{"id":70457,"date":"2025-08-15T12:24:01","date_gmt":"2025-08-15T15:24:01","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=70457"},"modified":"2025-08-15T14:09:12","modified_gmt":"2025-08-15T17:09:12","slug":"adultizacao-erotizacao-como-proteger-infancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/adultizacao-erotizacao-como-proteger-infancias\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 adultiza\u00e7\u00e3o, erotiza\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia de proteger a inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea usou redes sociais ou conversou minimamente com algu\u00e9m que esteja nelas ao longo dos \u00faltimos dias, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha se deparado com um nome: Felca. O jovem influenciador fez um v\u00eddeo impactante e furou todas as bolhas poss\u00edveis, alertando para um tema de import\u00e2ncia central: <strong>a explora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes, que acontece de maneira violenta e expl\u00edcita nas redes sociais<\/strong>. N\u00e3o se trata, exatamente, de um assunto novo, mas a den\u00fancia, detalhada por ele em um filme de 50 minutos, exp\u00f4s exemplos graves e jogou um forte holofote sobre o problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de trazer casos em que crian\u00e7as s\u00e3o expostas, muitas vezes, pela pr\u00f3pria fam\u00edlia, que lucra com o conte\u00fado na internet, Felca mostrou cenas inc\u00f4modas, de menores em situa\u00e7\u00f5es completamente inadequadas para a idade, em festas, com \u00e1lcool, performando dan\u00e7as sensuais, usando roupas de adultos, com a intimidade invadida, totalmente desprotegidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-provider-youtube wp-block-embed-youtube\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"adultiza\u00e7\u00e3o\" width=\"810\" height=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FpsCzFGL1LE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tenha se intensificado com a internet,<strong> a adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u00e9 um tema discutido h\u00e1 bastante tempo<\/strong>. \u201cCuriosamente, assim como as redes sociais exp\u00f5em as crian\u00e7as, elas tamb\u00e9m representaram, nesse caso, uma forma de fazer as den\u00fancias\u201d, observa a professora Fernanda Kimie Tavares Mishima, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP), da USP. Para ela, a preocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 conseguiu atingir um \u00e2mbito maior, por ter sido divulgada por algu\u00e9m que est\u00e1 nessas redes. A ferramenta \u00e9 importante, mas \u00e9 preciso observar o uso que se faz dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DIWzlHeSD_g\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros para conversar sobre os perigos das redes sociais<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-69478\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho.webp 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Inf\u00e2ncia em risco<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O v\u00eddeo chamou a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico na internet e fora dela. Alguns dos perfis denunciados foram rapidamente retirados do ar e passaram a ser investigados. Diferentes setores da sociedade se empenharam em debater o assunto. A preocupa\u00e7\u00e3o com algo que j\u00e1 acontecia, mas n\u00e3o mobilizava, ganhou for\u00e7a. Ficou mais clara do que nunca a urg\u00eancia de interromper ou pelo menos agir para tentar frear essa viola\u00e7\u00e3o dos direitos das crian\u00e7as. Mas, antes, \u00e9 importante entender melhor a que riscos a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia est\u00e3o vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas palavras v\u00eam ganhando as discuss\u00f5es acerca da publica\u00e7\u00e3o de Felca: <strong>adultiza\u00e7\u00e3o <\/strong>e <strong>erotiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Os termos t\u00eam significados diferentes, mas caminham frequentemente juntos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong>O que \u00e9 adultiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO processo de desenvolvimento humano passa por fases, entre elas, a inf\u00e2ncia, a adolesc\u00eancia, a fase de jovem adulto, adulto, idoso\u201d, aponta a psic\u00f3loga Fernanda. Ao longo destas etapas acontece, gradativamente, o desenvolvimento f\u00edsico e emocional de uma pessoa.