pode trazer \u00e0 tona quest\u00f5es emocionais mais profundas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao transformar perturba\u00e7\u00f5es em narrativa, o medo se converte em descoberta e autoconhecimento: um exerc\u00edcio emocional que prepara o leitor para o real com sensibilidade e curiosidade. Em resumo, <strong>hist\u00f3rias que nos causam medo nos fascinam justamente porque nos mostram muito de n\u00f3s mesmos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DNqDZbMM391\/?igsh=MXBqM3lyZ3NvcWR0dA%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros que n\u00e3o infantilizam o folclore brasileiro<\/a> <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">CONSTRUINDO NARRATIVAS DE MEDO PARA AS CRIAN\u00c7AS<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, \u00e9 preciso lembrar que criar \u2014 assim como contar \u2014 hist\u00f3rias de medo para crian\u00e7as exige sensibilidade e prop\u00f3sito. O segredo est\u00e1 menos em evitar o medo e mais em como conduzi-lo. Tamb\u00e9m vale destacar que o medo, como todo sentimento, \u00e9 atravessado por quest\u00f5es culturais, de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe. Nem todas as figuras fazem sentido para todas as crian\u00e7as. As inf\u00e2ncias, vale sempre refor\u00e7ar, s\u00e3o diversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como aponta Anabella, \u201cn\u00e3o podemos limitar a arte ou coloc\u00e1-la dentro de uma bolha de prote\u00e7\u00e3o: cabe ao adulto escolher o que e quando apresentar, mas a crian\u00e7a precisa ter acesso a essa pluralidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O medo, quando bem trabalhado, n\u00e3o traumatiza: instiga e traz autoconhecimento. A narrativa deve fortalecer o ent\u00e3o chamado \u201cmedo seguro\u201d, que desperta curiosidade e provoca reflex\u00e3o, sem se apoiar apenas no susto ou no choque.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg\" alt=\"Clube Quindim\" class=\"wp-image-64970\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">ALGUNS ELEMENTOS AJUDAM A CONSTRUIR ESSE SUSPENSE SAUD\u00c1VEL:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cores e luz:<\/strong> paletas mais densas, contrastes visuais e zonas de sombra criam atmosferas que despertam curiosidade, sem exagerar no medo. Caso as hist\u00f3rias sejam lidas de forma compartilhada, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel recriar essa atmosfera durante a leitura.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Sil\u00eancios e pausas:<\/strong> o espa\u00e7o entre as palavras tamb\u00e9m comunica; ele d\u00e1 tempo para a imagina\u00e7\u00e3o respirar e completar o mist\u00e9rio.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Texto simb\u00f3lico:<\/strong> met\u00e1foras e camadas de sentido permitem que o medo ganhe diferentes interpreta\u00e7\u00f5es conforme a idade e viv\u00eancias do leitor.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Imagin\u00e1rio popular:<\/strong> personagens como bruxas, lobisomens e monstros tornam-se pontes entre o folclore, o humor e a reflex\u00e3o, ajudando a crian\u00e7a a lidar com o desconhecido. Vale destacar que essas figuras podem variar de acordo com cada contexto cultural.<br><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para M\u00e1rcia, o essencial est\u00e1, acima de tudo, na escuta da hist\u00f3ria: <strong>\u201cenquanto a crian\u00e7a ouve ou l\u00ea sobre o monstro que teme, ela pode se projetar e dominar aquilo que a amea\u00e7a\u201d. <\/strong> Ao final, mais do que temer, ela se reconhece. Narrativas que exploram o medo, quando bem mediadas, ajudam a formar leitores mais curiosos, emp\u00e1ticos e emocionalmente preparados para o desconhecido, dentro e fora das p\u00e1ginas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">estante quindim<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a alguns livros do Clube Quindim para contar boas hist\u00f3rias de dar medo:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/bruxa-bruxa-venha-a-minha-festa\/arden-druce\/9788574121901\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Capa-Frente-Bruxa-transparente-1080x730.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-71102\" title=\"\"><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/bruxa-bruxa-venha-a-minha-festa\/arden-druce\/9788574121901\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Bruxa, bruxa, venha \u00e0 minha festa,<\/em> <\/a>de Arden Druce e Pat Ludlow<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Capa-Frente-Barbazul-transparente-1080x730.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-71105\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/barbazul\/anabella-lopez\/9788561167998\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Barbazul<\/a>, <\/em>de Anabella L\u00f3pez<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"565\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Loira-banheiro-transparente-e1724157722676-565x730.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-63886\" style=\"width:140px;height:auto\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/a-loira-do-banheiro-e-outras-assombracoes-do-folclore-brasileiro\/januaria-cristina-alves\/9788596008365\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Loira do Banheiro e outras assombra\u00e7\u00f5es do folclore brasileiro<\/a><\/em>, de Janu\u00e1ria Cristina Alves e Berje<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content 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<\/p>\n","protected":false},"author":92,"featured_media":71107,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[498,499,497],"tags":[],"class_list":["post-71096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dicas-para-gostar-de-ler","category-literatura-infantil","category-livros-infantis"],"acf":{"posts_relacionados":[12487,54813,52736]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/92"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71096\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52736"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54813"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}