<strong> A adultiza\u00e7\u00e3o consiste em tirar a crian\u00e7a da fase em que ela est\u00e1 e coloc\u00e1-la abruptamente em um espa\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 o dela, pulando etapas indispens\u00e1veis para o crescimento saud\u00e1vel.<\/strong> \u201c\u00c9 algo muito violento\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As crian\u00e7as s\u00e3o adultizadas quando s\u00e3o estimuladas a se comportarem como adultos, com roupas, gestos, responsabilidades, modo de falar, de pensar, de agir<\/strong>. \u201cPara praticar um esporte, por exemplo, voc\u00ea come\u00e7a aos poucos, passa pelos treinos de iniciante, vai melhorando, aprimorando suas habilidades. Agora, imagina ter de correr uma maratona sem treino algum\u201d, compara a psic\u00f3loga. A adultiza\u00e7\u00e3o \u00e9 isso, passar a jogar com as regras do mundo adulto, ser vista como adulto, cobrada como adulto, sem ter passado pelas etapas que nos preparam para isso &#8211; o que, \u00e9 claro, tem consequ\u00eancias, como a erotiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong><strong>O que \u00e9 erotiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A erotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das consequ\u00eancias, a curto prazo, da adultiza\u00e7\u00e3o. Embora possa acometer tanto meninos, como meninas, s\u00e3o elas que costumam sofrer mais com isso. Como a adultiza\u00e7\u00e3o implica em pular etapas, em muitos casos, as crian\u00e7as s\u00e3o encorajadas a se comportarem como adultas. \u201cA erotiza\u00e7\u00e3o<strong> transforma a crian\u00e7a adultizada em objeto sexual, em algo pass\u00edvel de ser desejado, algo que pode servir aos prop\u00f3sitos de um p\u00fablico adulto<\/strong>\u201d, explica Fernanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela lembra que alguns dos canais denunciados por Felca traziam conte\u00fados feitos com adolescentes que se aproximavam de conte\u00fados pornogr\u00e1ficos, pensados para os adultos. \u201c\u00c9 muito s\u00e9rio colocar meninas e meninos no movimento de suprir as necessidades sexuais de p\u00fablico adulto. \u00c9 perverso e violento\u201d, ressalta. Os resultados s\u00e3o desastrosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong><strong><strong>Os riscos de pular etapas<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A erotiza\u00e7\u00e3o tem uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias pesadas. A crian\u00e7a se v\u00ea na obriga\u00e7\u00e3o de fazer o que n\u00e3o quer e o que ela nem sabe o que \u00e9. \u201cEla n\u00e3o conhece o prop\u00f3sito, n\u00e3o v\u00ea sentido naquilo, mas faz porque est\u00e1 fragilizada. A crian\u00e7a foi colocada ali por um adulto e ela sente que tem de cumprir esse papel\u201d, explica a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, a exposi\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade levam a crian\u00e7a a diferentes tipos de viol\u00eancia e abusos, como o de meninas se tornarem m\u00e3es ainda na inf\u00e2ncia e serem culpabilizadas por isso.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/meio-post-do-blog-9.jpg\" alt=\"menina olhando o celular apreensiva\" class=\"wp-image-63821\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/meio-post-do-blog-9.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/meio-post-do-blog-9-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>cr\u00e9dito: Canva <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta semana, a revista AZMINAS publicou a investiga\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/azmina.com.br\/projetos\/meninas-maes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cMeninas m\u00e3es\u201d<\/a>, que mostra que, a cada meia hora, uma menina \u00e9 abusada, engravida e perde a inf\u00e2ncia. E, para piorar, \u00e9 obrigada, na maioria das vezes, a levar tal gesta\u00e7\u00e3o adiante, mesmo que pudesse estar respaldada judicialmente para realizar um aborto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 apenas um dos tipos de viol\u00eancias que meninas sofrem com a adultiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A v\u00edtima desse processo de ser colocada como adulta antes do tempo gera uma cadeia de <strong>culpa, medo, ang\u00fastia, vazio, depend\u00eancia extrema, ansiedade, depress\u00e3o<\/strong>. \u201cAlgumas crian\u00e7as n\u00e3o conseguem mais ficar sozinhas, ter autonomia, desenvolver a capacidade de tomada de decis\u00f5es\u201d, diz a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e3o retirados das crian\u00e7as os prazeres genu\u00ednos da inf\u00e2ncia, como brincar, participar de jogos coletivos, fazer amigos, se sentirem amadas, protegidas e cuidadas<\/strong>. Quando s\u00e3o adultizadas e erotizadas, antecipa-se a sexualidade genital \u2013 que s\u00f3 deveria se desenvolver no final da adolesc\u00eancia. \u201cO adulto a coloca como um objeto desej\u00e1vel e ela se sente deslocada, invadida, ocupada. A crian\u00e7a \u00e9 atravessada por desejos que n\u00e3o s\u00e3o dela\u201d, aponta. Os impactos maiores s\u00e3o vistos tanto na apar\u00eancia, quanto na forma de falar. Algumas passam a ter comportamentos inadequados, sexualizados. Outras se retraem. \u201cPodem vir a se tornar adultos emocionalmente dependentes e extremamente pass\u00edveis de sofrer abusos, porque n\u00e3o conseguem sair do c\u00edrculo de viol\u00eancia\u201d, acrescenta Fernanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crian\u00e7as adultizadas passam a querer se adequar \u00e0 apar\u00eancia adulta: <strong>s\u00f3 querem se vestir com roupas que remetem a adultos, n\u00e3o querem ser vistas sem maquiagem<\/strong>.&nbsp;\u201cEnquanto o rosto ainda est\u00e1 em desenvolvimento, elas expressam o desejo de fazer procedimentos como botox e cirurgias\u201d, exemplifica a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m<\/strong>: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/preocupacao-com-a-aparencia-torna-se-problema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quando a preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria apar\u00eancia torna-se um problema para a crian\u00e7a?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong><strong><strong><strong>A culpa \u00e9 de quem?<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Idade M\u00e9dia, o conceito de inf\u00e2ncia n\u00e3o existia e a crian\u00e7a era vista como um miniadulto. \u201cElas podiam se casar, trabalhar e participar das mesmas atividades, sem distin\u00e7\u00e3o dos adultos\u201d, aponta a psic\u00f3loga Fernanda. Foi s\u00f3 a partir do s\u00e9culo 18 que as pessoas come\u00e7aram a entender que, nos primeiros anos de vida, os seres humanos ainda est\u00e3o em fase de desenvolvimento e precisam de um olhar espec\u00edfico, al\u00e9m de cuidados especiais. <strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/por-que-devemos-falar-em-infancias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Entenda melhor aqui!<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em muitos pa\u00edses, como o Brasil, <strong>a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia \u00e9 um direito garantido por lei<\/strong>, como lembra o advogado Jo\u00e3o Francisco Coelho, da \u00e1rea Digital, do Instituto Alana. Ele aponta que \u00e9 um princ\u00edpio constitucional a responsabilidade compartilhada entre Estado, fam\u00edlias e sociedade. \u201cIsso inclui o setor empresarial, enquanto parte da sociedade civil\u201d ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o especialista n\u00e3o h\u00e1 como isolar nenhum dos atores quando se pensa em uma resposta para o fen\u00f4meno da adultiza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso olhar de maneira ampla, enxergar de forma cr\u00edtica as m\u00eddias digitais e a forma como elas ser\u00e3o introduzidas na vida das crian\u00e7as, entender como os governos podem contribuir para isso, principalmente pela regula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Jo\u00e3o, \u00e9 essencial que as m\u00eddias sejam reguladas com par\u00e2metros que n\u00e3o contribuam para essa adultiza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, ele ressalta que <strong>\u00e9 preciso olhar para empresas que contribuem, muitas vezes, com o fen\u00f4meno, com a hiperexposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e a monetiza\u00e7\u00e3o da imagem delas<\/strong>. \u201cPara fazer frente a isso, precisamos pensar em uma regula\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a com que esses espa\u00e7os coloquem a prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, em primeiro lugar, em detrimento, inclusive, dos seus pr\u00f3prios interesses\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Proteger as crian\u00e7as, \u00e9, portanto, um cuidado conjunto, que se inicia dentro de casa, com uma fam\u00edlia que cuide e zele pela inf\u00e2ncia<\/strong>. \u201cO segundo ambiente \u00e9 a escola, que tem esse desafio de olhar para a seguran\u00e7a das crian\u00e7as\u201d, lembra a psic\u00f3loga Fernanda. Ent\u00e3o, v\u00eam os governos, com pol\u00edticas p\u00fablicas, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a exposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as a esse risco j\u00e1 existisse antes, isso aumentou na internet e teve um ponto alto na pandemia. Para Fernanda, foi um momento em que as fam\u00edlias ficavam em casa e usavam as m\u00eddias e a exposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as como uma forma de contato social, em tempos de restri\u00e7\u00e3o. \u201cAcontece que, quando sa\u00edmos da pandemia e conseguimos nos socializar novamente, essa exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminuiu. Pelo contr\u00e1rio. Houve ganhos financeiros para as empresas, para os pais. As pessoas viram que, ao expor os filhos, poderiam gerar uma renda. Virou uma falta de controle\u201d, avalia, defendendo que a regula\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o urgentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o advogado do Instituto Alana, as regras devem considerar que os algoritmos das redes sociais, hoje, priorizam a manuten\u00e7\u00e3o do engajamento dos usu\u00e1rios, acima de qualquer coisa. \u201cEles s\u00e3o m\u00edopes \u00e0s viola\u00e7\u00f5es dos direitos das crian\u00e7as e recomenda conte\u00fados apenas com base no que vai gerar engajamentos, o que pode ajudar a criar essas redes de pedofilia, colocando pessoas mal-intencionadas em contato com v\u00eddeos de crian\u00e7as\u201d, descreve. Segundo ele, o primeiro passo \u00e9 adequar esses sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, para que os par\u00e2metros n\u00e3o sejam unicamente voltados \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do engajamento e a captura da aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOutro ponto importante \u00e9 a modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado\u201d, argumenta. <strong>\u00c9 preciso garantir que, uma vez que as plataformas sejam notificadas de viola\u00e7\u00f5es de direitos, as publica\u00e7\u00f5es sejam moderadas e removidas<\/strong>. \u201cPor \u00faltimo, precisamos pensar em regras para a exposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as nas redes. N\u00e3o d\u00e1 para ser da forma como acontece hoje, em que qualquer crian\u00e7a, adolescente ou familiar com um celular pode produzir conte\u00fado, sem qualquer tipo de acompanhamento e considera\u00e7\u00e3o, e comece a monetizar. As regras sobre produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado por crian\u00e7as e adolescentes no ambiente digital precisam ser mais estritas para evitar essa situa\u00e7\u00e3o de abuso\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/sharenting-limites-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sharenting: quais s\u00e3o os limites para compartilhar conte\u00fados com crian\u00e7as nas redes sociais?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Enquanto isso, NAS FAM\u00cdLIAS&#8230;<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que \u00e9 preciso ter regras e responsabiliza\u00e7\u00f5es sobre conte\u00fado inadequado, que fere os direitos das crian\u00e7as, (quase) todo mundo entendeu. Mas o que fazer enquanto isso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 essencial que os pais entendam o que significa expor os filhos na internet. <strong>Uma vez que o conte\u00fado est\u00e1 online, h\u00e1 pouco controle sobre como ele pode ser usado, distorcido, descontextualizado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o \u00e9 que os pais n\u00e3o devam compartilhar nada, mas \u00e9 importante pensar em como fazer isso \u2013 e na responsabilidade que se coloca sobre as crian\u00e7as\u201d, diz Fernanda. \u201cQuando eu publico uma foto minha, com meus filhos, em um parque, mostrando um momento em fam\u00edlia, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o. Quando eu fa\u00e7o quase um roteiro, obrigo a fazerem isso ou aquilo, a falar o que eu quero, deixa de ser uma experi\u00eancia espont\u00e2nea e vira uma encena\u00e7\u00e3o\u201d, exemplifica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adultizacao-erotizacao-e-a-urgencia-de-proteger-a-infancia_meio.jpg\" alt=\"Adultiza\u00e7\u00e3o, erotiza\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia de proteger a inf\u00e2ncia_meio\" class=\"wp-image-70483\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adultizacao-erotizacao-e-a-urgencia-de-proteger-a-infancia_meio.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adultizacao-erotizacao-e-a-urgencia-de-proteger-a-infancia_meio-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cr\u00e9dito: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, ela lembra que, como pais, temos controle do que postamos ou n\u00e3o, mas n\u00e3o sobre o que as pessoas v\u00e3o fazer com isso. \u201c\u00c9 preciso pensar, antes de postar qualquer coisa que se refira aos filhos\u201d, recomenda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conforme os filhos crescem e come\u00e7am a usar as redes sociais, \u00e9 fundamental manter o di\u00e1logo, falar dos riscos, explicar o que pode e o que n\u00e3o pode, as poss\u00edveis consequ\u00eancias<\/strong>. Acima de tudo, \u00e9 importante saber o que seu filho est\u00e1 fazendo. At\u00e9 porque, at\u00e9 que ele se torne maior de idade, a responsabilidade \u00e9 da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMuitas fam\u00edlias acham um al\u00edvio a crian\u00e7a ou o adolescente ficar no celular, fazendo o que quiser, e se ausentam da sua responsabilidade, passando a responsabilidade de cuidado para um aparelho eletr\u00f4nico\u201d, diz Fernanda. \u201cOs adultos precisam deixar os pr\u00f3prios celulares um pouco de lado e olhar para os filhos, responsabilizando-se pela educa\u00e7\u00e3o e pela sa\u00fade, f\u00edsica e emocional, das crian\u00e7as e adolescentes\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/o-que-seu-filho-faz-na-internet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voc\u00ea sabe o que seu filho faz na internet?<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a tr\u00eas livros j\u00e1 enviados pelo Clube Quindim aos seus assinantes que ajudam a dialogar com as crian\u00e7as sobre padr\u00f5es, redes sociais e erotiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"451\" height=\"338\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/LeilaCapaTransparente-edited-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-50853\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/LeilaCapaTransparente-edited-1.png 451w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/LeilaCapaTransparente-edited-1-150x112.png 150w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/leila\/tino-freitas\/9788594680334\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leila<\/a><\/em>, de Tino Freitas e Thais Beltrame<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"331\" height=\"451\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UmSenhorNotavelCapa_Transparente-e1698181265461.png\" alt=\"Um senhor not\u00e1vel (escritora Olga Tokarczuk, escritora Joanna Concejo, editora Bai\u00e3o)\" class=\"wp-image-54802\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UmSenhorNotavelCapa_Transparente-e1698181265461.png 331w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UmSenhorNotavelCapa_Transparente-e1698181265461-150x204.png 150w\" sizes=\"(max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/um-senhor-notavel\/olga-tokarczuk\/9786598011550\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um senhor not\u00e1vel<\/a><\/em>, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"451\" height=\"338\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/TodosContraDanteCapaTransparente-edited-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-50852\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/TodosContraDanteCapaTransparente-edited-1.png 451w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/TodosContraDanteCapaTransparente-edited-1-150x112.png 150w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/todos-contra-dante\/luis-dill\/9788535911916\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Todos contra Dante<\/a><\/em>, de Lu\u00eds Dill<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda o que \u00e9 adultiza\u00e7\u00e3o e por que \u00e9 importante evitar que as crian\u00e7as pulem etapas fundamentais do desenvolvimento f\u00edsico e emocional<\/p>\n","protected":false},"author":89,"featured_media":70478,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[746,4,505],"tags":[],"class_list":["post-70457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desenvolvimento-infantil","category-educacao","category-familia"],"acf":{"posts_relacionados":[58790,68890,68435]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/89"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70457\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68435"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68890"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}